20 de ago de 2016

Sobre o pudor

"O respeito à intimidade


O que vem a ser, afinal, o pudor? Antes de mais nada, deve-se frisar que não se pode ser relacionado exclusivamente com a sexualidade. Tomado em sentido amplo, entende-se por pudor a tendência inata de zelar por tudo o que pertence à intimidade da pessoa, defendendo-a de qualquer intromissão inoportuna. Onde há intimidade - encarada no seu sentido mais amplo -, o pudor desabrocha necessariamente. Nada mais natural, já que a intimidade, de per si, vela-se, protege-se e esconde-se no mistério.
A rigor, o que é 'intimo' identifica-se com o que é 'pessoal'. É por isso que as pessoas se encontram à vontade e se manifestam com liberdade justamente nos ambientes íntimos. Nessas situações, não têm receio de vir a perder a imagem ou de ser mal interpretadas.
Há coisas que só se podem manifestar na intimidade, por estarem estreitamente vinculadas ao que há de mais profundo, de mais 'íntimo' na pessoa, individualizando-a e mostrando quem realmente ela é. Ao tornar-se público, aquilo que é íntimo esvai-se, perde valor, e a pessoa sente-se de certo modo violentada. É como se algo de grande preço lhe tivesse sido roubado, como se uma parte de si mesma se despedaçasse e se perdesse no exato instante em que caiu no domínio público. Neste sentido, perder a intimidade equivale a perder o domínio próprio, a perder-se como ser humano.
O pudor é a tendência natural de defender o domínio sobre 'aquilo que é mais meu'; não as 'minhas' coisas, o que possuo, mas a mim mesmo - o eu, entendido aqui como o que possuo de mais vitalmente íntimo, algo que tem valor somente para mim e para aqueles que me são chegados e que podem ser considerados quase um prolongamento do meu ser. Descobrir a intimidade aos que se situam fora de um âmbito verdadeiramente 'íntimo' equivale a perder-se, a cessar de ser dono daquilo que tem maior valor na vida da pessoa.
Compreende-se assim que, quanto mais rica é uma personalidade, tanto mais precisará de privacidade, tanto maior amplidão e valor terá a sua intimidade. São estes os casos em que o senso de pudor é mais forte. As pessoas frívolas, pelo contrário, aquelas que se revelam carentes de uma autêntica vida interior, estão mais inclinadas a tornar pública a sua intimidade. Na sua pobreza moral, consideram-na coisa de pouco valor. Embora sejam egoístas, não se apreciam pelo que valem; não têm escrúpulos em expor-se à curiosidade igualmente frívola daqueles que somente se interessam por assuntos vazios e inconsistentes.
'Certamente - observa Gabriel Marcel - poderá ocorrer o caso de uma intimidade patológica, quando esta se encerra em si mesma e se transforma assim em exclusão e cegueira. A verdadeira intimidade é algo bem diferente'. O pudor - em parte inato, em parte fruto de uma boa educação - ensina a discernir aquilo que verdadeiramente deve ser resguardado, indicando também de que modo e em que circunstâncias se podem manifestar certas realidades sem que a pessoa se prejudique.
Ainda que seja uma defesa natural contra qualquer violação da intimidade, o pudor reveste-se de uma especial importância perante as agressões no campo da sexualidade, às quais se poderia sucumbir facilmente se não se recorresse a algumas normas de prudência indispensáveis à própria natureza humana. Nesta ordem de coisas, o pudor revela-se como uma virtude moral. É um hábito que facilita a vigilância em face dos perigos a que a pureza está sujeita, das influências do ambiente que podem ocasionar afetos ou comoções sexuais inoportunas, e das ameaças contra a reta ordenação dos instintos. Assume a função de moderador do apetite sexual, ajudando a pessoa a desenvolver-se num clima humano em que está assegurada a supremacia do espírito.
Com as palavras de Pio XII, o pudor 'bem pode chamar-se a prudência da castidade. Pressente o perigo iminente, impede que a pessoa se exponha ao risco e impõe a fuga das ocasiões a que se expõem os menos prudentes. Não lhe agradam as palavras torpes ou menos honestas, e detesta a mais leve imodéstia. Evita a familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo, porque enche a alma de profundo respeito pelo corpo, que é membro de Cristo (cfr. 1 Cor 6, 15) e templo do Espírito Santo (cfr. 1 Cor 6, 19). A alma cristãmente pudica tem horror a qualquer pecado de impureza e retira-se ao primeiro assomo de sedução' (Encíclica Sacra virginitas, n.56). O pudor não constitui, portanto, uma força repressiva, exceto para aqueles que procuram mascarar a luxúria sob a aparência de virtude.
Os que conhecem a dignidade do ser humano - do homem inteiro, corpo e alma -, criado à imagem e semelhança de Deus e chamado a ser templo do Espírito Santo, reconhecem o pudor como aquilo que realmente é: um poderoso aliado na defesa do corpo - parte integrante do nosso ser - perante a agressividade dos impulsos sexuais descontrolados que quereriam transformá-lo em objeto de prazer, traindo a finalidade querida pelo Criador. Sabemos bem que existe uma lei de Deus, objetiva e de validade universal, que obriga a evitar (para nós e também para os outros) toda a excitação dos apetites sexuais fora do âmbito da intimidade conjugal, que tem por fim a procriação como ato próprio e inequívoco. Não há dúvida nenhuma de que desnudar determinadas partes do corpo humano em outras circunstâncias constitui um estímulo fortemente contrário às exigências da castidade.

