Tudo bem ter sexo durante o noivado? Afinal, a gente vai se casar mesmo



Traduzido do original por Rogério Schmitt

O noivado é um tempo especial. Nessa fase, os casais podem sentir-se “quase casados” mas, na verdade, estar casado é como estar grávida – ou você está ou não está. Não importa o quanto comprometido um casal possa se sentir; não poderão unir-se um ao outro na cama com os seus corpos até que eles realmente se unam em matrimônio. 


Alguns podem achar essa ideia antiquada. De fato, ela é antiga. Mas ainda funciona. Aguardar que Deus os receba mutuamente permite ao casal estabelecer uma autêntica intimidade. Ao esperarem em Deus e se concentrarem no seu chamado, o casal ganha a liberdade de enxergar que a intimidade não tem a ver somente com a afinidade entre os corpos. Uma relação saudável não precisa do sexo para se tornar íntima. O amor é paciente, e um homem e uma mulher confiantes no seu amor sabem que terão o resto da vida para desfrutar do sexo. Mas o agora é o único tempo que terão para se preparar para o casamento – para lançar os fundamentos do restante da vida a dois.


Esperar para compartilhar o presente do sexo não deve ser visto como um adiamento passivo da paixão, mas como um adestramento ativo da fidelidade. Nas palavras do Catecismo da Igreja Católica, “os noivos são chamados a viver a castidade na continência. Eles farão, neste tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem um ao outro de Deus. Reservarão para o tempo do matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade”[1]. Você não quer saber, antes do casamento, se o seu esposo ou a sua esposa será capaz de resistir à tentação após o casamento?


Assim como o noivado é um tempo de preparação para o sacramento, os meses que antecedem o casamento são um tempo de sério discernimento. Quando praticam o sexo nesse tempo, os casais perdem a capacidade de enxergar claramente a relação. Eles se sentem tão próximos por causa do sexo que ficam incapazes de ver criticamente o passado, o presente e o futuro. A intimidade sexual pode até impedi-los de enxergar que falta uma verdadeira intimidade em sua relação. E também pode impedi-los de trazer à tona preocupações e hesitações que eles possam ter. De fato, o sexo pode esconder os defeitos do amor.


Quando a mulher responde sim ao pedido do seu namorado, isso não é o fim do processo de discernimento para o casamento. Até que façam os votos matrimoniais, nenhum compromisso permanente chegou a ser feito. Imagine que você esteja noiva, mas que saiba no seu coração que é preciso cancelar o casamento. Pense no quanto seria mais difícil romper o noivado se você já estivesse dormindo com o seu noivo. 


Alguns homens perguntam: “Certo, mas como saber se quero me casar com aquela mulher se eu não dormir com ela?”. Eu responderia: “Como saber que você deve se casar com ela depois que vocês já dormiram juntos?”. Você fica é com os pensamentos menos claros, pois o sexo não foi desenhado para ser um teste na procura por uma boa esposa.


Só porque uma pessoa é capaz de intimidade física não significa que ele ou ela seja capaz dos outros tipos de intimidade que sustentam um casamento. Como o sexo tem poder para unir, a experiência pode parecer maravilhosa nos estágios iniciais de um relacionamento, e ambos os parceiros irão se sentir bastante “compatíveis”. Mas pense em algum casal conhecido que esteja casado há cinquenta anos. Eles ficam sentados na varada de casa, sorrindo um para o outro com todas as suas rugas. Se eles ainda estão juntos, é porque foram refinados pelas labaredas do amor, e não porque foram consumidos pelas ilusões da luxúria. 


Então por que não esperar pela lua de mel? Conheço casais que eram sexualmente ativos muito antes do casamento e que, quando entraram na suíte nupcial, imediatamente pegaram no sono. Já tinham estado ali e já tinham feito aquilo. Então por que não poupar forças para algo novo e excitante, como andar de jet ski? Os únicos prejudicados foram eles mesmos. Por outro lado, uma mulher que se guardou para a lua de mel declarou que “a espera valeu indescritivelmente a pena”[2].


Com que frequência ouvimos falar de casais promíscuos que experimentaram tal alegria? Se um homem e uma mulher se recusam a esperar, quais são os seus motivos? Será que a impaciência, a luxúria ou o orgulho motivam o casal a desobedecer a Deus? Estes vícios somente fazem mal ao casamento. É através da humildade, da obediência, da castidade, da paciência e da disposição para o sacrifício que um casal constrói um amor duradouro. Então por que já não praticar essas virtudes?


Nesse meio tempo, saibam que sempre que resistem ao pecado vocês abençoam um ao outro. Além disso, Deus lançou um desafio especial para os homens. Quando um homem persevera na virtude da castidade, ele ajuda a realizar o desafio: amar a sua noiva como Cristo ama a Igreja, de desistir de si mesmo por ela, para que ele possa santificá-la, para que ele possa apresentar sua noiva a Deus "sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5, 25-27). O homem deve saber que a aceitação desse desafio será a medida do seu amor pela sua noiva. Pense no Cristo preso na cruz, dizendo para você: “É assim que levarei a minha esposa para o céu. Você acha que existe outro modo de levar a sua?. Quando um homem que está noivo abraça esse desafio e cresce na pureza com a sua noiva, você vai notar no dia do casamento que a alma da noiva estará idêntica ao seu vestido. Ela brilha… E ele também, quando a vir caminhando em sua direção. 


Se não compreendemos esses princípios, talvez não compreendamos o casamento. Ele seria meramente uma declaração pública do amor que o noivo e a noiva sentem? O dia do casamento seria somente uma formalidade decorativa? Ou será que Deus está ali presente, estabelecendo com aquele casal um elo supernatural, uma aliança, que somente pode ser rompida pela morte?


Em todo casamento sacramental, uma realidade espiritual tomará lugar no altar quando o homem e a mulher se tornarem marido e esposa. O casal entra em uma união que é um sacramento. Naquela noite, o abraço matrimonial se tornará a expressão visível dessa união abençoada por Deus. Até que sejam proferidos os votos do matrimônio, a mulher ainda não é esposa, e não deve ser tratada como se fosse.


Quando o esposo entrega o seu corpo para a sua noiva, e a noiva também se entrega a ele, os seus corpos falam a verdade: “Eu sou totalmente seu/sua”. Por outro lado, o sexo fora do casamento é desonesto. Não importa o que aconteça, ele não pode declarar: “Eu sou totalmente seu/sua”. Portanto, transar durante o noivado não é uma questão de “espiar o que está debaixo do papel de presente”. É uma questão de se enganar completamente quanto ao sentido do sexo e do casamento.


Se vocês estão noivos, ponderem por um momento o presente que é o seu parceiro. Vejam como Deus foi generoso com vocês. Quando subirem ao altar, vocês não querem entregar um presente de volta para Deus? Não venham com as mãos vazias. Façam o sacrifício de tornar o seu noivado puro, para que subam ao altar com este presente para ele.

________________________

[1]. Catecismo da Igreja Católica, 2350.
[2]. Elisabeth Elliot, “Passion and Purity” (Grand Rapids, Ed. Revell, 1984), pg. 179.

You Might Also Like

0 comentários