A morte e o luto



Desde criança fui ensinada pela minha família que sexta-feira da Paixão é um dia que devemos guardar luto. A verdade é que sempre senti uma tristeza grande nesta data. Parece que o céu não tem a mesma cor nem os pássaros cantam com a mesma afinação. O que tenho notado, todavia, e com grande frequência, são as pessoas cada vez mais secularizadas vivendo este dia como um feriado.
O Jejum e a Abstinência, pedidos pela Igreja como um pequeno tributo a Cristo por ter pago o preço de nossa salvação, é substituído por fartas refeições, muitas vezes em restaurantes, muitas vezes celebradas com festa.

Se a pessoa que você mais ama neste mundo morresse hoje, você festejaria? Você daria risadas, contaria piadas, ouviria músicas alegres, comeria e beberia com fartura?

É como se a pessoa que mais amamos morresse hoje que devemos nos comportar nesta sexta feira.
Pedro dizia que iria com Cristo até a morte, e o negou três vezes. O mesmo povo que festejou Jesus com ramos no domingo foi o que o crucificou na sexta-feira.

Não seria este dia o ideal para lembrarmos de nossas misérias e de quantas vezes traímos e crucificamos a Cristo?

Não seria este dia o ideal para meditar como podemos honrar o sangue que Ele derramou por nós, refletindo como podemos nos tornar pessoas melhores?

"Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura."
- Isaías 52, 3-5

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