A dignidade da Mulher

  • 10:29
  • By Modéstia e Pudor - Colaborador
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 Por Marcela Kamiroski

Transcrição adaptada do áudio gravado por Marcela Kamiroski especialmente para o Modéstia e Pudor

Todas as semanas estudamos uma Carta Apostólica aqui na comunidade. Essa semana é a Mulieris Dignitatem, do Papa João Paulo II, e eu gostaria de partilhar com vocês o meu estudo.


Como encontrar a dignidade da mulher?

Hoje muito se fala dela, muitos querem propor uma dignidade à mulher, mas como é, de fato, essa dignidade, construída? Onde eu encontro essa dignidade?

No lugar onde mais eu encontro a dignidade da mulher é precisamente na própria Igreja e no Evangelho. Não é à toa que Jesus sempre conversava com as mulheres, trazia elas para o reduto social - como é a questão da samaritana, da mulher adúltera – Ele sempre elevava o padrão do “ser feminino”.

A Igreja, na época da Idade Média, incluiu as mulheres no reduto familiar - antes as mulheres eram meros objetos dos homens, como era na Grécia, no Império Romano – e também tem destaque Nossa Senhora, uma devoção própria do Cristianismo e do Catolicismo, portanto mais um sinal da valorização feminina neste período. Sem contar as posteriormente denominadas "Santas Doutoras da Igreja", como Santa Terezinha, Santa Catarina de Sena - que foi uma mulher que aconselhou o Papa numa época onde houve o Cisma do Ocidente. Também Santa Tereza D’Ávila, que reformou e revolucionou toda a questão dos mosteiros. Então, as mulheres sempre tiveram um caráter muito atuante, muito firme, muito forte dentro da história da Igreja. E tem uma frase de Pio XI que ele diz: "Se a mulher desce daquele trono real a que dentro do lar doméstico foi elevada pelo Evangelho, depressa cairá na antiga escravidão, tornando-se, como no paganismo, simples instrumento do homem" [1].

Mas, diante disso, será que nós, mulheres, estamos dispostas a querer e a assumir essa dignidade? 

A dignidade da mulher não tem apenas um caráter subjetivo do nosso ser pessoal, mas um caráter objetivo, pois a mulher representa todo o arquétipo de ser humano. Quando se desvaloriza a mulher, também desvaloriza-se o homem, porque o termômetro da família e da sociedade está intrinsecamente ligado à qualidade das mulheres, há uma irradiação desse calor e eleva até mesmo a dignidade de toda uma sociedade. Por isso que hoje, por exemplo, nós vemos que um dos maiores problemas acerca da desvalorização da mulher é principalmente trazido pelas novelas: que as mulheres hoje podem realmente destruir suas famílias; que a felicidade da mulher é ficar com um rapaz jovem, podendo ela abandonar tudo. Esses ideais são inseridos na mídia.
Há um problema nessa questão: querem tirar da mulher sua própria dignidade que consiste exatamente na sua maternidade e na sua esponsabilidade.


O primeiro problema que vemos é o fechamento à vida. As mulheres, muitas vezes, pensam mais em si – nas suas carreiras, nas suas viagens, no seu prazer, na emancipação econômica – desprezando toda a família e do cuidado ao próximo. A mulher é a rocha da família, então se você tira a mulher do caráter familiar você destrói completamente a família. Por isso que as propostas de felicidade hoje são colocadas muito no âmbito da mulher “que sempre foi escravizada”, que “não teve nada de útil e que agora quer ser feliz, então destrói a sua família”. É isso que é colocado para nós, esses argumentos. Mas a maternidade não é apenas uma construção bio-fisiológica, mas a constituição da estrutura do seu “ser mulher” e da dimensão pessoal no dom. Não somente no caráter físico – por exemplo, sou celibatária e não serei mãe física – mas na questão do doar, do cuidar do próximo. Esse é o caráter do valor da mulher como mãe.
O pecado é a negação daquilo que é a criação. Então, se eu me nego a ser mãe, eu nego a própria humanidade, pois a humanidade é chamada à comunhão interpessoal, ao relacionamento como um todo, e a força moral e espiritual da mulher consiste na consciência de que Deus lhe confia o Ser Humano, então é preciso ter consciência dessa vocação.
Abrir-se ao cuidar, gerar a vida - seja na alegria, no sorriso. Ser promotor da vida não somente sendo contra a morte, mas promovendo a vida.

O segundo problema é a desvalorização da sacralidade. A virgindade não tem um caráter apenas estrito na questão sexual, mas é um reconhecimento do seu sacrário como um território dignificante. A dignidade corresponde na união definitiva com Deus, tanto do homem quanto da mulher. Nosso casamento é o Céu. Elevar a natureza à divindade do céu permite que ela seja aperfeiçoada e plenificada no ser feminino, mas não dispensa nem anula a sua própria natureza. Por isso, na própria natureza é necessário exercer essa dignidade, seja no seu falar, no seu portar, no vestir, na sensibilização para a humanização de todo ser humano.

O terceiro problema é a questão da autossuficiência, fruto do feminismo radical. O pecado é a ruptura originária, não se pode, em nome da desordem inicial do domínio masculino, ir contra a própria originalidade feminina colocando a mulher numa masculinização. É necessário aceitar, precisar, receber amor, que também é uma forma de doar. No mundo de marginalização, devido ao endeusamento dos bens materiais, cabe às mulheres também desfazer as cadeias da escravidão pelos laços da comunhão.

O que nós temos hoje? As mulheres hoje têm um alcance jamais encontrado. Nós nunca podemos desvalorizar o poder de nosso testemunho, no poder daquilo que nós simplesmente somos: no nosso SER MULHER, independente de todos os outros títulos.
Deus escolheu a mulher nesse tempo, nessa realidade, e espera de nós revertermos os desafios dessa nossa época. A nossa maior referência é Nossa Senhora, que tem as dimensões da dignidade: virgem e mãe. Ou seja, aquela que sabe o valor de si e a sua doação.

Se Deus especificou os sexos é porque há características fundamentais do “ser homem” e do “ser mulher”. Então, sejamos essas discípulas fortes e guerreiras a fim de construir um mundo novo onde não se perca os valores e que nasça a vida pelo nosso profundo “sim” de cada dia. Servir é reinar e a vida é um dom que se faz para o outro.
Nossa Senhora, Rainha do Céu e da Terra, rogai por nós.


Notas

1.Pio XI, "Casti connubii"


Versão áudio:



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