A mulher sacerdotal - Projeto "Livro Aberto"

  • 08:47
  • By Modéstia e Pudor - Colaborador
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Finalizando o mês das vocações e dando partida ao nosso projeto “Livro Aberto”, viemos com partes retiradas do livro A mulher sacerdotal de Jo Croissant*.

O livro fala sobre a vocação da mulher em todos os seus estados de vida, e mostra a dignidade dela, muitas vezes destruída pelo feminismo radical e pela visão “moderna” da mulher na sociedade.

 Jo Croissant inicia abordando como o feminismo tem denegrido a imagem e usurpado a vocação e a feminilidade próprias da natureza da mulher.

“Crendo dever desvencilhar-se da dominação do homem, ela assume estilos masculinos, em detrimento de sua própria feminilidade, abdicando de sua natureza profunda. Reencontra-se assim mais só e vulnerável, em situações inextricáveis que a mergulham numa grande angústia.” (p. 10)

“Entendendo a liberação como a eliminação de tudo o que impede de expandir e realizar desejos, a mulher distancia-se de quantos possam entravar sua liberdade. Porém, quando chega o sofrimento, ela se reencontra sozinha e desamparada. Infelizmente, ainda é a mulher quem paga os custos de sua própria liberação, dela recolhe os frutos, e se encontra em situações de aflição profunda que deve assumir completamente só, já que se liberou de toda dominação, mas também de toda proteção.” (p. 11)

“Neste período de mutação profunda da humanidade, a mulher tem um papel preponderante, não para esmagar o homem, mas, ao contrário, para elevá-lo, para ajudá-lo a tornar-se um homem novo, a fim de elevar toda a humanidade.” (p. 11)

Com o feminismo, “[...] desvalorizou-se a maternidade, assim como a virgindade, terminando por desvalorizar-se a mulher, ela mesma” (p. 14)


Cheguei ao livro através deste vídeo, por indicação da querida Marcela Kamiroski.



“Somente quem se libertou do olhar do outro e se conserva resolutamente sob o olhar de Deus é verdadeiramente livre; do mesmo modo, a mulher não pode ser liberada e ter um relacionamento fecundo com o homem, a não ser que ela se distancie com relação a seu olhar e se situe sob o olhar do Pai.
[...]
Nossa relação com Deus-Pai é fundadora de nossa verdadeira personalidade.
Entretanto, nossa geração se insurgiu de tal maneira contra a sociedade patriarcal e o autoritarismo dos pais, que cumpriu o que Freud chamou ‘o assassínio do Pai’, que foi também o assassínio de Deus. Rejeitando o paternalismo, a mulher privou-se da paternidade, que tem o poder de fazê-la tornar-se adulta, permanecendo assim uma eterna adolescente.” (p. 26)

“Pelo batismo nos tornamos filhos de Deus, passamos da paternidade da carne à paternidade de Deus, da dependência dos homens à dependência de Deus. Mas o batismo não é um ato mágico ou uma formalidade a preencher para entrar na família. É preciso uma vida para vive-lo plenamente, para receber a totalidade da herança de filhos e filhas de Deus.” (p. 30)

“O desejo de ser amado é o móvel secreto e inconsciente de todos os nossos atos.
Não é por acaso que o segundo mandamento nos pede para amar ao próximo como a nós mesmos, pois temos grande dificuldade de nos amar tais como somos. Não podemos acolher o outro a não ser que nos aceitemos, que acolhamos o olhar de Deus sobre nós e recebamos seu amor.” (p. 34)

“É preciso simplesmente estar sob o olhar de Deus, colocar-nos sob o olhar do Pai, submeter-nos.
Pois o Pai nos ama.
Ele não desanima com nossas quedas.
Ele não nos classifica com etiquetas.
Ele nos conhece assim como somos, e crê em nós, espera em nós.
Sob seu olhar encontramos nossa dignidade de homens e de mulheres, descobrimos quem somos e a que somos chamados.
Seu olhar nos liberta da ditadura do espírito do mundo, sabiamente orquestrada pela mídia que aprisiona as consciências e culpabiliza aqueles que ousam discordar de suas opiniões.
O olhar de Deus é esperança.
Não nos congela em nossos limites, mas abre-nos para todas as possibilidades.
Somente ele nos liberta dos outros olhares, das expectativas dos outros com relação a nós. Deus não tem nenhuma ilusão sobre nós, e nos sabe capazes do pior, mas sua confiança nos leva a crer que somos criados para o melhor” (p. 36)

“Não é a auto-análise que nos fará compreender mecanismos interiores. Há toda uma ascese para desviar o olhar de si mesmo, para se expor ao olhar de Deus e descobrir quem somos. Sendo a tendência natural a de se voltar-se para si, é preciso voltar-nos para Deus, deixar-nos olhar por ele. Quem se esquece, se encontra. O olhar de Deus nos cura. Somente ele pode penetrar em nossa intimidade sem nos magoar. Desnudar nossa pobreza sem nos desesperar. É seu amor que nos salva.” (p. 38)

