Sobre o Homem e a Mulher – Parte II – Espiritualidade, Autoridade e Submissão




Com colaborações de Pedro Machado (pseudônimo)

Mas afinal, qual a diferença entre o homem e a mulher do ponto de vista espiritual? Qual a via natural da espiritualidade da mulher? A via espiritual feminina é o caminho simpático, não no sentido usual e hodierno desse termo, mas na capacidade sobrenatural da mulher em se vincular ao sofrimento alheio. A mulher que vê Cristo Crucificado une-se à dor do Deus na História, a mulher abraça o sofrimento de Cristo, une-se de forma tão perfeita à Ele, ao passo de não apenas sofrer pelas dores do Condenado, mas sofrer por Ele, para Ele, e n'Ele, oferecendo seu próprio sofrimento à humanidade, e unindo-se assim ao próprio Dogma da Redenção.


A mulher se envolve de tal forma com o sofrimento de Cristo, que se oferece em holocausto passivo, como o Santo Cordeiro. O ícone da espiritualidade feminina é este: o Cordeiro! A figura mais perfeita da espiritualidade feminina é, claro e sem dúvidas, a Panagia, Theótokos - a Virgem Gloriosa e Bendita.

E qual a via masculina? É o caminho marcial, da guerra. O homem não tem a disposição natural da mulher à simpatia, não sofre como o Condenado e o imita dando-se em imolação ao mundo, passivamente. O homem vinga-se da injustiça e honra o Sacrifício do Companheiro. A disposição natural do homem leva ele a uma atitude de violência contra algo, e nós católicos sabemos que esse algo é Satanás, “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Efésios 6:12), ensinou o Santo Apóstolo Paulo.

Que santa vingança é essa, e de que forma o homem honra o Crucificado? A psicologia masculina vê o mundo como uma zona de guerra, se vê a si próprio como um campo de batalha, e é nesse terreno, nesse campo, que o homem vinga e honra a Deus; honra a Cristo mantendo virilmente o combate, e vinga a Jesus derrotando a todos os inimigos a conquistando a Jerusalém Celeste, a Pátria prometida. A via masculina é perfeitamente representada em São João Batista, a quem o Senhor proclamou “Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele. Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.” (Mt 11, 11-12)

A violência que arrebata os céus é o ímpeto viril de combater o bom combate, como ensinou São Paulo. Resistir bravamente contra os ataques inimigos e contra-atacar, seguir em frente estraçalhando, destruindo e esmagando o Inimigo, avançando e conquistando o terreno do Oponente, destruindo os campos de plantação do inimigo, para que todas gerações descendentes do Adversário sejam condenadas – e sabemos que o Inimigo é Satanás, e os campos de plantações são o terreno fértil de onde brotam os pecados.

Um exemplo de como o espírito masculino e feminino podem exercer a mesma atividade de formas totalmente opostas: o Santo Jejum. A mulher, quando jejua, o que faz naturalmente? Sofre! Ela sofre na fraqueza da falta de alimento, e oferece toda essa fraqueza para Deus, e espera que a Graça de Deus complete seu corpo frágil. E o homem? O homem quando jejua exercita um treinamento de guerra. O homem fere e domina seu corpo. O homem retira do seu corpo o conforto, que é origem de ação dos demônios; o homem no Sagrado Jejum não torna-se mais fraco como a mulher, torna-se mais forte, robustece seu corpo para a guerra, o Combate Espiritual, contra os pecados, contra os demônios, contra o Mundo.

Vejam quão distinto é o espírito masculino e feminino! Não são um inferior ao outro, mas distintos e complementares, pois, como já exposto, a unidade entre as potências masculina e feminina estiveram presentes em Adão, e Deus as deseja unidas novamente na Santidade e no produto do Matrimônio.

A própria Santidade já foi ensinada pela Patrística como uma reunião das potências sexuais masculina e feminina. São Máximo Confessor ensina que a theosis (santidade) é a unificação na pessoa dos elementos masculinos e femininos. Os filhos de Adão e as filhas de Eva estão incompletos até atingirem a santidade, que tem como via ordinária o Sagrado Matrimônio. No Matrimônio Santo o homem preenche o espírito da esposa com sua índole marcial, a mulher o completa com seu espírito de cordeiro.