Para além das modas


Não se pode negar que, dentro de certos limites, os usos e costumes sociais mudam com o tempo. Contudo, deve-se também dizer que o campo do relativo e do convencional é muito mais restrito do que poderia parecer. Existe um limite real entre o decente e o indecente, quer o reconheçamos, quer não. Uma pessoa que se esforce por viver cristãmente consegue distinguir sem maiores dificuldades a modéstia da imodéstia e o pudor da falta de vergonha.
Há, porém, o caso das pessoas que carecem de discernimento, e que procuram avaliar a honestidade ou a malícia de uma determinada situação pelas reações que provoca. Assim, por exemplo, já que parece não se verificarem reações propriamente eróticas diante do espetáculo oferecido numa praia ou numa piscina, é comum ouvir dizer que ali 'não há nada mau'.
Não faltam também os que sustentam que se cometem menos pecados de luxúria nas nossas praias do que se cometiam nos balneários da belle époque. Hipótese tão verossímil quanto dúbia, que alimenta a tese do relativismo nas normas morais, bem como a do 'acostumar-se'. Segundo essa tese, o hábito de contemplar o nu mais ou menos total levaria a superar a possibilidade de ter reações eróticas, a menos que interviesse uma intenção pervertida.
[...]
Certamente, o próprio nu, considerado materialmente, pode ser honesto ou impudico: isso depende de que seja exigido, por exemplo, por motivos de saúde ou ditado por desejos exibicionistas. Há, neste sentido, uma certa elasticidade, ainda que o pudor permaneça em boa parte inato no homem. Efetivamente, circunstâncias diferentes de idade, temperamento, propensões, indiferenças ou repulsas influem coletiva ou individualmente numa certa relativização do que é impudico. Contudo, certas ações, representações ou modos de vestir serão sempre proibidos de modo geral, pois são motivo de escândalo para outros, ainda que possam ser pessoalmente indiferentes num caso ou noutro.
Podemos, portanto, afirmar que, se bem existam manifestações 'relativas' do pudor, mutáveis conforme as circunstâncias, nem tudo é relativo no pudor. Sobretudo, é preciso enfatizar que o pudor deve estar presente em toda a situação humana e manifestar-se de forma adequada."

Do livro "O Pudor", de Ada Simoncini. São Paulo: Editora Quadrante, 1991. Grifos nossos.

15 de ago de 2016

Sete princípios da Doutrina Social da Igreja



Por Christopher Kaczor. Traduzido do original por Rogério Schmitt. Este texto é um aprofundamento ao anterior que publicamos de título semelhante. Grifos nossos.


Jesus resgatou a adúltera do apedrejamento, comeu com os cobradores de impostos e as prostitutas, conversou com a mulher samaritana à beira do poço, e também curou doentes e pecadores. Ele prometeu as punições mais severas aos que ficassem indiferentes ao sofrimento dos pobres: 

“Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna” (Mt 25, 41-46).

Através dos tempos, os cristãos procuraram reproduzir o exemplo e as palavras de Jesus, e vivenciá-los em contextos sociais bem distintos daquele da antiga Palestina. A doutrina social católica é um dos frutos desse esforço. 

Alguns ensinamentos da Igreja Católica são muito claros e relativamente simples de serem expressos. Nós cremos em Deus. Nós cremos em Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Nós cremos nos sete sacramentos e na infalibilidade papal. A doutrina social cristã, por outro lado, é difícil de resumir tão claramente. Católicos de boa vontade frequentemente discordarão sobre o significado da doutrina social católica e, em especial, sobre como aplicá-la a uma situação concreta. 

Além disso, a doutrina sobre as questões sociais está em desenvolvimento contínuo, como se constata nos escritos de vários pontífices: desde a Rerum Novarum, a encíclica do Papa Leão XIII sobre a doutrina social católica, passando pela Pacem in Terris do Papa São João XXIII e pela Centesimus Annus do Papa São João Paulo II, e chegando até a segunda parte da Deus Caritas Est, do Papa Bento XVI. 

A doutrina social católica é complexa e se relaciona às mudanças das condições sociais e ao entendimento cada vez mais aprofundado dos princípios éticos e da ação de Deus na história. No entanto, essa complexidade pode ser imperfeitamente sintetizada em torno de sete princípios chave da doutrina social católica.

I. Respeito pela Pessoa Humana


A base do ensino social cristão é o correto entendimento do valor da pessoa humana. Nas palavras do Papa São João Paulo II, o fundamento da doutrina social católica “é a correta concepção da pessoa humana e do seu valor único, enquanto «o homem (é) a única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma». Nele gravou a Sua imagem e semelhança (Gn 1, 26), conferindo-lhe uma dignidade incomparável” (Centesimus Annus, 11). De certo modo, toda a doutrina social católica desenvolve as implicações éticas da compreensão adequada da dignidade da pessoa. 

O conceito de “direitos humanos” foi adotado pelos papas para comunicar que todos os seres humanos, como filhos de Deus, merecem ser protegidos das agressões alheias e também receber certas formas de tratamento. Em particular, a Igreja tem sido inflexível na defesa do direito à vida de cada ser humano inocente, da concepção até a morte natural. A oposição ao aborto e à eutanásia é o fundamento necessário do respeito pela dignidade humana em outras áreas, tais como a educação, a pobreza e a imigração.

Com base nesse direito fundamental à vida, os seres humanos também desfrutam de outros direitos. Nessa área, a Igreja se une a diversas outras vozes que proclamam a dignidade da pessoa e os direitos fundamentais do homem. No entanto, o consenso aparente esconde divergências muito sérias sobre a natureza e o alcance desses direitos. Uma das áreas mais controversas na cultura contemporânea é a compreensão da família.

23 de jul de 2016

Carência afetiva feminina...Como lidar com isso?




Uma leitora querida pediu-nos um texto sobre como nós, mulheres, devemos lidar com nossa carência afetiva e necessidade de sermos olhadas.

