A “Moral” do IPEA - Por Letícia Barbano



[texto originalmente escrito para um jornal, mas que não veio a ser publicado]



A pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”, divulgada pelo IPEA no dia 27 de Março, gerou grande repercussão na midia devido aos seus resultados, geralmente taxados como “machistas” e “retrógrados”. Alguns pontos merecem destaque, entre eles a metodologia, que se mostrou falha, e os resultados, que manifestaram nuances do desgaste moral que vive a população hoje.


Apesar de já ter-se revelado uma falha na exposição dos resultados (26% dos brasileiros, e não 65%, concordam total ou parcialmente com a afirmação de que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”), as perguntas mostraram que deveriam ter maior e melhor delineamento. Na afirmação supracitada, por exemplo, o que um brasileiro entende por “atacada”? Esta palavra pode ter diferentes conotações, dependendo a cidade que o individuo mora. Para uns, “atacada” pode significar “seduzida”, no sentido de ser conquistada por um homem em uma balada. Para outros, “atacada” realmente pode denotar “estuprada”. Ou seja, as perguntas não tiveram boa formulação.

Outras afirmações, oriundas de aforismos (como “em briga de marido e mulher não se mete a colher”), ganham diferentes definições conforme a região que o entrevistado vive. O IPEA simplesmente colocou estas frases nas entrevistas e esqueceu-se que é um tanto complexo generalizar significados de determinadas palavras em um país tão multicultural como o nosso.

Todavia, apesar de muitos questionarem a validade dos dados, acreditemos que a pesquisa e nota técnica contenham estatísticas verdadeiras. Um dos resultados aponta que 70% dos estupros acontecem dentro lar, por parentes ou pessoas próximas. Outro mostra que 24% dos agressores de crianças são pais ou padrastos. Estes resultados chocantes faz-nos questionar: O que faz uma pessoa agir bem ou agir mal? Ser virtuosa ou ser desonrosa? O que faz um ser humano violentar sexualmente o próprio filho(a) ou enteado(a)? Além de fatores patológicos – especialistas afirmam que estupradores são criminosos que podem (e não necessariamente têm) doenças mentais – há outro fator importantíssimo e que atinge a todos: a moral.

Nossa moral guia nossas ações. Se uma sociedade está sem parâmetros morais, como cobrar que esta aja corretamente? Como dizer para uma pessoa: “O que você fez é errado”, sendo que vivemos em uma época em que se diz não existir certo nem errado? A moral é o conjunto de valores e virtudes que orientam o comportamento de um individuo dentro de uma sociedade. Se a moral falha, a sociedade como um todo sofre as consequências. Os resultados desta pesquisa confirmam este raciocínio.

O fato é que os dois textos divulgados pelo IPEA nos fazem refletir sobre dois pontos: 1) NENHUMA mulher merece ser estuprada – todas, seja uma freira ou uma stripper, merecem respeito (e respeito, aqui, é um valor que vem da Moral!); 2) Como já foi afirmado, a maioria dos estupros acontece dentro de casa e é resultado de uma cultura descristianizada e, consequentemente, desmoralizada, além do fator patológico que pode ter o estuprador. Porém, pensando nos 30% de estupros que acontecem fora do lar, devemos nos lembrar que não vivemos em um mundo em que todos os homens são bons e cavalheiros. Um estuprador é um CRIMINOSO que vê uma mulher como objeto de prazer, e não como uma alma. Usar roupas indecentes pode estimular esta pessoa a ter seu desvio psicológico aflorado, afinal, já provou uma pesquisa da Universidade de Princeton (EUA), homens são mais propensos a olhar uma mulher como objeto quando estas estão vestidas com partes erógenas do corpo à mostra. A culpa nunca é da mulher, mas vestir-se decentemente valoriza sua própria dignidade e ajuda um homem a olha-la como alma.

No fundo, a raiz de todos os problemas na sociedade é a falta de uma Moral Tradicional e Norteadora. Precisamos resgatar a moral das famílias patriarcais do respeito à sabedoria dos mais velhos, respeito às mulheres e oração em família. Caso contrário, tenderemos ao caos. Mais do que já estamos.

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