Por que as taxas de divórcio são tão altas para os casais que moraram juntos antes do casamento?

Traduzido por Rogério Schmitt do original Why are the divorce rates so high for couples who lived together before marriage?. Grifos nossos.

Foto: Serenity Ibsen
Há diversos motivos que explicam porque os casais que vivem juntos sem estarem casados apresentam taxas mais elevadas de separação.

Primeiro, imagine o quão mais difícil seria terminar com uma pessoa se você tiver intimidade sexual ou coabitar com ela. Portanto, casais que coabitam sem estarem casados muitas vezes assim permanecem, não porque tenham relações abençoadas, mas porque tornaram-se tão unidos que não querem começar tudo de novo. Os problemas são trazidos para dentro do relacionamento, e, às vezes, resultam em separação. Se uma relação precisa acabar, é muito mais fácil desistir de alguém quando vocês não estão dormindo juntos, ou quando você não precisa de uma empresa de mudanças para ajudar na separação!

Outro motivo é que os casais que vivem juntos sem estarem casados são sexualmente ativos e, de acordo com o periódico acadêmico Adolescent & Family Health, “aqueles que praticam o sexo antes do casamento têm maior probabilidade de praticarem o sexo fora do casamento – e o sexo fora do casamento contribui para muitos divórcios” [1]. 

No entanto, se supusermos que a maioria dos casais que moram juntos permanecem sendo fiéis após se casarem, a questão da infidelidade responde por só uma parte do aumento da taxa de divórcio. Mesmo quando o casal é fiel, o fato de morar juntos prejudica o compromisso, pois se pressupõe que se um dos parceiros encontrar imperfeições suficientes no outro, então ele é livre para partir. Porém, os casamentos bem-sucedidos não são o resultado da ausência de defeitos irritantes no outro. Eles são o resultado de se escolher amar e perdoar diariamente o outro, com todas as suas imperfeições. É a capacidade de sacrifício que dá sustentação aos casamentos, e não a ausência de incômodos. Os casais que se recusam a coabitar e a fazer sexo antes do casamento parecem ter uma melhor compreensão da noção de sacrifício do que os casais que caem em tentação.

O desejo de fazer um “test drive” do casamento demonstra uma falta de compreensão sobre a essência do mesmo, e do que o faz funcionar. Isso porque é impossível experimentar algo que é permanente. A coabitação também mostra uma real falta de fé no amor de um pelo outro. Por um lado, o casal está dizendo que deseja a intimidade, mas, por outro lado, quer deixar uma porta aberta para a hipótese de o outro não corresponder. Isso é plantar, desde o início, sementes de dúvida e de desconfiança. Alguns casais parecem achar que um bom relacionamento não terá desapontamentos. Quando eles se casam e os desapontamentos surgem, eles frequentemente desistem. 

O célebre G. K. Chesterton escreveu: “Se os americanos podem divorciar-se por ‘incompatibilidade de gênios’, eu não consigo entender por que já não estão todos divorciados. Já conheci muitos casamentos felizes, mas jamais um casamento compatível. A meta do casamento é justamente lutar e sobreviver ao momento em que a incompatibilidade se torna inquestionável. Pois o homem e a mulher, enquanto tais, são incompatíveis”. [2]

Se você deseja que um casamento perdure, dê uma olhada sincera naquilo que faz o amor funcionar. De acordo com o Papa João Paulo II, “Nós amamos a pessoa completa, com todas as suas virtudes e falhas e, até um certo ponto, independentemente de suas virtudes e apesar de suas falhas. A força de tal amor emerge mais claramente quando a pessoa amada tropeça, quando a sua fraqueza ou mesmo os seus pecados vêm à tona. Quem ama realmente, portanto, não recusa o seu amor, mas ama ainda mais, ama com a plena consciência das deficiências e falhas do outro, e sem aprova-las em nenhum momento”. [3] 

É por isso que o slogan “O amor é cego” está equivocado. A paixão é cega, mas o amor tem os dois olhos bem abertos. Assim podemos ver e conhecer plenamente a outra pessoa, para que possamos amá-la completamente. Os casais casados frequentemente dizem que só vieram a conhecer plenamente os seus esposos anos após o casamento, mas os casais de namorados apaixonados sentem que conhecem tudo a respeito um do outro. Leva-se uma vida inteira para realmente conhecer o outro, e os casais que vivem juntos sem estarem casados parecem ter medo dessa tarefa.

Se tudo está correndo bem para um casal em coabitação, eles podem tomar a iniciativa de se casar pensando: “Bom, nós não estamos brigando muito ultimamente e, após vivermos juntos tanto tempo, eu com certeza não gostaria de recomeçar tudo com outra pessoa. Por que então não tornar oficial a nossa união? ”. 

Estes casais com quase sempre têm dificuldade em explicar exatamente o que é o casamento. Você faz uma grande cerimônia, recebe uma certidão e novos utensílios domésticos, e retorna para o que estava fazendo antes. Esta atitude mina o sentido do casamento como uma aliança que duas pessoas fazem com Deus. Já que elas pouco pensam no casamento, é menos provável que elas lutem incansavelmente para preservá-lo. Mesmo quando casais em coabitação jamais chegam a se casar, a sua separação pode ser tão dolorosa como um divórcio de verdade.

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[1]. Reginald Finger, et alii, “Association of Virginity at Age 18 with Educational, Economic, Social, and Health Outcomes in Middle Adulthood”, Adolescent & Family Health, vol. 3, nº 4 (2004), pg. 169.

[2]. G. K. Chesterton, “What’s Wrong with the World” (São Francisco, Ignatius Press, 1994), pg. 64.

[3]. Papa João Paulo II, “Love and Responsibility” (São Francisco, Ignatius Press, 1993), pg. 135.

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