Hoje os leigos católicos são, geralmente, pessoas frustradas, porque acreditam que o estado laical seja absolutamente inferior ao celibato religioso ou o sacerdócio e, na prática, incompatível com a meta da Santidade. Sob certo aspecto, na realidade, a condição matrimonial é mesmo inferior [1], mas não significa que seja uma condição apartada da possibilidade de atingir a plenitude da união mística com Deus após a Parousia. Pensar isso trata-se de uma péssima ou ausente catequese, aliada a séculos de destruição da espiritualidade católica, em especial a espiritualidade laical. Frisa-se: a forma ordinária de alcançar a theosis (Santidade) é o Matrimônio Sagrado. Eremitas, monges e sacerdotes celibatários são casos extraordinários, e podemos classificá-los como superiores; são pessoas que não seguem a própria natureza criada para o homem, mas atingem a Santidade e superam a via ordinária pela Graça Divina, como ensina Santo Tomás de Aquino. Os eremitas e celibatários são especiais a Deus, sem dúvida, mas são, como já afirmado, extraordinários, são a exceção.

Por que é necessário o Sagrado Casamento ordinariamente? A União Matrimonial reproduz em sua ordem interna os elementos centrais da Criação A humanidade deve ser submissa a Deus, e Deus delegou à humanidade a manutenção de toda criação e o desenvolvimento pleno das potencialidades desta. Os esposos são ícones dessa dupla missão, pois a mulher simboliza a submissão da humanidade, e o homem, o chefe da criação. O Matrimônio reflete ao mesmo tempo a submissão mútua dos esposos a Deus e a manutenção da criação, representada nos filhos. Ao refletir a santidade de Cristo, os homens simbolizam a autoridade de Deus e as mulheres a submissão de Cristo, por isso se diz que o homem é a cabeça e a mulher o coração. Cabe ao homem ser o símbolo da autoridade e a mulher o símbolo da obediência. Mas o homem só exerce a autoridade para a mulher ver a face do poder de Deus, e a mulher só exerce a passividade para o homem aprender o sentido do sacrifício de Nosso Senhor.

A submissão não é inferior à autoridade, a submissão é uma obrigação do homem e da mulher, e a autoridade idem, mas naturalmente o homem e a mulher desenvolvem cada um desses aspectos de forma mais acentuada. Se as mulheres não sabem exercer a autoridade, é porque os homens não são símbolo da autoridade de Deus no mundo, e se os homens não compreendem a submissão é porque as mulheres não conseguem ser símbolos da passividade de Cristo.


É curioso notar a tradição da cobertura das cabeças nas sociedades católicas: os homens não rezam com coberturas na cabeça, e se usam chapéus em outros momentos, no tempo da oração devem retirá-los. Já a mulher é o inverso: pode-se aceitar mulheres habitualmente sem cobertura nos cabelos, mas durante a oração sempre foi algo heterodoxo e anômalo vê-las descobertas, pois como o homem desenvolve em si o símbolo do Poder e da Autoridade, ele é a figura do Deus Todo-Poderoso, Criador, que nada está acima, enquanto que a mulher, que é ícone do Deus Filho, que se revestiu da Sagrada Carne da Virgem e se ofereceu em Sacrifício, se fez humilde e serviu à humanidade, se rebaixando, algo representado pela cobertura do véu.


Isso não significa que a mulher deve ser somente submissa e o homem somente autoritário, significa que naturalmente o homem e a mulher devem cada qual serem ícones para o outro do Poder e do Sacrifício de Deus. O Homem católico é aquele que sabe fazer de si um ícone do Poder de Deus para que os outros conheçam Deus, mas que aprenda com as mulheres o Mistério do Sacrifício; assim a Mulher católica é aquela que se faz de Ícone do Sacrifício, para ensinar a humanidade o que é a Sacrifício, mas também ela deve aprender a exercer a autoridade tal como ela apreende dos Homens católicos.


