Não existe alguém por aí para todas - e, sim, você pode terminar sozinha

Costumamos afirmar aqui no blog que Deus sempre nos prepara alguém - se a sua vocação realmente é o matrimônio. Embora acredite nesta afirmação, este texto é um contraponto interessante a isso.

Por Matt Fradd (Palestrante, escritor e apologista católico). Traduzido do original "There Isn’t Someone Out There For Everyone, and Yes, You Might Die Alone", por Rogério Schmitt




As pessoas dizem coisas. Coisas que elas leram em cartões de aniversário, ouviram em filmes ou de alguma tia “espiritualizada”. Coisas que se tornam lugar comum e para as quais, elas me dizem, a resposta social apropriada é balançar a cabeça e afetar concordância. 

Um desses lugares comuns é “Existe alguém por aí para todos”. Ele surge numa variedade de formas: “Deus tem alguém por aí para você”, “Todas têm uma alma gêmea feita especialmente para elas”, etc. 

Não vejo razão – bíblica ou de outro tipo – para achar que isso seja verdadeiro. E dado o ambiente espiritual e moral em que vivemos, suspeito que muitas pessoas – especialmente as mulheres católicas – terão que permanecer sozinhas caso desejem se manter fiéis a Cristo. Até a morte. Como você se sente? 

Quando digo sozinhas, é claro que não quero dizer sem os seus entes queridos. Mas sim aquilo que as pessoas normalmente pensam quando dizem “Não quero morrer sozinha”. Sem um cônjuge. 

Li um artigo sobre a crise do casamento na China. Ele dizia que devido à preferência cultural por meninos (as meninas estão sendo assassinadas no útero), existe agora um drástico desequilíbrio de gênero. Em breve, estima-se que haverá 40 milhões de homens solteiros a mais que mulheres solteiras. Em outras palavras, há muitos homens que desejam se casar, mas que provavelmente não conseguirão (pelo menos se ficarem na China). 

Nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, penso que ocorre o problema oposto. Como tantos homens se desvirilizaram e infantilizaram por causa da pornografia, existe agora uma desproporcionalidade enorme. Mulheres católicas solteiras que desejam e estão prontas para se casar superam, em grandes proporções, o número de homens católicos solteiros (os quais nem desejam e nem estão prontos para o casamento). 

Se você é uma mulher católica solteira na faixa dos 20, dos 30 ou dos 40 anos, então você sabe exatamente do que estou falando. 

O grande São João Paulo II escreveu em sua encíclica Redemptor Hominis: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente”. 

Lindo, não é mesmo? Mas percebam que ele não disse que “o homem não pode viver sem um cônjuge”, ou que “o homem não pode viver sem intimidade sexual”. 

Se você é uma jovem mulher adulta aterrorizada em morrer sozinha, gostaria de encorajá-la de três maneiras: 

1. Seja fiel a Cristo, ainda que possa ser tentada a cair no desespero, ou a ser menos exigente. Cristo nos prometeu trazer a vida, e a vida em abundância (Jo 10, 10). Ele não disse que você encontrará essa vida quando encontrar a sua “alma gêmea”... seja lá o que isso for. 

Existem muitas pessoas vivendo no celibato mas que vivem a vida em abundância. Pessoas lindas e alegres. Tive o privilégio recente de me encontrar com a filha de Santa Gianna Molla. Foi para salvar essa filha que Santa Gianna entregou a sua vida. É impossível encontrar a Gianna (que tem o mesmo nome da mãe) sem imediatamente perceber que ali está uma mulher apaixonada por Jesus Cristo. Ela irradia paz e alegria mesmo sem ter nunca se casado. 

2. Converse com qualquer mulher católica casada e, se ela for honesta, ela dividirá com você a cruz que o casamento e a maternidade podem ser. E não digo isso para minimizar a cruz da vida de solteira, pelo contrário. Mas o casamento é muito duro. Eu não ficaria surpreso se descobrissem que os casados sentem o mesmos graus de solidão e de frustração que os solteiros. E não me refiro aos casamentos que passam por dificuldades, mas sim de matrimônios católicos fiéis. Creio que qualquer esposa católica digna desse nome te diria que “é melhor permanecer solteira do que casada com um homem incapaz de te amar”. 