Para escrever sobre isso é inevitável não cair no tema da sexualidade... Vivemos hoje num mundo de muitos extremos e pouco equilíbrio. Na seara da sexualidade, ou somos levadas a pensar em promiscuidade e sexo livre, ou somos levadas, como muitas senhorinhas de antigamente, a vê-la como algo mau e sujo. A sexualidade engloba mais que o ato sexual. É uma dimensão da nossa condição humana manifestada em nosso sexo (feminino) e na nossa afetividade. O ato sexual é a união da sexualidade feminina e masculina, e culmina na geração de uma nova vida. Olha que coisa bonita! É através da relação sexual que nos tornamos co-criadores! Somos como Deus!
Espera... Isso parece chocante... Ser como Deus? Mas não foi por isso que Lúcifer pecou? Lúcifer quis ser Deus sem Deus. Deus quer nos endeusar com Ele, por Ele e nEle!  A sexualidade ordenada faz com que toda a nossa vida se volte para o Criador. É aí que entra o primeiro ponto que gostaria de comentar...


1. Mundo é um meio de chegarmos ao Céu


Qualquer coisa que você fizer neste mundo - qualquer - é um meio de você ir ao céu. Casar? Celibato? Vida consagrada? Em qualquer das situações, os anos que vivemos aqui na Terra, as relações sociais que cultivamos, nossos estudos, trabalho, vocação, tudo é um caminho dentre vários que temos para cumprir a Vontade de Deus e chegarmos até Ele. O problema é quando fazemos dos meios um fim. Se fizermos da nossa vocação ao matrimônio um fim, todas as dimensões da nossa vida terão como finalidade o matrimônio, e aí a vida fica desordenada. Se seu futuro marido não é como você imaginava, ou se você não consegue encontrar um cara decente para namorar, ou se você, já casada, não está contente com os afazeres e a rotina, tudo isso torna-se um fardo e leva as pessoas ao estado de tristeza e depressão quando se toma o casamento como um fim em si mesmo.
Eu me tornei uma pessoa muito mais feliz e leve quando comecei a ver minha vocação como um meio de santificação. As escolhas ficaram menos pesadas e eu finalmente consegui me entregar mais aos planos de Deus, porque via que tudo o que acontecia era o caminho que Ele achava melhor para eu chegar até Ele.
Eu sei que parece meio abstrato falar isso, mas Jesus deve ser nosso primeiro esposo. Ele é o primeiro Homem que devemos entregar nossa vontade e nosso coração. Como fazer isso? Reze, comungue, confesse-se com regularidade e diga sempre, em suas orações, para você aceitar a vontade do Senhor e o que Ele prepara para você. Se abra com Jesus. Fale dos seus medos, anseios, dificuldades. Tome-o como melhor amigo. Mesmo que muitas situações te levarem ao sofrimento, ofereça tudo a Deus. É a entrega e confiança de que tudo o que você passa é da Vontade Dele que nos faz crescer em virtudes e vivermos em paz.
Ainda neste assunto, é importante mencionar sobre nosso apego às coisas deste mundo. Deus não vai dar-se inteiro a nós se houver ainda um fiozinho de linha que nos prende à esta Terra. Muitas vezes passamos por sofrimentos e dores porque isso é uma maneira de desapego. Se você perdesse tudo, se as pessoas que você mais ama morressem, você ficaria em paz com Deus? Este é um caminho para pensarmos o quanto ainda somos apegados a bens e pessoas!

2. Visão errada sobre o ato sexual


Já vi muitos exemplos de pessoas, bons católicos, enxergando o sexo como algo sujo. Em outro lado, vejo a todo momento notícias, propagandas e comentários banalizando a relação sexual e reduzindo-a à troca de prazer. Em qualquer das situações a visão sobre o sexo está equivocada. O ato sexual une o casal e se abre para gerar uma nova vida. Santo Tomás de Aquino afirmou que o prazer sexual antes do pecado original era muito maior e incomparável com o prazer que temos hoje. O Prof. Sidney Silveira, grande tomista brasileiro, disse certa vez que é lícito e até um ato de caridade homem e mulher usarem de carícias para se satisfazerem antes, durante ou após a relação sexual. Tudo isto nos mostra que o sexo é lindo e bom, desde que esteja dentro do matrimônio e seja um ato natural, isto é, aberto à vida. Sexo grupal, anal, oral e outras maluquices não são naturais, porque não são abertos à vida. Penso eu, com base no que diz Santo Tomás, que quanto mais em estado de graça está um casal, mais prazer ele sente na relação sexual, porque mais próximos estão da situação que estavam Adão e Eva antes do pecado original. 
Algo complicado que já vi acontecer é o fato de muitos casais católicos terem dificuldade de se relacionar sexualmente após o matrimônio, seja por pudor excessivo, seja por medo de sentir prazer lícito. Nesse sentido, li um texto do Prof Felipe Aquino que traz bons conselhos. Isso acontece porque há uma visão deturpado sobre o sexo e a sexualidade, e essa visão veio desde o namoro.
O desejo e atração não são maus em si.  É muito bom que um casal se deseje, afinal, é isso que diferencia, em muito, você namorar um cara e não apenas ser amiga dele. O desejo transparece em muitos atos: beijos, abraços, toques, demonstrações de afeto. Muitas vezes nós, mulheres, só de recebermos uma mensagem afetuosa pelo celular já nos sentimos atraídas pelo homem que amamos. Tudo isso não é ruim. O problema reside quando este desejo está fora das rédeas e nos leva ao pecado contra a castidade. O afeto entre um casal é muito importante. Nós não somos repolhos. Deus nos deu sentimentos. O que é preciso é, sem neurose, nos afastarmos de ocasiões de pecado. Quais são essas situações? Cada casal identificará junto isso, de acordo com as fraquezas de ambos. 
O que deixo é a mensagem de que sexo é bom, é bom que se sinta prazer, e o desejo sexual também é bom, mas isso tudo deve estar ordenado. 

