O cristianismo laico europeu e o futuro catolicismo brasileiro





Há exatos nove meses moro na Espanha e desde o começo fiquei impressionada com o que eu chamaria de “cristianismo laico europeu”. A cultura espanhola é extremamente católica: o dia dos pais é comemorado no dia de São José; a Semana Santa é considerado feriado nacional; as crianças recebem presente não no Natal, mas no Dia dos Reis Magos. Tudo isso, porém, não passa de um verniz absorvido pela população como tradição ou folclore. O que se nota neste país outrora de Santa Teresa, São João da Cruz e São Pedro Alcântara são pessoas gnósticas andando deslocadas pelas ruas.

Na paróquia que frequento, e também nas outras igrejas da cidade que moro, dificilmente se encontra algum jovem ou alguma família em meio a um emaranhado de cabelos brancos. As Igrejas são meio-cheias, e a metade que a preenche são de idosos.

Vivia com mais dezessete meninas espanholas, de diversas partes do país, em uma residência universitária. O que mais causava estranhamento nelas era o fato de eu ser católica e ir à missa todos os dias. Se eu fosse uma vez por semana, como pede o mandamento, eu já serei vista como esquisita, isto porque aqui nenhum jovem segue uma religião. Nem budismo, nem espiritismo, nem protestantismo e muito menos catolicismo: os jovens e os adultos simplesmente não têm religião.

Os valores cristãos foram substituídos por um relativismo vulgar. Certa vez, em uma discussão sobre aborto, mesmo diante da apresentação do argumento de que professores, biólogos, embriologistas, e outros diversos estudiosos afirmam que a vida começa na concepção – e diversos livros publicados atestam isso – as universitárias afirmaram: “Não concordo”. Como se pode discordar de um fato? Pois o maior argumento que me apresentaram foi “Não concordo, esta é minha opinião”.

O que ainda mantém a Espanha em pé são os Santuários de Adoração Perpétua, espalhados por diversas cidades do país, e o Opus Dei, que com suas famílias numerosas e seu carisma de evangelizar pelo e no cotidiano, conservam e sustentam resquícios cristãos em uma época quase totalmente secularizada.

O Brasil, graças a Deus ainda católico e com traços ortodoxos em muitas partes do país, tende a trilhar o caminho da Europa se não passarmos por uma séria reforma em seminários, organismos e setores que desviam a religião da reta doutrina.

Já me disseram aqui que os espanhóis deixaram o catolicismo porque viram muita corrupção na Igreja. Eu diria que eles deixaram porque não estavam realmente envolvidos com o Verdadeiro Amor de Deus. Se nossos padres brasileiros continuarem preferindo ter o carro do ano, bajulando ricos, arrecadando dinheiro mais do que o necessário para a paróquia e se preocupando mais com o que os fiéis pensarão deles do que com o que Deus pensará deles, então o futuro do catolicismo no Brasil será muito parecido com o da Europa.

Rezemos pelo futuro do mundo.

À propósito: Maioria dos espanhóis considera-se católico só de nome

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