Vivendo o Jejum e a Quaresma: dicas práticas e sentido sobrenatural

  • 10:48
  • By Modéstia e Pudor - Colaborador
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Salve Maria!
Ontem antes de deitar resolvi ler um livreto intitulado "Práticas do Jejum" de Mons. Jonas Abib. É pequeno, possui apenas 45 páginas, sendo publicado pela Editora Canção Nova. Gostaria de tomá-lo como base para escrever algumas linhas que possam nos ajudar ainda mais a vivermos com amor o jejum e toda a quaresma.

Os "remédios contra o pecado" propostos pela Santa Igreja são o jejum, a esmola e a oração. O primeiro nos revigora contra as tentações da carne e do espírito. A esmola, um ato prático de caridade, "cobre uma multidão de pecados" e nos recorda da importância de "amar ao próximo como a si mesmo". A oração nos fortalece e nos coloca em intimidade com Deus.
As palavras que ouviremos logo mais, na Quarta-feira de Cinzas, nos diz "Convocai para um jejum..." (Jl 1,14). Esse ato de amor ao qual somos convocados são "expressão a nossa solidariedade com Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto" (Abib, p. 10).

Por isso devemos viver o jejum não apenas em sua prática física - deixar de comer, beber... - mas, principalmente, no seu sentido sobrenatural. Lembremos sempre do que Santa Teresa D'avila nos falava: "Olhos fixos em Vosso Esposo". Façamos tudo com o espírito elevado, com os olhos fixos na Eternidade, não nesse mundo que virará pó, mas no Paraíso que nos espera. Mesmo na dor, e, acima de tudo nela, encontraremos a alegria, se mantivermos o foco em Cristo que vive e reina: "Tenha Jesus Cristo em seu coração e todas as cruzes do mundo parecerão rosas" disse São Pio de Pietrelcina.
Como afirma Mons. Jonas no livreto, "a finalidade do jejum é nos elevar a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de 'atitude consumística', característica da nossa civilização" (p. 10)
Devemos buscar esse equilíbrio. Muitas vezes nos deixamos consumir pela satisfação dos sentidos, o prazer momentâneo e nada disso sacia o espírito humano que só pode ser completado em Deus. Buscarmos a felicidade nas coisas dessa vida nos levará à uma frustração contínua, pois faz parte da essência do ser humano, foi querido por Deus, esse vazio, do qual Santo Agostinho bem meditou: "Fizestes-nos para Vós e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Vós"(Santo Agostinho, Confissões). Nenhum prazer deste mundo pode saciar a sede que o ser humano possui.



Sabendo disso, nos sentimos mais fortalecidos em matar nossa carne, e fazê-la parar de querer tanto as coisas que por si só não saciam. Nossa alma é mimada, como explica Pe Paulo Ricardo [1] em uma de suas aulas, é como uma criança que deve ser educada. Nossa tendência natural é a concupiscência, não a elevação da alma às grande coisas, por isso devemos ensinar e educar nossos sentidos para as coisas que convém à santidade, senão ele tende a cair. "O jejum nos ensina a renunciar e nos capacita a dizer 'não' a nós mesmos, apresentando-nos aos valores mais nobres da alma: a espiritualidade, a reflexão, a vontade consciente" (p. 11)

Deixemos que a vontade do espírito nos comande e não que os prazeres do corpo o façam. Mons. Jonas lembra que o jejum não é um fim em si mesmo, mas sim um "meio" que prepara os caminhos para as conquistas mais profundas. 

            “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar” (Gen. 3, 19).

Em uma postagem em nossa página de facebook já comentamos rapidamente sobre a prática do jejum da Quarta-feira de Cinzas. Recoloco aqui as orientações:


Nesta data é permitido uma refeição completa e outras duas leves.



No que consiste?
Escolhe-se uma refeição do dia para se alimentar como de costume (sem exageros! Nada de   querer compensar o que não foi comido ainda e o que não irá comer. É dia de penitência!!!). Pode se escolher, por exemplo, o almoço como refeição completa. 
Então, no café da manhã, se come uma coisa leve e na janta ou café da tarde outra refeição leve. Como base de medida, diz-se que as duas refeições leves, se unidas, não deverão somar uma refeição completa.

O CDC, Cânon 1252, explica: Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados a lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade.

Para a quaresma o ideal é escolher propósitos quaresmais que girem em torno de oração, penitência e caridade. Daqui em diante irei retransmitir as orientações do pároco de minha paróquia, que são muito ricas a todos nós.

Se você não faz a missa diária, proponha-se a ela pois ali já temos os três requisitos cumpridos: oração (mais oração, pelo fato de participar da Santa Missa); penitência, porque acordar cedo e reorganizar seu horário, de alguma maneira, é uma penitência; e também caridade, pois quando nós crescemos espiritualmente, toda a Igreja cresce. Um santo eleva o mundo, não apenas a si mesmo, então é uma maneira de enriquecer a Igreja.

Para aquele que já faz a missa diária ou não pode participar dela por motivos justos, acrescente algo além. Por exemplo, um livro espiritual ou a Sagrada Escritura. O Padre recomenda "Damião, o leproso" [2] e "A Oração" [3]. Pode também rezar um pouco mais demoradamente de joelhos, uma maneira de nos unirmos a Nosso Senhor que se prostrava quando rezava. Podemos também tirar a quaresma para dormirmos no chão todos ou alguns dias, uma vez que Nosso Senhor dormia no chão e é uma maneira de ordenar nossa vontade. Mas é importante os casados se atentarem e fazerem de comum acordo. Tomar banho frio, renunciar ao açúcar, ao café, enfim. Fazermos penitências físicas para de alguma maneira estarmos mais unidos à Cristo em Sua Paixão.

Como gesto de caridade pode ser um ato repetido várias vezes durante a quaresma ou pode ser um gesto emblemático. Por exemplo, ajudar uma criança com os livros da escola, auxiliar uma mãe no leite das crianças, visitar um doente, ser mais frequente em suas visitas, doar cesta básica a uma família carente, se reconciliar com alguém, se empenhar a ser mais paciente em casa, silenciar nas contrariedades cotidianas, são apenas algumas das escolhas que se pode fazer, conforme a possibilidade de cada um. Mas lembre-se, seja generoso!

Então, ao final da Quaresma, poderemos realmente cantar o Aleluia Pascal, proclamar Jesus Cristo ressuscitado porque de alguma maneira ele se fez mais vivo dentro de nós, mas se passarmos a quaresma como todos aqueles que não creem em Cristo passam, não haverá nada de diferente quando chegar a Páscoa.

Vivamos a Quaresma com mais oração, mais penitência e mais caridade!

S. Josemaria escreveu: A Quaresma coloca-nos agora perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a Cristo? Em desejos de santidade? Em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de profissão? Cada um que responda a estas. perguntas, sem ruído de palavras, e verá como é necessária uma nova transformação para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflita limpidamente na nossa conduta. [4]

Deus abençoe-nos a viver santamente a Quaresma.
Que a Virgem Maria nos ilumine em nossos propósitos e em nossa caminhada.
Nossos Santos Anjos não cessem de nos proteger contra as tentações.

Paz e Bem!


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[1] Veja mais nesse link.

[2] Compre aqui.

[3] Disponível aqui.

[4] Veja artigo publicado no site do Opus Dei sobre a Quaresma nesse link.

O livreto utilizado como inspiração para a postagem e citado no texto pode ser adquirido aqui.

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