3. A alma e a sexualidade feminina


Finalmente o tópico mais focado na sugestão de nossa leitora! rs
Que somos diferentes dos homens em questões anatômicas, fisiológicas e psicológicas, creio que todos concordam (se algum leitor for adepto da ideologia de gênero, depois me mande email rsrs).
Assim como o orgão sexual do homem é mais exterior, sua sexualidade também é mais exterior. O homem gosta de olhar, de ver a beleza feminina. A mulher, bem como seu orgão sexual, é mais interiorizada. Ela gosta de ser olhada, de ser cortejada, de se sentir amada. 
É, portanto, normal para nós (para algumas mais, para outras menos, de acordo com personalidade e temperamento) esta necessidade de afeto e de que nos olhem.
Inclusive é normal que em nosso período fértil estejamos mais desejosas de carinho - faz parte da nossa natureza!
O problema está, mais uma vez, no desordenamento disso tudo.

Quando não compreendemos as duas questões anteriores - o que é o sexo e que tudo nesta vida é um meio - tendemos, como mulheres, a dar vozes às nossas carências. Podemos cair na luxúria, em um extremo, ou na completa negação de nossa sexualidade, em outro.

A luxúria, neste caso, não é apenas fornicação, mas também a busca por um objeto afetivo. Se o homem tem tendência a transformar a mulher em objeto sexual, a mulher tem tendência a transformar o homem em objeto de seu afeto. Isso significa depositar em alguém todas as suas carências, querer atenção a todo momento, brigar com o homem quando ele não age como o esperado, cultivar ciúmes sem fundamento e tirar a paz do casal. Vale lembrar que essa situação acontece mesmo em namoros castos.

Por outro lado, temos algumas mulheres que negam sua sexualidade. Negam os desejos que sentem porque acham que as sensações são sempre impuras. Negam manifestações de afeto do homem, porque acham que isso as levará ao pecado. Negam a vontade de se vestirem bem, bonitas, asseadas, porque pensam que isso levará os homens a pecar. E, finalmente, acabam, no matrimônio, negando relação sexual ou até tendo dificuldade de sentirem prazer devido aos escrúpulos.

Os dois lados são perigosos. No caso de transformar o homem em objeto afetivo, o que falta à mulher é confiança em Deus, porque entra no que foi exposto no primeiro tópico: transformar o namoro/casamento em um fim em si, e não em um meio. É normal querermos atenção, afeto e ficarmos com ciúmes. Mas a nossa vida não pode depender do nosso namorado/marido! Os homens gostam de espaço, e um relacionamento saudável requer que ambos tenham tempo para si mesmos. Os homens são diferentes da gente. Enquanto estamos colocando mil minhocas na cabeça que eles podem não estar mais interessados em nós porque ficaram algumas horas sem nos dirigir a palavra, eles estão tranquilos, na boa, preocupados com outras coisas (o time de futebol ou um problema no trabalho, por exemplo). Aproveite seu tempo livre para sair com as amigas, ir a Igreja, ficar com seus pais ou avós, fazer alguma obra de caridade ou até praticar algum esporte. Nestas situações é que exercitamos o desapego! Também faça o que foi sugerido no primeiro tópico: tente confiar mais em Deus e deixar que Ele conduza sua vida.

No caso das mulheres que negam sua sexualidade, isso deve ser trabalhado com um bom diretor espiritual e, se possível, também, com um psicólogo católico (em casos mais extremos). O que ocorre, nesta situação, é uma dificuldade de compreender a sexualidade. Muitas moças se negam a abraços, beijos e toques por acharem que estão pecando contra a castidade, ou porque o abraço do namorado desperta nelas pensamentos inapropriados para a fase do namoro. Sobre questões mais práticas do namoro já escrevi um texto sobre. O que quero chamar a atenção é que às vezes confundimos manifestações sadias de nossa sexualidade com ocasiões de pecado. Se no período fértil você está mais sensível aos toques masculinos, louve a Deus pela sua fertilidade! Dependendo o passo de sua caminhada na fé, talvez seja melhor nesse período não se encontrar com seu namorado, mas isso quem vai decidir é somente você. Se você está com seu namorado e juntos sentem muito desejo um pelo outro, talvez seja melhor dar uma volta ou sair um pouco de perto. Não se culpem, entretanto, pelo desejo que sentem, e não pensem que isso é pecado. Não recebemos um manual pronto de como agir em cada situação de nossas vidas. As diretrizes básicas nós temos pela Igreja, mas como agir em cada situação depende de nós. Tenha paciência consigo mesma e vá pedindo o auxílio de Jesus e da Virgem Maria para, aos poucos, modelar seu relacionamento e modelar você, como mulher.


Por fim, a carência desordenada faz uma mulher querer se vestir imodestamente. É por isso que a gente parou de falar especificamente de modéstia aqui no blog. Não adianta bater na tecla da modéstia, dar mil exemplos, quando o cerne da questão está mais aprofundado. Muuuuitas mulheres não entendem a questão da modéstia por serem extremamente carentes. A mulher não vê sentido em se vestir de maneira mais recatada quando chama a atenção com decote e salto. É preciso ordenar a alma, compreender os tópicos que mencionamos aqui e enxergar a própria dignidade. Ser modesta, elegante, gentil e feminina se tornam consequências disso. 

Não há nada de errado em se vestir bem, usar roupas da moda, maquiagem e um perfume suave. Isso é louvável perante a doutrina católica. Ser modesta não significa ser brega. Há mulheres escrupulosas que acham que ficar bonita é algo pecaminoso, pois chama a atenção dos homens. De maneira alguma! Que bom que homens se atraem por mulheres! Esta é a ordem divina! O problema reside em mostrar determinadas partes do corpo de maneira inapropriada. Os leitores bem sabem do que estamos nos referindo. Santa Edith Stein, ao estudar a mulher, constatou que a alma ordenada é feminina, discreta e modesta. Se buscarmos a ordenação de nossa alma, as virtudes crescerão juntas, e saberemos, aos poucos, discernir muitas outras questões, entrando as vestimentas neste quesito.


