IPEA, Machismo e Patriarcalismo - Por Letícia Barbano

Família Patriarcal
Família Nuclear

[texto originalmente escrito para um jornal, mas que não veio a ser publicado]

O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicou no dia 27 de Março uma pesquisa e uma nota técnica referentes à questão do estupro no Brasil. A Nota Tecnica (“Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde”) inicia apontando o patriarcalismo e o machismo como a raiz dos problemas de nossa sociedade. Será mesmo?

Analisemos, primordialmente, o que é o patriarcalismo e o que é o machismo:

Uma família patriarcal era um modelo popular nas épocas pré-revolução industrial. Era composta pelo
patriarca (geralmente o avô), seus filhos, noras, genros e netos, todos morando em uma mesma mansão e vivendo do cuidado com o campo. Uma estirpe tão sólida como este tipo era quase impossível de se desmantelar, pois a união dos membros e o fortalecimento moral (geralmente estas famílias se reuniam diariamente para rezar) revigoravam-os diariamente. A família nuclear (pai, mãe, filhos) é um subproduto da revolução industrial e da revolução francesa, e surgiu como fragmento da família patriarcal. Em uma família patriarcal, os papeis sexuais costumavam ser bem divididos, bem como um grande respeito pelos mais velhos e pelas mulheres. Na família nuclear foi muito mais fácil penetrar valores marxistas culturais e destruí-la por dentro, pois esta era
fragmentada, frágil, solta na modernidade e suscetível às mudanças sociais. Estando agora a família desmembrada de seus outros parentes, torna-se muito mais fácil perder costumes, religião e cultura, além de abrir caminhos para uma desestruturação que afetará drasticamente os filhos caso o pai ou a mãe – ou os dois – sejam vítimas de alguma fatalidade.

Já o machismo surge na sociedade burguesa gestada após o fim da Idade Média e é um resultado da decadência da Moral Tradicional. Significa que o homem é maior e melhor que a mulher em todos os âmbitos, por isso pode mandar e desmandar nela como bem entender. O machismo não deixa de ser uma afronta à Moral Cristã e à igualdade em dignidade instituída pela Igreja no período medieval.

Podia existir machismo nas famílias patriarcais, porém era mais difícil tal ideologia penetrar neste modelo devido à Moral cultivada por essas famílias. Foi muito mais fácil o machismo penetrar nas famílias nucleares, cujo relativismo moral (isto é, não existir nem certo nem errado) é o guia de suas condutas.

Então, quando esquerdistas e feministas afirmam que a familia patriarcal e machista é um grande problema para a sociedade hoje, eles estão no mínimo desinformados. Primeiro porque é raríssimo no mundo – e principalmente no Brasil – uma família ainda em molde patriarcal. Segundo porque família patriarcal e machismo não costumam combinar-se, como já explicado.

Quando não são agredidos o “patriarcalismo” ou o “machismo” – este último merece realmente ser atacado – esquerdistas criticam a noção natural de família, monogâmica, heterossexual, já recriminada por Engels e Marx no livro “A origem da familia, da propriedade privado e do Estado”. A estratégia lançada na Escola de Frankfurt, e cuja semente estava no livro de Engels, é destruir a família para então destruir a propriedade privada e, a partir daí, advir um Estado Comunista.

Quem lê integralmente a pesquisa e nota técnica do IPEA nota com facilidade as nuances e vieses de esquerda nestes documentos. A maioria das pessoas que culpa o machismo e patriarcalismo pelos problemas da sociedade não tem a mínima noção dos conceitos que envolvem estas palavras. O conhecimento e a propagação deste é a maneira mais viável, por enquanto, de informar a população dos reais objetivos da esquerda e as distorções que esta faz para chegar aos seus objetivos.

Veja também: A "Moral" do IPEA

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2 comentários

  1. Falando em machistas, conhece a trupe da "Real"?

    Comentário: "Excelente contribuição e excelente comentário confrade, mas que mais me chama a atenção nesse artigo e o espantalho do machismo a qual a autora cria e joga sobre eles todo o tipo de barbaridade mas como sempre, nunca da detalhes de como esse monstro foi criado. Como se uma coisa desse tamanho que tanto mal fez e faz segundo as femimiministas falam, pudesse ter surgido espontaneamente como um peido, nunca se vê femimiminista citando um autor, um ideólogo, a estrategia nada, sempre apelam para esse espantalho do machismo como algo surgido do além como uma conspiração silenciosa, isso já e mais do que suficiente para provar a ma fé das femimiministas bem como sua estupidez.

    Diante desse delírio das femimiminazi, vejo que a simples pergunta sobre o que e o machismo, seus autores, ideólogos e estrategistas e como se desenvolveu historicamente as deixara quietas e sem saber o que falar sem nada a responder e desmoralizadas. E para as conservadias nada como as embaraçosas perguntas a cerca do divorcio, castidade e submissão ao marido afinal se elas se dizem cristas e conservadoras não podem ignorar o fato que a igreja cobra isso das mulheres."

    mundorealista.com/forum/viewtopic.php?f=14&t=19012

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    1. Estes caras não entenderam nada do que escrevi. O pensamento deles mais se aproxima ao dos islâmicos do que ao dos católicos autênticos.
      Sobre a submissão da mulher, recomendo a entrevista que fiz com a Luciana:
      http://modestiaepudor.blogspot.com.br/2014/04/episodio-11-submissao-da-mulher.html

      Obrigada, Mary, pelo comentário

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