“A idéia que Deus tem de nossa própria vocação ultrapassa infinitamente a idéia que dela fazemos. Temos uma visão tacanha de nós mesmos, pouco sabemos do que podemos dar ou não dar. Deus vê muito mais longe e quer fazer muito mais.
É preciso que creiamos nisso. É nossa falta de fé que paralisa o braço de Deus” (p. 39)

“Felizmente, Deus não atende todas as nossas orações! Não satisfaz nossos caprichos, não realiza nossas vontades. Ele nos educa como um Pai que sabe aliar ternura e exigência. Quando porém nosso desejo é fazer verdadeiramente sua vontade, temos a segurança de que ele não recusa quanto lhe pedimos.” (p. 42)

“Não adianta nada pedir alguma coisa se não se tem a certeza de ser ouvido. Muitas vezes os caminhos de Deus são desconcertantes, pois ele deve começar por despojar-nos, para que estejamos aptos a receber o que pedimos. Nossa taça é imunda, atravancada de vaidades, e o Senhor é obrigado a limpá-la antes de enchê-la. Somos então derrotados: acontece-nos o contrário do que tínhamos pedido, recaímos no mesmo defeito, ressurge a mesma mágoa, quando nós lhe havíamos pedido a cura. Então, duvidamos e o abandonamos, enquanto esta seria precisamente a hora do combate da fé, a hora em que é preciso crer, mesmo quando nada se vê. A semente germina e cresce e um dia veremos o rebento sair da terra e tornar-se uma grande árvore.” (p. 43)

“Se somos fiéis nas pequenas coisas, o Senhor nos confiará as grandes.
Não há pequenas coisas. Há Deus que se comunica por inteiro no instante presente. Se somos fiéis em encontra-lo em tudo quanto nos é dado viver, nas coisas grandes como na monotonia do sacrifício, então ele poderá crescer em nós.” (p. 44)

“A mulher, como o homem, se quiser reconciliar-se consigo mesma, deve reencontrar sua filiação, deve tomar consciência de que ela terá de viver de maneira diferente, num tipo de relação com o mundo e com Deus diferente do homem, já que Deus a quis mulher, atribuindo-lhe uma vocação própria, levada à perfeição em Maria, filha, esposa e mãe.” (p. 46)

“Psicologicamente, é o pai que ajuda o filho a se ultrapassar, a sair do casulo materno, onde ele busca sua segurança; é ele quem lhe dá a auto-confiança e a coragem de enfrentar os obstáculos e de entrar no mundo dos adultos. Se o pai falha em sua missão, seja deixando a criança sob proteção da mãe, seja esperando dela mais do que pode dar, colocando-a sem cessar em face à sua incapacidade, seu filho terá dificuldade em tornar-se homem, e sua filha ficará a ‘filhinha’ obediente ou revoltada, mas não se tornará uma mulher.
[...]
Se a filha não se torna livre, não está verdadeiramente pronta para tornar-se esposa. Não tendo se tornado um ser distinto do homem, não pode ser um verdadeiro ‘outro’. Arrisca-se a passar de filhinha obediente, que se conforma com o que se espera dela para agradar a seus pais, a mulher totalmente dependente do marido. Nesta situação, em que se transformará seu desejo insaciável de amar?” (p. 48)

“A vocação da mulher é realmente uma vocação magnífica. Ser esposa é antes de tudo amar. Desposar é sair de si mesma para se doar a outro. Só se pode doar o que se tem, o que se é, e se nosso ser não está acabado, realizado, habitado por esta presença de Deus que faz sua plenitude, ela permanece na atitude de receber e não de dar.” (p. 48)

“O sentido bíblico da união do homem e da mulher se traduz pela palavra ‘conhecer’. Conhecer é ‘nascer com’, receber juntos e um pelo outro o dom da vida. Conhecer é abrir o coração e a inteligência aos mistérios, é entrar na contemplação das obras de Deus.” (p. 51)

“A mulher, como o homem, tem o mesmo desejo de dominar, mas como não pode fazê-lo por força, sendo, por natureza, de compleição mais frágil, exerce um domínio mais insidioso. Pela astúcia, ela chega a seus fins, consciente e inconscientemente, e quando não usa sua energia para ser a ajuda que Deus quis para o homem, mas trabalha por sua própria conta, pode tornar-se destrutiva.” (p. 53)

“O amor não é sobretudo um sentimento, é um mandamento. Se é delicioso experimentar este sentimento amoroso, se este é o presente mais maravilhoso que Deus pode nos fazer, não é preciso sentir este frêmito em todo nosso ser, para amar. O amor tem seus cumes e seus vales.
‘Tu amarás’ (Mt 22,37)
Amar é uma decisão. A quem a toma, Deus dá a alegria. O amor é Deus, Deus é amor, e aquele que diz que ama Deus e não ama seu irmão, nem sua mulher, nem seu marido, é um mentiroso (cf 1Jo 4,20). Aquele que está no amor está em Deus. Todos os amantes fazem a experiência do divino, da presença de Deus. Devemos nos decidir a amar. Se não vibramos, cremos que não amamos. Quando amamos a Deus, nem por isso nosso coração bate forte, porém sabemos no mais profundo de nosso ser que nos demos a ele e o amamos.” (p. 57-58)