4. Buscando a ordem


Eu percebo que hoje os homens estão tão acostumados com mulheres fáceis que quando encontram uma moça modesta em seus modos, esta passa a imagem de que é fria ou de que não está interessada no relacionamento. Acontece de determinados temperamentos serem mais frios (eu, por exemplo, sou uma pessoa que não sabe demonstrar afeto), mas acontece de outros serem quentes demais.
É por isso que devemos buscar o equilibrio. Nesse sentido, mortificações são válidas para contrariarmos nossa vontade e aprendermos a fazer sacrifícios - por nós e pelos outros.
Sobre a carência afetiva, em suma, é normal que nós, mulheres, sintamos necessidade de sermos olhadas, de nos vestirmos bem, de recebermos afeto. O problema está quando isto se torna uma obsessão. Nesse caso é preciso investigar as raízes (aqui no texto apontei algumas). Pode ser que sua carência seja algo mais profundo, talvez tenha a ver com algum sofrimento de sua infância ou adolescência. Assim, é preciso, além de uma boa direção espiritual, um bom psicólogo que possa te ajudar a resolver estas questões de sua vida.
A ordem só podemos conseguir por graça de Deus. O que temos de bom em nós é graça de Deus. Parece repetitivo eu falar isso em vários textos, mas a receita é testada e aprovada pelos santos (rs): comunhão diária, confissão regular, obras de caridade e leituras espirituais.
Não se desespere diante das tentações e não se desespere se você cair. Deus permite isso para que não nos enchamos de soberba. Também não caia no pecado da pusilanimidade, de achar que a santidade não é para você... Pare com isso! Todos nós somos pecadoras, todos nós temos pecados, todos nós temos tentações relacionadas à castidade. Peça a graça de Deus... Somente com a graça é que podemos vencer e um dia nos encontrarmos no céu!

Indicações
- Curso "Terapia das Doenças Espirituais" - Pe Paulo Ricardo
- Curso de "Teologia do Corpo" - Pe Paulo Ricardo
- Vida sexual do casado - Prof Felipe Aquino
- A alma feminina segundo a filosofia perene - Prof. Sidney Silveira (hangout pelo Terça Livre)
- É ruim ter pensamentos sexuais? O que devo fazer? - Chastity Project (traduzido por nós)

Livros: Caminho de Perfeição (Santa Teresa DÁvila); A prática de amor a Jesus Cristo (Santo Afonso de Ligório), Teologia Moral (Santo Afonso de Ligório), Summa Teologica (Santo Tomas de Aquino), Amor e Responsabilidade (Karol Wojtyła), O amor que dá a vida (Kimberly Hahn), Três para casar (Fulton Sheen)

Nota
- Agradeça sempre a Deus pela sua fertilidade, por sua sexualidade, e ordene a energia dos seus desejos para Ele. Mesmo quando estiver sendo tentada, louve a Deus por Ele ter te criado mulher, por você ser bela e por sua vocação. Colocamos um interessante trecho do livro "Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma":

"Reconhecidamente, você pode integrar seus desejos com sua fé, sem ter que aniquilar um ou outro. Nossos desejos sexuais não existem para serem eliminados. Todavia, eles precisam ser dispostos de acordo com o amor autêntico. Se a pureza exige que a pessoa elimine seus impulsos sexuais, deveríamos admitir que os casados fossem incapazes de uma ou outra atitude: ou guardar a pureza, ou alimentar a paixão. O desígnio de Deus é para que tenhamos ambas - paixão e pureza unidas.
Como fazer isso? Para começar, aprenda a distinguir entre um pensamento libidinoso e uma tentação para praticar a luxúria. Uma tentação é o pensamento repentino de um ato proibido. Na medida em que este pensamento está fora de seu controle, você não é moralmente responsável pela chegada dele à sua mente. Não obstante, o que você faz com este pensamento determina se você irá receber mérito ou culpa como resultado.
Se seus pensamentos começarem a tender para coisas luxuriosas, tente atraí-los de volta, tão logo reconhecer o que está fazendo. Se for tentado enquanto estiver sozinho, trace o sinal da cruz em sua fronte. Diga o nome de Jesus. Anuncie ao Céu e ao Inferno, com suas palavras e seu corpo, que você pertence a Deus. Mas não reze exatamente contra a tentação. Se você for tentado em algo que diz respeito a uma pessoa em particular, reze para ela. Transforme sua tentação em um ato de intercessão.
Em que ponto você deve recuar no que diz respeito a seus pensamentos? Uma regra prática é lembrar-se de que, se a ação específica não é digna, então você não deve permitir que sua mente se demore nela. Por exemplo, se você não for casado, não divague sobre intimidades conjugais. Não é errado desejar tal intimidade, mas seria melhor, para você, esperar em Deus, permitindo-lhe, no momento apropriado de sua vida, suspender o véu deste mistério" (p. 206)

20 de jul de 2016

Sete temas da Doutrina Social da Igreja



Traduzido do original por Rogério Schmitt

A doutrina social da Igreja é um rico tesouro de sabedoria sobre a construção de uma sociedade justa e sobre a vida de santidade em meio aos desafios da sociedade moderna. A doutrina social católica foi articulada por meio de uma tradição de documentos pontifícios, conciliares e episcopais. A profundidade e a riqueza dessa tradição pode ser mais bem compreendida através da leitura direta dos documentos originais. Mas aqui apresentaremos breves reflexões, nas quais destacaremos alguns temas chave que estão no âmago da tradição social católica. 