Neste sentido, fica palpável entender o que São João Paulo II – que muito estudava Patrística – coloca como “submissão mútua” na Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”. Destacamos alguns trechos, longos, mas que são necessários para se compreender minimamente a expressão (destaques nossos):
“O contexto bíblico permite entendê-lo também no sentido de que a mulher deve «auxiliar» o homem — e que este, por sua vez, deve ajudar a ela — em primeiro lugar por causa do seu idêntico «ser pessoa humana»: isto, em certo sentido, permite a ambos descobrirem sempre de novo e confirmarem o sentido integral da própria humanidade. É fácil compreender que — neste plano fundamental — se trata de um «auxiliar» de ambas as partes e de um «auxiliar» recíproco. […] Quando lemos, pois, na descrição bíblica, as palavras dirigidas à mulher: «sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará» (Gên 3, 16), descobrimos uma ruptura e uma constante ameaça precisamente a respeito desta «unidade dos dois», que corresponde à dignidade da imagem e da semelhança de Deus em ambos. Tal ameaça resulta, porém, mais grave para a mulher. Com efeito, ao ser um dom sincero, e por isso ao viver «para» o outro, sucede o domínio: «ele te dominará». Este «domínio» indica a perturbação e a perda da estabilidade da igualdade fundamental, que na «unidade dos dois» possuem o homem e a mulher: e isto vem sobretudo em desfavor da mulher, porquanto somente a igualdade, resultante da dignidade de ambos como pessoas, pode dar às relações recíprocas o caráter de uma autêntica «communio personarum» (comunhão de pessoas). Se a violação desta igualdade, que é conjuntamente dom e direito que derivam do próprio Deus Criador, comporta um elemento em desfavor da mulher, ao mesmo tempo tal violação diminui também a verdadeira dignidade do homem 
[...]

Os recursos pessoais da feminilidade certamente não são menores que os recursos da masculinidade, mas são diversos. A mulher, portanto, — como, de resto, também o homem — deve entender a sua «realização» como pessoa, a sua dignidade e vocação, em função destes recursos, segundo a riqueza da feminilidade, que ela recebeu no dia da criação e que herda como expressão, que lhe é peculiar, da «imagem e semelhança de Deus». Somente por este caminho pode ser superada também aquela herança do pecado que é sugerida nas palavras da Bíblia: «sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará». A superação desta má herança é, de geração em geração, dever de todo homem, seja homem, seja mulher. Efetivamente, em todos os casos em que o homem é responsável de quanto ofende a dignidade pessoal e a vocação da mulher, ele age contra a própria dignidade pessoal e a própria vocação. [observação nossa: Ou seja, a superação desta desigualdade acontece à medida que o casal se aproxima da santidade]

[...]

Tudo o que se disse até aqui sobre o comportamento de Cristo em relação às mulheres confirma e esclarece, no Espírito Santo, a verdade sobre a igualdade dos dois — homem e mulher. Deve-se falar de uma «paridade» essencial: dado que os dois — a mulher e o homem — são criados à imagem e semelhança de Deus, ambos são em igual medida susceptíveis de receber a dádiva da verdade divina e do amor no Espírito Santo [...] Esta unidade não anula a diversidade 

[...]

O «conhecimento» bíblico realiza-se segundo a verdade da pessoa só quando o dom recíproco de si não é deformado nem pelo desejo do homem de tornar-se «senhor» da sua esposa («ele te dominará»), nem pelo fechar-se da mulher nos próprios instintos («sentir-te-ás atraída para o teu marido»)

[...]

Por parte da mulher, este fato está ligado especialmente ao «dom sincero de si mesma». As palavras de Maria na Anunciação: «Faça-se em mim segundo a tua palavra», significam a disponibilidade da mulher ao dom de si e ao acolhimento da nova vida. Na maternidade da mulher, unida à paternidade do homem, reflete-se o mistério eterno do gerar que é próprio de Deus
[...]
É preciso, portanto, que o homem seja plenamente consciente de que contrai, neste seu comum ser genitores, um débito especial para com a mulher. Nenhum programa de «paridade de direitos» das mulheres e dos homens é válido, se não se tem presente isto de um modo todo essencial.
[...]
A maternidade da mulher em sentido biofísico manifesta uma aparente passividade: o processo de formação de uma nova vida «produz-se» nela, no seu organismo; todavia, produz-se, envolvendo-o em profundidade. Ao mesmo tempo, a maternidade, no sentido pessoal-ético, exprime uma criatividade muito importante da mulher, da qual depende principalmente a própria humanidade do novo ser humano. Também neste sentido a maternidade da mulher manifesta uma chamada e um desafio especiais, que se dirigem ao homem e à sua paternidade.
[...]

