Sete temas da Doutrina Social da Igreja



Traduzido do original por Rogério Schmitt

A doutrina social da Igreja é um rico tesouro de sabedoria sobre a construção de uma sociedade justa e sobre a vida de santidade em meio aos desafios da sociedade moderna. A doutrina social católica foi articulada por meio de uma tradição de documentos pontifícios, conciliares e episcopais. A profundidade e a riqueza dessa tradição pode ser mais bem compreendida através da leitura direta dos documentos originais. Mas aqui apresentaremos breves reflexões, nas quais destacaremos alguns temas chave que estão no âmago da tradição social católica. 

1. A vida e a dignidade da pessoa humana

A Igreja Católica proclama que a vida humana é sagrada, e que a dignidade da pessoa humana é o fundamento de uma visão moral para a sociedade. Esta crença é o fundamento de todos os princípios da nossa doutrina social. Na nossa sociedade, a vida humana está sob o ataque direto do aborto e da eutanásia. O valor da vida humana está sendo ameaçado pela clonagem, pela pesquisa com células-tronco embrionárias e pela utilização da pena de morte. A ação intencional contra civis nas guerras e nos ataques terroristas é sempre errada. A doutrina católica também nos convoca a agir para evitar as guerras. As nações devem proteger o direito à vida, buscando meios cada vez mais efetivos de prevenção de conflitos, e os resolvendo por meios pacíficos. Nós acreditamos que cada pessoa é especial, que as pessoas são mais importantes do que as coisas, e que o valor de cada instituição decorre de se ela ameaça ou estimula a vida e a dignidade da pessoa humana.

2. Família, comunidade e participação

A pessoa não é apenas sagrada, ela também é social. O modo pelo qual organizamos a nossa sociedade – na economia e na política, no direito e nas ações do governo – afeta diretamente a dignidade humana e o poder dos indivíduos de crescer em comunhão. O casamento e a família são as instituições sociais centrais, e devem ser apoiados e fortalecidos, e não combatidos. Nós acreditamos que as pessoas têm o direito e o dever à participação social, buscando juntas o bem comum e o bem estar de todos, especialmente dos pobres e vulneráveis.

3. Direitos e responsabilidades

A tradição católica ensina que a dignidade humana pode ser protegida e que uma saudável comunidade pode ser atingida somente se os direitos humanos forem protegidos e as responsabilidades cumpridas. Portanto, cada pessoa tem direito fundamental à vida e àquilo que é necessário para a decência humana. Correlatos a esses direitos, há também deveres e responsabilidades – uns com os outros, com as nossas famílias e com a sociedade em geral. 

4. Opção pelos pobres e vulneráveis

Um teste moral básico é constatar como vivem os nossos membros mais vulneráveis. Numa sociedade marcada por divisões crescentes entre ricos e pobres, a nossa tradição nos recorda o Juízo Final (Mt 25, 31-46), e nos ensina a priorizar as necessidades dos pobres e vulneráveis.

5. A dignidade do trabalho e os direitos dos trabalhadores

A economia deve estar a serviço das pessoas, e não o contrário. O trabalho é mais do que uma maneira de ganhar a vida, ele é uma forma de participação contínua na criação de Deus. Se devemos proteger a dignidade do trabalho, então devemos respeitar os direitos básicos dos trabalhadores – o direito ao trabalho produtivo, a uma remuneração decente e justa, à organização e à filiação sindicais*, à propriedade privada e à livre iniciativa econômica**.

6. Solidariedade

Nós somos uma única família humana, sejam quais forem as nossas diferenças nacionais, raciais, étnicas, econômicas e ideológicas. Nós somos os cuidadores de nossos irmãos e irmãs, estejam onde estiverem. O amor ao próximo ganha dimensões globais num mundo cada vez menor. O cerne da virtude da solidariedade é a busca da justiça e da paz. O Papa Paulo VI ensinava que os que querem a paz devem trabalhar pela justiça. O Evangelho nos chama a promover a paz. O nosso amor por todos os nossos irmãos e irmãs exige que promovamos a paz num mundo cercado por violência e conflitos. 

7. Zelo pela criação de Deus

Nós demonstramos o nosso respeito pelo Criador sempre que protegemos a criação. O zelo pela terra não é apenas uma palavra de ordem, é um requisito de nossa fé. Nós somos chamados a proteger as pessoas e o planeta, vivendo a nossa fé num relacionamento com toda a criação divina. Esse desafio ambiental tem dimensões morais e éticas fundamentais, que não podem ser ignoradas.

Este sumário é somente um ponto de partida para os que se interessam pela doutrina social católica. Para se chegar a uma compreensão plena, é preciso conhecer os documentos pontifícios, conciliares e episcopais que constituem esta rica tradição.

Notas Nossas:
* Há uma referência à organizações de trabalhadores livre de ideologias, algo difícil atualmente.
** Livre iniciativa econômica não deve ser confundida com liberalismo. Sobre isso indicamos este texto do Prof Carlos Ramalhete.
- Aqui no blog começamos a estudar o compêndio. Aqui.

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