1. A vida e a dignidade da pessoa humana

A Igreja Católica proclama que a vida humana é sagrada, e que a dignidade da pessoa humana é o fundamento de uma visão moral para a sociedade. Esta crença é o fundamento de todos os princípios da nossa doutrina social. Na nossa sociedade, a vida humana está sob o ataque direto do aborto e da eutanásia. O valor da vida humana está sendo ameaçado pela clonagem, pela pesquisa com células-tronco embrionárias e pela utilização da pena de morte. A ação intencional contra civis nas guerras e nos ataques terroristas é sempre errada. A doutrina católica também nos convoca a agir para evitar as guerras. As nações devem proteger o direito à vida, buscando meios cada vez mais efetivos de prevenção de conflitos, e os resolvendo por meios pacíficos. Nós acreditamos que cada pessoa é especial, que as pessoas são mais importantes do que as coisas, e que o valor de cada instituição decorre de se ela ameaça ou estimula a vida e a dignidade da pessoa humana.

2. Família, comunidade e participação

A pessoa não é apenas sagrada, ela também é social. O modo pelo qual organizamos a nossa sociedade – na economia e na política, no direito e nas ações do governo – afeta diretamente a dignidade humana e o poder dos indivíduos de crescer em comunhão. O casamento e a família são as instituições sociais centrais, e devem ser apoiados e fortalecidos, e não combatidos. Nós acreditamos que as pessoas têm o direito e o dever à participação social, buscando juntas o bem comum e o bem estar de todos, especialmente dos pobres e vulneráveis.

3. Direitos e responsabilidades

A tradição católica ensina que a dignidade humana pode ser protegida e que uma saudável comunidade pode ser atingida somente se os direitos humanos forem protegidos e as responsabilidades cumpridas. Portanto, cada pessoa tem direito fundamental à vida e àquilo que é necessário para a decência humana. Correlatos a esses direitos, há também deveres e responsabilidades – uns com os outros, com as nossas famílias e com a sociedade em geral. 

4. Opção pelos pobres e vulneráveis

Um teste moral básico é constatar como vivem os nossos membros mais vulneráveis. Numa sociedade marcada por divisões crescentes entre ricos e pobres, a nossa tradição nos recorda o Juízo Final (Mt 25, 31-46), e nos ensina a priorizar as necessidades dos pobres e vulneráveis.

5. A dignidade do trabalho e os direitos dos trabalhadores

A economia deve estar a serviço das pessoas, e não o contrário. O trabalho é mais do que uma maneira de ganhar a vida, ele é uma forma de participação contínua na criação de Deus. Se devemos proteger a dignidade do trabalho, então devemos respeitar os direitos básicos dos trabalhadores – o direito ao trabalho produtivo, a uma remuneração decente e justa, à organização e à filiação sindicais*, à propriedade privada e à livre iniciativa econômica**.

6. Solidariedade

Nós somos uma única família humana, sejam quais forem as nossas diferenças nacionais, raciais, étnicas, econômicas e ideológicas. Nós somos os cuidadores de nossos irmãos e irmãs, estejam onde estiverem. O amor ao próximo ganha dimensões globais num mundo cada vez menor. O cerne da virtude da solidariedade é a busca da justiça e da paz. O Papa Paulo VI ensinava que os que querem a paz devem trabalhar pela justiça. O Evangelho nos chama a promover a paz. O nosso amor por todos os nossos irmãos e irmãs exige que promovamos a paz num mundo cercado por violência e conflitos. 

7. Zelo pela criação de Deus

Nós demonstramos o nosso respeito pelo Criador sempre que protegemos a criação. O zelo pela terra não é apenas uma palavra de ordem, é um requisito de nossa fé. Nós somos chamados a proteger as pessoas e o planeta, vivendo a nossa fé num relacionamento com toda a criação divina. Esse desafio ambiental tem dimensões morais e éticas fundamentais, que não podem ser ignoradas.

Este sumário é somente um ponto de partida para os que se interessam pela doutrina social católica. Para se chegar a uma compreensão plena, é preciso conhecer os documentos pontifícios, conciliares e episcopais que constituem esta rica tradição.

Notas Nossas:
* Há uma referência à organizações de trabalhadores livre de ideologias, algo difícil atualmente.
** Livre iniciativa econômica não deve ser confundida com liberalismo. Sobre isso indicamos este texto do Prof Carlos Ramalhete.
- Aqui no blog começamos a estudar o compêndio. Aqui.

17 de jul de 2016

Carta ao jovem católico sozinho na Missa - Por Ruth Baker



Escrito por Ruth Baker. Traduzido do original por Rogério Schmitt. Grifos do original.

Caro jovem católico,

Só porque você tem que fazer algo, não quer dizer que seja fácil, e nem que você tenha que fazê-lo sozinho ou sem apoio. Há ocasiões em que é difícil ser católico. Quando você sente ser a única pessoa em todo o mundo que acredita no que acredita. Ou quando as expectativas depositadas em você são enormes e impossíveis. Há ocasiões em que nadar contra a corrente da sociedade é simplesmente exaustivo, em que a fé é confusa ou em que a santidade parece não ter nenhuma recompensa.

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não possa ver a relevância dela na sua vida. Talvez tudo esteja indo bem para você, mas a fé pareça ser uma obrigação. Ou talvez, ultimamente, tudo esteja desabando ao seu redor, e Deus pareça distante, frio e silencioso. Talvez a raiva e a dor estejam obscurecendo tudo, e você não consiga enxergar o seu futuro. Ou talvez você saiba que a sua fé tudo significa para você, mas o preço que paga por ela é maior do que jamais imaginou, e não há ninguém além de você para apoiá-lo ou encorajá-lo.

