A Medalha Milagrosa

  • 11:21
  • By Modéstia e Pudor - Colaborador
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Dia 27 deste mês se comemora o aniversário da revelação da Medalha de Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labouré (1806-1876). Para tanto, o blog Modéstia e Pudor traz algumas explicações acerca da medalha a fim de que nos preparemos para celebrar esta data especial com maior devoção. 

A revelação teve a noviça Catarina Labouré como instrumento.  Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, ela foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. 
Jovem simples, era tida por Nossa Senhora como filha dileta, por sua devoção verdadeira e entrega total, concedendo-lhes grandes graças.



Em 27 de novembro de 1830 Catarina recebe a segunda aparição da Santíssima Virgem, na França, pela qual temos hoje a devoção à Medalha Milagrosa.





Mas à figura de Nossa Senhora, com as mãos e os braços estendidos, a qual se vê estampada na medalha, levanta-se uma delicada e controvertida questão.



Dos manuscritos de Santa Catarina pode-se inferir que Nossa Senhora lhe apareceu três vezes, duas das quais oferecendo o globo a Nosso Senhor. Em nenhum desses numerosos autógrafos há qualquer menção ao momento em que a Mãe de Deus teria estendido seus braços e suas virginalíssimas mãos, como se vê na Medalha Milagrosa e nos primeiros quadros representativos das aparições.


Essa divergência entre as descrições de Santa Catarina e a representação da Medalha Milagrosa foi logo apontada pelo biógrafo da vidente, Monsenhor Chevalier, ao declarar em 1896 no processo de beatificação: "Não chego a compreender por que o Padre Aladel suprimiu o globo que a Serva de Deus sempre afirmou a mim ter visto nas mãos da Santíssima Virgem. Sou levado a crer que ele agiu assim para simplificar a medalha".

No manuscrito, a descrição é essa:



Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o frufru de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.


A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu... Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo...

De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.

Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:

- A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França... e cada pessoa em particular...

Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos...

- Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem - acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.

- Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.

Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós", escritas em letras de ouro.
Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:

- Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança...

Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra "M" encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeirocoroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação.

Santa Catarina dirá, mais tarde, a seu Diretor Espiritual ter visto as figuras do verso da medalha contornadas por uma guirlanda de doze estrelas. Tempos depois, pensando se algo mais devia lhes ser acrescentado, ouviu durante a meditação uma voz que dizia:

- O M e os dois corações são suficientes.




Porém, se lamentável é esta "simplificação" feita pelo Padre Aladel, ela não deve causar a menor perturbação. Sobre a Medalha Milagrosa, tal qual é conhecida e venerada hoje no mundo inteiro, pousaram as bênçãos da Santíssima Virgem. É o que, indubitavelmente, se deduz das incontáveis e insignes graças, dos fulgurantes e inúmeros milagres que tem ocasionado, bem como da reação de Santa Catarina ao receber as primeiras medalhas cunhadas pela Casa Vachette, dois anos depois das aparições: "Agora é preciso propagá-la!", exclamou ela.



Ainda acerca do globo que não figura na Medalha, uma decisiva confidência afasta qualquer dúvida. Em 1876, pouco antes de falecer, sendo interrogada pela sua Superiora, Madre Joana Dufès, Santa Catarina respondeu categoricamente:
- Oh! Não se deve tocar na Medalha Milagrosa!

Hoje, todo o interior da Igreja de Nossa Senhora das Graças em Paris e o pátio externo são cheios de marcas das manifestações dos fiéis pelas graças alcançadas, principalmente placas de mármore com a palavra"Merci" (obrigado) acompanhada da data em que a dádiva foi recebida. Ainda estão lá algumas placas da época em que os primeiros milagres aconteceram, pouco depois da distribuição das primeiras medalhas ao povo, na década de 1830.

Resumindo. a partir do video do Padre Paulo Ricardo[1]:

O QUE É?
Não é um talismã. É um sacramental que nos foi dado por Nossa Senhora e abençoado por um sacerdote.

PARA QUE SE USA?
Para que nos recorde a confiança que precisamos ter na Santíssima Virgem. A esses tempos de anti fé, Nossa Senhora prometeu a Santa Catarina: “Quando tudo estiver perdido, eu estarei lá”.
 Esta é a mensagem por trás da Medalha Milagrosa, quando invocamos:

"Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". 

As graças que nossa Senhora nos quer dar são as deste mundo também mas, sobretudo, a graça da conversão e da salvação eterna! Peçamos e nos será dado!



Simbologia da Medalha:


A mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio, já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis: "Porei inimizade entre ti e a mulher... Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar". É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher finalmente esmaga a cabeça da serpente, quando por meio dela, Porta do Céu, veio ao mundo o Salvador, para que a morte não mais pudesse escravizar os homens.




Os raios: Simbolizam as Graças que por meio de Nossa Senhora Deus derrama sobre seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama "Tesoureira de Deus".


As 12 estrelas: Simbolizam as 12 tribos de Israel. Maria Santíssima também é saudada como "Estrela do Mar" na oração Ave, Maris Stella.


O Coração cercado de espinhos: É o Sagrado Coração de Jesus. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.


O coração transpassado por uma espada: É o Imaculado Coração de Maria, inseparável do de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando de sua dor.


A letra "M": Significa Maria. Esse "M" sustenta o travessão e a Cruz, que representam o Calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na história da salvação.


O travessão e a Cruz: Simbolizam o Calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristão.


Nossa Senhora das Graças, rogai por nós!
Santa Catarina de Labouré, rogai por nós!
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[1]: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-medalha-milagrosa 

A escritura deste texto teve como base, também, a publicação do site do Arautos: http://www.arautos.org/especial/20941/Nossa-Senhora-das-Gracas-e-a-Medalha-Milagrosa.html

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