Entregar os pontos





Estamos presenciando, no mundo pós-moderno de hoje, estatísticas cada vez mais crescentes de jovens tirando a própria vida. Um acontecimento recente deste tipo, ocorrido em meu círculo social, me fez questionar o que está levando tantas pessoas a perderem o sentido de viver.

Que vivemos em um caos, isto já sentimos e sabemos. Temos muitas regras e leis – “não pode fumar”, “não pode roubar”, “não pode”, “não pode”, não pode” - ao mesmo tempo que ouvimos que não há moral e nem existe o certo e o errado. Isto, por si só, já é causa de deixar as pessoas psicóticas.

Porém, não bastando o paradoxo “muitas regras x nenhuma moral”, temos ainda a cultura hedonista de nunca sentir dor, mas apenas bem estar. Fomos imersos por uma mentalidade de tomar remédios, usar fórmulas, fazer terapias, mas nunca – nunca! – mostrar que estamos mal nem que sentimos dor. Desconsiderando que a dor é um indicativo do corpo que algo não está bem, camuflamos nossos sinais internos com fármacos dos mais diversos.

Nem todos os dias de nossas vidas são bons e felizes, mas somos obrigados a vestir um verniz orgulhoso de que tudo está na mais perfeita harmonia e não precisamos de nada nem de ninguém para nos sentirmos bem.

Materialista, o mundo esgota todas as possibilidades de felicidade material, e mesmo assim ainda há vazio. Você pode ter o carro do ano, a casa mais bonita e a família mais legal, e ainda assim lhe falta algo.

Parece que está tudo bem, mas não está. Não há como sobreviver no mundo sem uma moral norteando suas ações. Não há como suportar os dias ruins, as dores e os problemas que todo ser humano (que realmente é humano) tem sem um apoio espiritual. Não há como preencher lacunas na alma com maços de dinheiro ou bens temporais.

O fato é que todo mundo, alguma vez na vida, já pensou em entregar os pontos, incluindo a mim. Curei-me disso com Eucaristia e terço diários. Gostaria que todos os jovens do mundo que pensam em desistir também encontrassem um sentido maior para suas vidas, mas, infelizmente, somos nós que sufocamos o apelo oculto de nossas almas para falar abertamente o que falta no mundo: Deus.

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