Machismo - Programa ELAS (Terça Livre)

Participação de Letícia Barbano no programa ELAS com o tema "Machismo"



Artigo:
http://www.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/refacs/article/view/1097



Aproveitando o ensejo...

Uma vez uma leitora feminista nos questionou (com base na leitura deste texto)

"X:Olá, eu li seu texto naquele jornal parcial e só gostaria de dizer que sem o feminismo você não teria espaço para ter seu texto publicado lá e muito menos você poderia trabalhar ou estudar filosofia.
Discordo completamente com tudo o que escreveu e sou MUITO feliz com a escolha que meus pais me deram pra poder estudar, invés de me moldar pra um machinho qualquer.
Beijos
."

Nossa resposta:

"Oi, X! Tudo bem?
Acho que precisamos, antes de tudo, nos questionarmos sobre alguns pontos.
Será que foi mesmo o feminismo que me deu oportunidade de escrever, trabalhar e estudar? Como era antes do feminismo? E antes de antes do feminismo?
O feminismo surgiu, em grande parte, como uma reação ao machismo, este, por sua vez, é um comportamento sexista fruto da sociedade burguesa pós Idade Média.
Na Idade Média, diferente do que muita gente pensa, a mulher tinha diversos cargos na vida pública, desde vendedora, açougueira, professora, médica, boticária, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, arquiteta, entre outros. Naquele período agrário era comum a mulher trabalhar, mas também ter vários filhos e conseguir conciliar ambas as coisas, pois a cultura assim o permitia. Interessante destacar que aos homens, devido ao serem biologicamente mais fortes que as mulheres, cabiam profissões mais braçais. Não era o homem melhor que a mulher nem a mulher melhor que o homem, mas ambos reconheciam suas diferenças e as usavam para potencializar a vida em sociedade.
Quando a familia mudou-se para a cidade, já no final da idade média, a mulher começou a ter menos filhos e, consequentemente, menos ajuda dentro do lar. Foi obrigada pelas circunstâncias a trabalhar dentro de casa enquanto o homem buscava sustento fora. Nessa época a sociedade já está emergida em um pensamento totalmente descristianizado, anticlerical, frívolo, de aparências, hedonista, humanista, materialista e também liberal-capitalista. Exatamente por não ter mais uma moral norteadora de princípios que os homens passam a voltar a tratar a mulher como objeto (digo voltar porque foi a Igreja Católica, e não o feminismo, que conquistou à mulher a igualdade em dignidade. Antes, em muitos povos pagãos, era comum a mulher ser despedida e tratada como mendiga quando o marido não a queria mais, ou então ser passada, como mercadoria, de pai para marido. A Igreja mostrou que castidade e fidelidade eram válidas para ambos, e não somente para o homem, e que a mulher deveria ser tratada com tanto respeito quanto o homem. Veja a figura da Virgem Maria e entenda que em nenhuma outra época ou sociedade a figura feminina ganhou tanto destaque).
Desse comportamento burguês que surge o machismo o qual o feminismo quer combater, em primeira onda.

O Feminismo é, para mim, uma resposta errada a um problema real. O machismo realmente foi e é um problema, mas a resposta correta seria reformar a Moral da sociedade. Fazer as pessoas voltarem a seguir os preceitos cristãos de caridade, fidelidade, amor ao próximo, bondade, honestidade, entre outros.
O que te faz ser uma pessoa boa? a policia? as leis?
Não, certamente você me responderá que é sua moral.
É, pois, reformulando uma moral que reformulamos uma sociedade.

O que vemos hoje é um produto de uma moral hedonista, egoísta, materialista.

Se educarmos as pessoas em virtudes, seremos melhores no futuro. Foi isso que coloquei no meu texto. Que bom seria as mulheres elevando seus padrões, percebendo a dignidade que possuem e vivendo e agindo como pessoas verdadeiramente morais.

Os homens precisam também de uma educação assim? Evidentemente! Mas quem educa os homens? As mulheres ;)

Outra coisa: Não estou a desmerecer uma mulher que opta por trabalhar, mas há que se questionar até que ponto estamos realmente felizes em sermos as melhores em nossas carreiras e deixarmos a maternidade, que é algo intrinsecamente feminino, para trás. Trabalharmos para pagar uma babá aos nossos filhos enquanto esta mesma babá deixa os filhos sobre o cuidado de outrem. Espera aí, é isso que queremos mesmo? Será que dá para conciliar tudo ou teremos que abrir mão de algumas coisas?

Quanto ao casamento, bem, pelo que vejo, na filosofia/história/sociologia nada mais chama a atenção do homem ao longo das épocas do que o amor. Poemas, teorias, ideias, histórias, questionamentos, estudos, todos voltamos a esta temática, desde a época de Sócrates até hoje somos incomodados por este tema. Em uma relação, tenho certeza que divórcios e brigas matrimoniais machucam não somente o casal, mas também a outras pessoas, como os filhos. Escolher um homem de princípios para nos unirmos é o mínimo que podemos fazer para valorizar nossa dignidade e evitar feridas. Mas não fomos educadas a isso. O máximo que ouvimos, talvez, seja escolher um cara rico para casar. Poxa, e as virtudes? Por que nos acostumamos a olhar somente para o material? Todo este pensamento remonta àquela mentalidade burguesa e revolucionária que comentei.

É uma pena que meu texto tenha te decepcionado, mas espero que tenha entendido a intenção do mesmo.

Grande abraço."

You Might Also Like

0 comentários