É precisamente assim que age Cristo como esposo da Igreja, desejando que ela seja «resplandecente de glória, sem mancha, nem ruga» (Ef 5, 27). Pode-se dizer que aqui esteja plenamente assumido aquilo que constitui o «estilo» de Cristo no trato da mulher. O marido deveria fazer seus os elementos deste estilo em relação à sua esposa; e, analogamente, deveria fazer o homem a respeito da mulher, em todas as situações. Assim, os dois, homem e mulher, atuam o «dom sincero de si mesmos»! O autor da Carta aos Efésios não vê contradição alguma entre uma exortação formulada dessa maneira e a constatação de que «as mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher» (5, 22-23)O autor sabe que esta impostação, tão profundamente arraigada nos costumes e na tradição religiosa do tempo, deve ser entendida e atuada de um modo novo: como uma «submissão recíproca no temor de Cristo» (cf. Ef 5, 21); tanto mais que o marido é dito «cabeça» da mulher como Cristo é cabeça da Igreja; e ele o é para se entregar «a si mesmo por ela» (Ef 5, 25 ) e se entregar a si mesmo por ela é dar até a própria vida. Mas, enquanto na relação Cristo-Igreja a submissão é só da parte da Igreja, na relação marido-mulher a «submissão» não é unilateral, mas recíproca!

[...]

As Cartas apostólicas são dirigidas a pessoas que vivem num ambiente que tem o mesmo modo de pensar e de agir. A «novidade» de Cristo é um fato: ela constitui o conteúdo inequívoco da mensagem evangélica e é fruto da redenção. Ao mesmo tempo, porém, a consciência de que no matrimônio existe a recíproca «submissão dos cônjuges no temor de Cristo», e não só a da mulher ao marido, deve abrir caminho nos corações e nas consciências, no comportamento e nos costumes. Este é um apelo que não cessa de urgir, desde então, as gerações que se sucedem, um apelo que os homens devem acolher sempre de novo. O apóstolo escreveu não só: «Em Cristo Jesus ... não há homem nem mulher», mas também: «não há escravo nem livre». E, contudo, quantas gerações tiveram que passar, até que esse princípio se realizasse na história da humanidade com a abolição do instituto da escravidão! E que dizer de tantas formas de escravidão, às quais estão sujeitos homens e povos, que ainda não desapareceram da cena da história? O desafio, porém, do «ethos» da redenção é claro e definitivo. Todas as razões a favor da «submissão» da mulher ao homem no matrimônio devem ser interpretadas no sentido de uma «submissão recíproca» de ambos «no temor de Cristo». A medida do verdadeiro amor esponsal encontra a sua fonte mais profunda em Cristo, que é o Esposo da Igreja, sua Esposa
[...]
Segundo a Carta paulina, este amor é «semelhante» ao amor esponsal dos cônjuges humanos, mas naturalmente não é «igual». A analogia, com efeito, implica conjuntamente uma semelhança e uma margem adequada de não-semelhança
[...]

No âmbito daquilo que é «humano», daquilo que é humanamente pessoal, a «masculinidade» e a «feminilidade» se distinguem e, ao mesmo tempo, se completam e se explicam mutuamente

[…]
Tudo isto está presente na Carta aos Efésios. No «grande mistério» de Cristo e da Igreja é introduzida a perene «unidade dos dois», constituída desde o «princípio» entre o homem e a mulher. Se Cristo, instituindo a Eucaristia, a ligou de modo tão explícito ao serviço sacerdotal dos apóstolos, é lícito pensar que dessa maneira ele queria exprimir a relação entre homem e mulher, entre o que é «feminino» e o que é «masculino», querida por Deus, tanto no mistério da criação como no da redenção
[...]
Se o autor da Carta aos Efésios chama Cristo Esposo e a Igreja Esposa, ele confirma indiretamente, com tal analogia, a verdade sobre a mulher como esposa. O Esposo é aquele que ama. A Esposa é amada: é aquela que recebe o amor para, por sua vez, amar. A citação do Gênesis — relida à luz do símbolo esponsal da Carta aos Efésios — permite-nos intuir uma verdade que parece decidir essencialmente a questão da dignidade da mulher e, em seguida, também a da sua vocação: a dignidade da mulher é medida pela ordem do amor, que é essencialmente ordem de justiça e de caridade.
[...]

