Episódios 08 e 09: Moda e Feminismo (Partes 01 e 02)





(NOVIDADE! Abaixo dos links coloquei um texto-resumo, a pedido de alguns ouvintes. Que este texto funcione como uma instigação para ouvir os dois episódios!)

Parte 01:

Parte 02:


>>Livros

A história da moda, João Braga
O segundo sexo,  Simone de Beauvoir
Antígona, peça de Sófocles
The Politically Incorrect Guide to Women, Sex And Feminism, Carrie L. Lukas
The Flipside of Feminism: What Conservative Women Know - and Men Can't Say, Suzanne Venker e Phyllis Schlafly
Who Stole Feminism?, de Cristina Hoff. Sommers
Political Philosophies of Women’s Liberation, de Alison Jagger
A agenda de gênero, Dale O´Leary
A origem da família, da propriedade privada  e do Estado, de F. Engels
The Dialectic of Sex, de Shulamith Firestone.
Women and Revolution, Christine Riddiough
Eros e Civilização, Herbert Marcuse

>> Links
National Bureau of Economic Research - THE PARADOX OF DECLINING FEMALE HAPPINESS (http://www.nber.org/papers/w14969.pdf)

>> Videos

>> Sugestões de livros, reportagens e vídeos sobre o Anti-Feminismo (VLogoteca):
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=664338740300026&set=a.618950011505566.1073741828.618190444914856&type=1&stream_ref=10

>> Episódio sobre Marxismo Cultural e a Dignidade da Mulher:

>> Texto resumo

Antes de ser apresentada a relação moda-feminismo, recordemos brevemente o que é o feminismo. Feminismo é um movimento político, social e filosófico não-monolítico e que tem, como reivindicação principal, a igualdade entre homens e mulheres. Para fins históricos, é dividido em três ondas:
- A primeira onda ocorreu entre o final do século XIX e começo do século XX e teve como foco uma oposição ao machismo (aqui entendido como “supremacia masculina”), gestado na sociedade burguesa que se formou após a queda da Moral Católica da Idade Média. A maioria destas primeiras feministas buscava o direito ao voto e o direito de não serem objetos do marido.
- A segunda onda ocorreu entre os anos 60 e 70 e, em meio a movimentos sociais e revolução sexual, lutava por liberdade sexual (aqui podemos chamar de “libertinagem”), tinham ódio a família tradicional, ao patriarcado e à religião cristã. É uma onda extremamente influenciada pelo marxismo cultural e pela ideias de Marcuse.
- A terceira onda veio por volta da década de 80 e se estende aos dias de hoje, segundo uma parte dos estudiosos. Buscava preencher as lacunas das duas primeiras ondas, além de reafirmar alguns “dogmas”.
Importante salientar que todas as ondas têm como matriz uma ideia originalmente socialista: o igualitarismo.

Já a moda, ao longo dos séculos, reflete a cultura e a História de uma sociedade. Por ser peculiar do sexo feminino uma preocupação com a aparência, a moda é sempre atrativa para as mulheres.

Os movimentos feministas, desde a primeira onda, influenciaram a moda buscando igualdade também no modo de vestir. Desde a década de 10 e 20, as roupas ganharam aspecto mais tubular, os cortes de cabelo ficaram curtos, como o dos homens, e os comprimentos das peças encurtaram-se. A calça no guarda roupa feminino começava a aparecer. Na década de 60 e 70, calças, camisas, gravatas, blazers e camisetas – antes elementos exclusivamente masculinos – passaram a fazer parte definitivamente do vestuário feminino. Nesta época, influenciada pelo feminismo e em apoio à liberdade sexual, Mary Quant, estilista britânica, cria a mini-saia.

"Good pornography is erotic but pleasing. Only ugliness is obscene.” (Pornografia é erótica, mas agradável. Só a feiura é obscena. – tradução literal) – Mary Quant, criadora da mini saia
"But I love vulgarity. Good taste is death, vulgarity is life” (Mas eu adoro a vulgaridade. Bom gosto é morte, vulgaridade é vida – tradução literal) - Mary Quant, criadora da mini saia
O que antes era apoiado pela maioria das feministas da época como algo “libertador” e que rompia com as roupas tradicionais da sociedade de outrora, passou a ser enxergado por alguns grupos como exploração do corpo feminino. Alguns grupos feministas perceberam que a mini-saia mais transformava a mulher em objeto do que a libertava. Este é um dos mais fortes motivos que explicam porque esta peça caiu em desuso na década de 70. A mini saia só volta a aparecer na década de 80/90, com o advento do movimento punk. Confeccionada de couro ou jeans – tecidos estruturados e que passam a imagem de dureza – foram símbolo de um movimento que queria romper com o que até então existia na moda e no ocidente. A partir daí, e também por influência da terceira onda feminista, a mini saia e as modas mais sensuais foram ganhando cada vez mais espaço nos desfiles e criações de marcas ao redor do mundo. O fundo apelativo é o mesmo: exaltação da “liberdade” sexual por meio das roupas.

No fundo, como diria Aline Brodbeck, o feminismo não deixa de ser uma forma sutil de machismo. Porque o homem é o parâmetro. E se o homem é o parâmetro, é machismo.

Se vestir com dignidade é um modo de ir contra o que o feminismo já construiu em sua relação com a moda.

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