Pode ser que tudo o que sinta seja auto piedade pelas vezes em que cometeu erros. Talvez esteja cansado de se explicar, ou de desistir de relacionamentos quando você se recusa a comprometer seu valor próprio. Talvez você tenha experimentado tamanha rejeição pelo fato de ser católico que nada tenha a oferecer a mais ninguém. Talvez sinta falta de amigos que compartilhem a sua fé, que compreendam quem você é e porque acredita nessas coisas. Talvez você deseje ter alguém com quem possa ir à Missa, com quem possa rezar e para quem possa explicar as suas dúvidas e dificuldades. Talvez você esteja exausto de ter que defender aquilo que é fonte de tanta alegria.

É muito duro quando não há ninguém por perto para lembrá-lo de que todo esse esforço vale a pena. É desencorajador quando mais ninguém compreende o quanto pode ser solitário ir sozinho para a Missa. Ou quanta força se requer, e quanta tristeza se produz, quando você se afasta de situações que sabe não serem corretas. Talvez você esteja cansado de repetir sempre os mesmos velhos erros. É duro, eu sei que é! E eu gostaria de encorajá-lo.

Eu quero que se lembre de que, mesmo que agora você se sinta sozinho na sua fé, mesmo que esteja lutando, nós dividimos com você as mesmas dificuldades. Nós queremos que se lembre da alegria e da amizade que é conhecer Cristo. Não importa o estágio da fé em que você se encontra, sempre persevere.

Às vezes, os pequenos passos são tudo do que precisamos. Continue a rezar, mesmo que sejam somente cinco minutos por dia.

Saiba que você pode se orgulhar de ser católico. Isso é o que o torna quem você é. E, já que você é uma pessoa única e interessante, isso é parte do rico tecido de vida que forma a sua bonita personalidade. Não é sempre que você estará cercado de pessoas que verão a sua fé de forma negativa. Você também encontrará pessoas que se sentirão intrigadas pela sua fé, que desejarão genuinamente conhece-la melhor, e que estão esperando pela oportunidade de compartilhar algo pessoal sobre elas próprias. E você também encontrará pessoas que dirão desejar algo que você já tem, como o seu senso de propósito, o seu senso de paz, ou o seu conhecimento de ser amado incondicionalmente por Deus.

Eu não digo isso para criar barreiras, mas para encorajá-lo a discernir que, ainda que a sua fé às vezes pareça ser um fardo, haverá momentos inesperados em que ela o surpreenderá devido ao seu poder para o bem, para criar conexões com os outros, e para mudar as suas vidas. Não se esqueça do enorme poder da sua fé. Por meio de você, Deus agirá de modos incríveis e nunca esperados!

Tudo bem, eu entendo. É duro ser um jovem católico. Talvez você sinta que poderia estar se saindo melhor. Talvez você apenas se sinta perdido. Espero que, só por eu reconhecer as suas dificuldades nessa carta, você já se sinta menos sozinho. Sim, as coisas mudam. Um dia, as lutas que você enfrenta agora não serão tão difíceis. Mas, mesmo assim, por favor saiba que estamos rezando por você, que o estamos encorajando, e que temos os mesmos sofrimentos que você. Juntos, com Cristo e com sua mãe Maria, você vai conseguir! 

Com amor e orações,

De um jovem católico para outro

P.S.: a música pode ajudar bastante às vezes, então aqui vão duas sugestões minhas para que sempre se sinta encorajado.





15 de jul de 2016

A Santa Missa por Santo Afonso de Ligório



Pequena Explicação do Santo Sacrifício da Santa Missa - Por Santo Afonso Maria de Ligório


(Tal explicação se refere à Santa Missa Antiga, em Latim, da qual algumas partes infelizmente foram suprimidas, entretanto o sentido é exatamente o mesmo)

A Santa Missa é um compêndio de toda a Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo

(Desde o momento da entrada do Sacerdote e a equipe de celebração, começa exatamente um novo Calvário. Hoje se fala muito em “memorial da Paixão”, mas os bons teólogos consideram que esta interpretação é protestante, porque nossa Santa Missa é Sacrifício Real).

- O Beijo no Altar significa Jesus recebendo a Cruz, quando Ele a beijou.
-O Introito significa o desejo que tinham os santos Patriarcas da vinda do Senhor. 
-O Kyrie Eleison significa as vozes dos Patriarcas e Profetas, que pediam a Deus esta vinda há tanto tempo desejada. 
-O Glória in Excelsis significa o nascimento do Senhor. 
-As orações significam a apresentação no templo e a oferenda determinada por lei. 
-A Epistola significa a pregação de São João Batista, anunciando aos homens o reino de Cristo. 
-O Gradual significa a conversão das multidões ao ouvirem a pregação de São João Batista. 
-O Evangelho significa a pregação do Senhor que da esquerda nos passa á direita, isto é, das coisas temporais ás eternas, e do pecado á graça; as luzes e o incenso na leitura do Evangelho significam que este iluminou o mundo, enchendo-o do suave aroma da graça de Deus. 
-O Credo significa a conversão dos santos Apóstolos e dos outros discípulos do Senhor. 
-As Secretas, que principiam depois do Credo, significam os ocultos conciliábulos dos Judeus contra Cristo. 
-O Prefácio terminado com o Hosana In Excelis, significa a entrada solene de Jesus Cristo em Jerusalém no dia de Ramos. 
-As outras orações secretas que se recitam em seguida significam a Paixão do Senhor. 
-A Elevação da hóstia, significa a elevação de Cristo na Cruz. 
-O Pai Nosso significa a oração do Senhor quando pendente da cruz. 
-A fração da hóstia significa a chaga aberta pela lança. 
-O Cordeiro de Deus significa o pranto de Maria no descimento da cruz. 
-A Comunhão do Sacerdote, significa a sepultura. 
-O Pós Comunhão, significa a ressurreição. 
-O "Ide a Missa terminou", significa a ascensão. 
-A benção do sacerdote, significa a vinda do Espírito Santo. 
-O Evangelho final significa a pregação dos santos Apóstolos, quando, cheios do Espírito Santo, eles começaram a pregação do Evangelho por todo o mundo e a conversão do povos. 