3. Encontre um bom diretor espiritual. A Igreja precisa de você agora! A Igreja precisa da sua energia, da sua inteligência e do seu gênio feminino. Procure discernir com seu diretor espiritual como melhor utilizar os seus dons para edificar o corpo de Cristo agora, em vez de cair na armadilha de esperar até o casamento para começar a servir. 

Dito isso, quero deixar algo claro. Eu não estou dizendo que você não encontrará um casamento feliz. Existem muitos homens católicos legais por aí e certamente, se for da vontade de Deus, Ele achará um caminho. 

Portanto, este não é um artigo sobre os motivos pelos quais você deveria abandonar toda esperança de se casar e entrar já para um convento! Se ele ficou desse jeito, foi para se contrapor à tão frequente (pelo menos nos meus círculos) e pouco qualificada visão contrária. 

Se você é uma jovem (ou não tão jovem) mulher procurando discernir sobre o casamento, gostaria de recomendar enfaticamente o livro do casal Jason e Crystalina Evert: “Como Encontrar sua Alma Gêmea sem Perder sua Alma”.

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6 comentários

  1. Lê, sua linda!!!
    Texto perfeito e muito bem escrito!!!

    Louvado seja Deus pela sua vida e por ter escrito tais palavras.
    Nossa geração colocou na cabeça que todas irão casar e as que não casarem serão infelizes ad eternum... É sufocante!
    Isso somado ao nível espantoso de ansiedade coletiva faz com que esqueçamos de Cristo. Assustador!

    Cristãs, católicas, que não confiam suas vidas a Deus, e quando confiam batem o pé que nem crianças mimadas querendo que Deus conceda a elas o encontro com o tal José.

    Mais uma vez, obrigada pelo texto!!!

    Beijo no coração!
    Que a Virgem lhe guarde!!!

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    1. Aninha!!! Muito obrigada pelas palavras e visita, mas na verdade o texto é apenas uma tradução! rs Quem escreveu foi o Matt Fradd.
      Acho que as mulheres precisam analisar que o casamento não é um mar de rosas. Talvez por falha dos nossos pais ou avós de nos falarem a verdade, talvez por estarmos absorvidos por uma cultura infantilizada e hedonista, o fato é que muita gente tá pensando que a vida é fácil e bonita, e não, seja religiosa, seja celibatária, seja casada, teremos nossas grandes e pesadas cruzes.

      Bjo grande!

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  2. Muito verdadeiro o texto. Estamos aqui apenas para ganhar o céu, tanto faz se casado, religioso, solteiro, rico, pobre... O importante é viver bem o nosso estado de vida presente.

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  3. Acredito que as colocações do texto não foram muito felizes.

    1° Deus fez o homem a mulher, viu que o homem estava “triste” sozinho e lhe fez uma companheira. Acredito que o autor ao enfatizar a questão da alma gêmea sai da realidade católica e vai para outro contexto, até porque estamos cansados de saber que amor é decisão, você pode decidir amar e ponto final. E se sua vocação for matrimonial tem sim alguém para você no mundo!

    2° Sobre o problema da redução populacional e continuidade da prole, isso não justifica o fato de que naquele país não existam católicos e católicas dispostos a gerar filhos para o Reino de Deus, basta conscientização.

    3° Sobre ser mulher ainda solteira, não é porque ainda não encontrei alguém que o argumento de diminuição populacional seja aceitável para minha solteirice.

    4° sobre a encíclica Redemptor Hominis – O Redentor do Homem – 10 “Dimensão humana no Mistério da Redenção” – Citação fora de contexto para apoiar ideia particular, pois só vive bem aquele que não foge da própria vocação seja ela qual for; o amor é mediador de ambas. Leiam o que diz o número 21 “Vocação Cristã: servir e reinar”, parágrafo 6.