“A mulher, cuja vocação é a de manter perpetuamente a luz, é a alma da casa. Quando o homem chega, sente uma presença, uma vida. Se a mulher é incapaz de criar esse aconchego para o marido e seus filhos, ela impede a eclosão da vida e toda a sociedade se ressente disto. A mulher é o coração. [...]
A mulher deve amar sempre até que o amor apareça no coração do outro, eis sua vocação.” (p. 59)

“A mulher é seu próprio centro. No dom generoso e sem cálculo de todo o seu ser, ela pode magoar-se, pois lhe parece que seu amor não é acolhido como gostaria. O homem ausente, preocupado com coisas mais importantes, não percebe sua expectativa e quando se volta para ela, a mulher já se fechou em sua concha para proteger-se” (p. 81)

“A consagração não pode ser comparada ao simples fato de ficar celibatária, porque a virgindade não se limita ao ‘não’, mas comporta um ‘sim’ profundo: o dom de si para amar, de modo fértil total e sem reservas.
A mulher é ‘desposada’, seja no sacramento do matrimônio, seja espiritualmente, em esponsais com o Cristo. Num e noutro caso, o casamento significa ‘o dom desinteressado da pessoa’, da esposa e do esposo.” (p. 86)

“Não nos afastemos a cruz de nós. Unamo-nos imediatamente àquele que nos doou a vida. A adesão é o antídoto da revolta. O que nos faz sofrer é o tempo que demoramos para aceitar e abraçar a cruz. Se no momento em que a cruz aparece, nos ajoelhamos e abraçamos, recebemos imediatamente a graça.
[...]
Aprender a sofrer deveria ser uma das metas fundamentais da educação, para que nossos filhos jamais se encontrem desprevenidos ante a adversidade e vivam na alegria.
[...]
A atitude justa, a mais positiva, é a de acolher tranquilamente o que nos acontece, lembrando-nos sempre que somos filhos de Deus, que ele nos fez e que somos dele (Sl 95). Tudo o que nos toca também o atinge; ele nos ama tanto que fez tudo concorrer para nosso bem (cf. Rm 8,28). Esta atitude elimina muitos sofrimentos, já que a maior parte deles nasce de nosso egoísmo e vontade própria. Esta atitude nos torna aptos a abraçar a verdadeira cruz que nos salva, nos liberta de nós mesmos, permitindo-nos superar-nos e entregar-nos totalmente ao Cristo.” (p. 93-94)

“Dar sua vida é verter seu sangue. Quando se perdeu todo o sangue, perdeu-se a vida. Este dom do sangue para gerar está inscrito na natureza profunda da mulher. Muitas celibatárias ou religiosas suportam, dolorosamente, suas regras, como algo totalmente inútil, já que, fisicamente, não transmitirão a vida. A recusa da feminilidade em algumas mulheres acarreta o desaparecimento das regras. É preciso compreender que o dom do sangue é sinal efetivo de maternidade, pelo qual Deus convida a mulher ao dom total, cujo fruto pode ser a maternidade espiritual; o dom de seu sangue pode transformar-se numa oferenda em vista de uma fecundidade espiritual.” (p. 102)

“Algumas mulheres têm a alegria de ver frutificar sua oferta em seu marido e filhos, mas para outras os frutos são invisíveis. Assim acontece com as contemplativas, que renunciam às felicidades humanas para viverem o amor do Cristo; nesses esponsais, tornam-se mães da Igreja, dando à luz filhos e filhas cujos rostos jamais verão. Quanto maior a renúncia, maior a fecundidade até a maternidade universal. Os santos aí estão para atestar isso, já que somos gerados espiritualmente por eles e sustentados por seu exemplo.” (p. 116)

“O homem engaja seu corpo na luta e deve, por vezes, derramar sangue para salvar os seus. Sua ação é visível e atrai elogios. A mulher participa, com intensidade, mas de modo escondido; não se fala dela e, entretanto, ela está sempre no centro das ações dos homens. É pela oferta de seu coração, até o dilaceramento, até o trespasse, que ela se torna ‘a mulher sacerdotal’, a que ao mesmo tempo oferece os sofrimentos do mundo, aqueles que esquecemos, os sofrimentos dos pequeninos, dos desprovidos, dos mal amados. Nessa oferta, descobre e transmite alegria.” (p. 153)

Para entender sobre este projeto e participar conosco, acesse este link.




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3 comentários

  1. Olá, eu gostaria muito de ler esse livro, mas não encontrei em lugar algum pra compra-lo. Teria como vocês disponibilizarem por PDF? Desde já, obrigada!

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    1. Oi, Jéssica! Tudo bem? Infelizmente não temos em PDF :/
      Sobre as sugestões de livros para noivinhas e mulheres casadas, eu adorei! Vou ver se faço isso em breve!
      Obrigada e continue por aqui :)

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  2. Outra coisinha, rsrs, me caso daqui a 89 dias e gostaria de mais indicações de livros e Deus os abençoe!

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