OBS: temos ainda outros significados importantes, em relação ao Calvário: 
- No perdão inicial, temos Jesus no Horto das Oliveiras! 
- No Glória, o agradecimento por Deus nos haver perdoado 
- No ofertório, Jesus Se oferece ao Pai como Vítima expiadora 
- Na elevação do Pão, Jesus é suspenso na Cruz.. 
- Na elevação do Cálice, Jesus é atravessado pela lança! 
- Na Comunhão, Jesus se entrega a nós como alimento de vida eterna!

11 de jul de 2016

O que é Castidade para você? - Por Ana Paula Barros

Recentemente o Apostolado Salus in Caritate realizou uma pesquisa sobre o tema “Castidade”. Este texto tem o objetivo de informar uma parcela dos resultados e fornecer uma breve formação e esclarecimentos sobre os mesmos. Como o tema é amplo e os resultados forneceram dados para desenvolvermos esse tema, teremos uma sequencia de artigos neste blog, no Mel de Moça e no Salus in Caritate.


Introdução


Para que se entenda o que é a Castidade é preciso conhecer os ensinamentos cristãos católicos sobre essa virtude. 

Segundo o CIC 2347 a Virtude da Castidade desabrocha na amizade e ainda “mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz participar de sua condição divina. "A castidade é promessa de imortalidade." No noivado os noivos são chamados a vivência a continência, essa provação gera respeito mutuo, aprendizagem da fidelidade e a esperança de se receberem um ao outro das mãos de Deus (CIC 2350).

Mas a vivência dessa virtude se expande e inclui também o matrimônio, com o cultivo da castidade conjugal, já que o Sacramento do Matrimonio faz o homem e a mulher entrarem na vivência da fidelidade de Cristo e sua Igreja, se tornam assim testemunhas desse mistério perante o mundo. A castidade conjugal permite, com uma relação sadia entre homem e mulher a geração de vida e a vivência da fidelidade que é a “constacia na palavra dada”. O casal que é fiel a palavra dada, imita Deus que é fiel (CIC 2365).

A Castidade também é um Dom, uma Graça. Para esclarecimento, Virtude é o esforço na prática do bem e o Dom é infundido pelo Espirito Santo. Todo batizado é chamado a Castidade pois o Espirito Santo concede para todo aquele que é regenerado na agua do Batismo o dom de imitar a pureza de Cristo. No memomento do Batismo nos comprometemos a viver a afetividade na Castidade, a levar uma vida casta dentro do estado de vida (CIC 2345, 2348, 2355).

O auto dominio é uma forma de exercer a castidade, já que aprimorando-o temos maior capacidade de doação. Portanto a castidade leva à caridade, forma máxima de toda virtude, fazendo de quem a pratica sinal da fidelidade divina (CIC 2346). Esse auto dominio pela vivência da castidade como virtude e graça, é chamamento para heterossexuais e homossexuais, "pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” (CIC 2359) Mais sobre o tema Castidade aqui e aqui.


"De todas as virtudes é que nos torna semelhantes aos anjos."
(São João Maria Vianney)

"Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? ...

Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?

Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo."

I Cor, 6, 15-20

"É o mais belo adorno da Igreja e deveria ser a mais querida dos cristãos."
(São João Maria Vianney)

"É a vida do espírito"
(Santo Éfrem)

"A rainha das virtudes"
(São Pedro Damião)
"Por meio dela se alcançam os triunfos mais esplêndidos" (São Cipriano)

Resultados


Foi aplicado questionário dissertativo online para homens e mulheres em anonimato, totalizando 100 individuos. 

Para facilitar a triagem, as respostas à pergunta O que é Castidade para você? foram separadas em grupos:

Amadurecimento e Auto dominio: as respostas possuem a palavra amadurecimento espiritual, tempo que visa amadurecimento, esperar, auto dominio e auto conhecimento (antes e depois do casamento).

Não ter relação sexual: as respostas possuem “não fazer sexo até o casamento”, “não ter relação sexual”.

Preservar o corpo: as respostas possuemvalorizar o corpo”, “somos Templo de Deus”, “morada do Senhor”, “guardar-se”, “respeitar a si mesmo e o próximo”.

Outros termos também foram ditos, em menor número: “estilo de vida”, “ser inteiro de Deus”, “castidade é decisão”, “ um castigo”, “Deus quis”, “Preceito de Deus”, “tudo em relação ao sexto mandamento”.



Conclusão


Pelas definições do Catecismo e da Tradição da Igreja Católica Apostolica Romana podemos notar que a virtude da castidade possui formas de vivência gradual. A continência, deve ser vivênciada no noivado. O namoro deve ser o aprofundamento no conhecimento pela amizade, território que faz florescer a castidade. Mas a continência, não ter relação sexual, é uma parte da prática da castidade. Como uma virtude se expande para o matrimônio, numa castidade conjugal que demonstra a fidelidade de Deus espelhada na fidelidade do casal. Além disso, é uma virtude que leva ao exercicio da caridade, pois pelo auto dominio de si mesmo é possivel doar-se e tornar possivel amar o próximo, chegando assim a perfeição da vida cristã. Para essa vida todos somos chamados, pois o batismo planta em nós a castidade como dom do Espirito Santo que nos dá toda a condição de imitar a pureza de Cristo. Pois, os puros verão a Deus.

Através desse questionário percebemos que a maior parte dos questionados percebem a Castidade como forma de amor, a Deus e ao próximo, ou seja, como Caridade. Sendo esta visão vivênciada no respeito pelo próprio corpo e pelo corpo do próximo que é Templo e Morada do Senhor.