A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros. Desde o «princípio» a mulher — como o homem — foi criada e «colocada» por Deus precisamente nesta ordem de amor.

[...]
A força moral da mulher, a sua força espiritual une-se à consciência de que Deus lhe confia de uma maneira especial o homem, o ser humano. Naturalmente, Deus confia todo homem a todos e a cada um. Todavia, este ato de confiar refere-se de modo especial à mulher — precisamente pelo fato da sua feminilidade — e isso decide particularmente da sua vocação.”

Tudo isto não entra em desacordo, todavia, com o ensinamento de outros Papas sobre o assunto. Quando outros papas colocam a questão da submissão sem significar que a mulher deve ser uma serviçal, e que o homem deve ser um tirânico, entra, aí, o que foi compreendido por São João Paulo II como submissão mutua. A autoridade masculina ensinada pela Igreja, diferente da nossa compreensão material de autoridade, é, na realidade, servidão. Servir a Deus através da família. A submissão da mulher também é um serviço. Assim, compreende-se que ambos estão servindo a Deus através da família, para levar um ao outro e os filhos ao principal objetivo de estarmos neste mundo: o céu.

Isso não anula, como salienta o Santo Papa João Paulo II, e como explicamos ao longo deste texto, os papéis e funções do homem e da mulher no matrimônio, funções estas que refletem suas naturezas e espiritualidades complementares.

“Os maridos devem amar às suas mulheres como a seus próprios corpos, já que ninguém jamais aborrece sua própria carne, se não a abriga e nutre, como Cristo também à Igreja, porque somos membros de seu corpo, sua carne e seus ossos
[...]
Em segundo lugar, ficaram definidos integralmente os deveres de ambos cônjuges. Isto é, é necessário que eles entendam que se devem mutuamente o mais grande amor, uma fidelidade constante e uma solicita e continua ajuda. O marido é o chefe da família e cabeça da mulher, que, no entanto, uma vez que é carne da sua carne e osso de seus ossos, deve submeter-se e obedecer ao seu marido, não como escrava, mas companheira...
[...]
...Como dizia São Jerônimo, entre nós, o que não é licito às mulheres, também não é licito aos maridos, e a mesma obrigação é de igual condição para os dois; consolidados de uma maneira estável esses mesmos direitos pela correspondência do amor e pela reciprocidade dos deveres”
- Leão XII na Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae

“Esta ação na sociedade doméstica não compreende somente o auxílio mútuo, mas deve estender-se também, ou melhor, visar sobretudo a que os cônjuges se auxiliem entre si por uma formação e perfeição interior cada vez melhores, de modo que na sua união de vida progridam cada vez mais na virtude, principalmente na verdadeira caridade para com Deus e para com o próximo...
[...]
Tal sujeição não nega nem tira à mulher a liberdade a que tem pleno direito, quer pela nobreza da personalidade humana, quer pela missão nobilíssima de esposa, mãe e companheira, nem a obriga a condescender com todos os caprichos do homem, quando não conformes à própria razão ou à dignidade da esposa, nem exige enfim que a mulher se equipare às pessoas que se chamam em direito “menores”, às quais, por falta de maior madureza de juízo ou por inexperiência das coisas humanas, não se costuma conceder o livre exercício dos seus direitos; mas proíbe essa licença exagerada que despreza o bem da família, proíbe que no corpo desta família se separe o coração da cabeça, com grande detrimento de todo o corpo e perigo próximo de ruína. Se efetivamente o homem é a cabeça, a mulher é o coração; e, se ele tem o primado do governo, também a ela pode e deve atribuir-se como coisa sua o primado do amor.
O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido pode variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus.”
- Papa Pio XI na Encíclica Casti Connubii


Anterior: Parte 1


Notas:
[1] Teologicamente, o celibato é superior ao matrimônio pela dedicação integral à Deus. Um pouco mais aqui e aqui

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