    5° Sobre o consolo pela solidão e exortação para viver a vida religiosa, considero desnecessário. “Cruz que o casamento e MATERNIDADE podem ser”??? Por isso nós que temos a “Vocação Matrimonial” devemos cumprir com o seu papel de fato, porque o fardo é leve se é feito com amor. O texto pede para não ser exigente e depois diz sobre o erro de casar com a pessoa errada... (Muita contradição).

    6° Sobre o diretor espiritual e o livro foi uma das únicas coisas que considerei certas nesse texto.

    7° Minha opinião: Se você não decidiu a sua vocação ainda, não a faça por “falta” de outra, sendo assim tudo será um peso um fardo difícil de carregar, essa vocação pode ser celibatária, matrimonial, religiosa, ordenada e tantas outras que no momento não me recordo!

    "Se a vocação de alguém realmente é matrimonial isso vai ocorrer, não podemos acreditar nessas teorias que fragmentam as vocações. Há quem diga que daqui alguns anos não teremos mais vocações religiosas. Você acredita nisso? Sou obrigada a discordar. Deus suscita vocações, basta que cada um viva a sua de forma plena".

    *Apenas a minha opinião*

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    1. Olá, Susany! Eu concordo com você! Como coloquei em um dos textos aqui do blog (resenha do livro que o autor indica), Deus cuida tanto de tudo, não cuidaria de nos preparar alguém? Aliás, para mim esse texto entra em desacordo com o livro indicado ao final (Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma). Se você ler o outro post aqui do blog com a resenha entenderá o por quê.

      Mas, enfim, no início do post eu sinalizei que não estava de acordo total com o conteúdo: "Costumamos afirmar aqui no blog que Deus sempre nos prepara alguém - se a sua vocação realmente é o matrimônio. Embora acredite nesta afirmação, este texto é um contraponto interessante a isso."

      Essa tradução foi uma sugestão de um queridor leitor. É uma outra opinião, afinal a Igreja não possui um ensinamento/posicionamento oficial sobre isso. Acho legal ir confrontando essas opiniões. Precisamos deste debate!

      Sobre o seu ponto 5, o que eu percebo (não sei se você vai concordar comigo), é que as pessoas perderam a noção de que no matrimônio há sofrimentos tanto quanto qualquer outra vocação. É claro que algumas mulheres sofrem mais que outras, exatamente por se casarem com maridos que não são bons, mas, no geral, em casamentos cristãos e sadios, mesmo que o casal se dê bem a maior parte do tempo, sempre há as cruzes: doenças, problemas financeiros, mau gênio de algum filho, dificuldades com parentes, etc. Como coloquei no comentário para a Ana Flávia, muita gente pensa que a vida é um mar de rosas, mas a verdade é que, onde quer que estejamos, seja qual for nosso estado, teremos cruzes, e são elas que nos santificarão.

      Grande abraço!!

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    2. Feliz com a sua resposta Letícia, sim o ponto 5 concordo plenamente com o que disse, por isso sempre ressalto a "vocação" para qualquer papel nesse mundo "o fardo fica mais leve", quando eu faço uma opção não por vocação, mas porque não tive outra opção fica complicado. Sabemos que não é um mar de rosas o casamento, rosas tem espinhos, mas os espinhos só ferem aqueles que não sabem colher as rosas.

      Eu particularmente gosto de ideias que contrapõe as minhas, porém esse texto específico usou a união matrimonial fora do contexto cristão católico e teve como base pesquisas imediatas que não olham com os “olhos da fé”, sem contar a citação da encíclica totalmente fora de contexto também.

      Acredito sim, que muitos podem “acabar” sozinhos, mas contrapor a ideia dessa maneira não foi interessante e não contribui para um diálogo de fé onde Deus pode fazer muita mais que isso! Como eu disse anteriormente “Deus suscita vocações”.

      Abraços.

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