Não fique só olhando… Sinta como é a vida sem tecnologia!

Por Garrett Johnson. Traduzido do original por Rogerio Schmitt. Grifos nossos.

A fotógrafa Niki Boon reside atualmente numa propriedade rural de 40 mil metros quadrados na Nova Zelândia. Ela explica: “Os meus filhos não vão à escola, e vivem sem televisão ou aparelhos eletrônicos modernos. Esse estilo de vida pode parecer fora do convencional para alguns, mas eu estou aqui para celebrar o lugar mágico em que escolhi viver com a minha família” (Fonte: MyModernMet). 


“Eu acredito que a vida pode ser documentada com honestidade crua, e que existe beleza na simplicidade. Sou inspirada pelo dia a dia, pelos momentos e por seus detalhes. Acredito que é dentro do prosaico que achamos as conexões, os relacionamentos e a essência das nossas famílias, da nossa história. É isso que nos eleva, nos sustenta e nos mantém equilibrados nos tempos difíceis. É isso que tento capturar nas fotografias. Imagens que nos recordarão não somente de como eram as nossas vidas, mas de como nós a sentíamos” (Niki Boon). 


A sociedade moderna se vergou ao mito do conforto. Esse mito promete que tudo está ao nosso alcance. Fácil, simples e tranquilo. Se queremos algo, procuramos e encontramos. Preferimos a comodidade à descoberta.

Nesse sentido, as crianças transbordam de sabedoria. Elas não suportam ficar paradas. A mediocridade simplesmente não faz sentido para elas. Elas não querem equilíbrio, elas querem grandiosidade! O tédio é o seu maior pesadelo. E a descoberta, a única coisa que não se encaixa na agenda, mas que torna o dia digno de ser vivido.







Há, decerto, muitos elementos benéficos na tecnologia moderna. Mas ainda assim podemos perguntar: qual foi a última vez em que aceitamos levar umas picadas de mosquito na espera daquela estrela cadente no céu noturno? Qual foi a última vez em que usamos as nossas pernas, e não um monitor sensível ao toque, para descobrirmos a vida por um ângulo novo? Qual foi a última vez em que nos sujamos ou ralamos a nossa pele somente por alguns respiros de ar fresco? Não tem a ver com prazer sensível. Tem a ver com a redescoberta da emoção autêntica e da capacidade de sentir, essa capacidade fascinante que toca cada parte de nossos corpos e que permite que nos abramos para as maravilhas do mundo ao nosso redor.


Por que nos dedicamos tanto à inserção na realidade virtual, quando a realidade verdadeira tem maravilhas que em muito ultrapassam as palavras-chave da base de dados do Google? Não será porque perdemos o contato com a nossa própria criatividade, com as nossas próprias riquezas originais? Onde foram parar a beleza e o deslumbramento que jorram de dentro? Desde quando passamos a crer que um jogo de iPad é melhor do que fazer bolhas no refrigerante ou do que ouvir contos de fadas contados por nossos pais? 

Em média, cada pessoa olha para o seu celular cerca de 85 vezes todo dia. O que aconteceria se decidíssemos olhar nos olhos de quem nos ama e admirarmos a sua beleza e o seu mistério 85 vezes a mais todo dia?








A nossa intolerância à dor quase sempre nos torna ainda menos sensíveis às alegrias e aos prazeres das nossas vidas. Tomamos a montanha russa da vida e tentamos transformá-la numa calçada de passeio. Qual o resultado? Tédio. Aquele sentimento que nos invade quando tiramos do mundo tudo o que é original e particular, o tingimos com os nossos medos e o banhamos com as nossas demandas. 


Isso se aplica ainda mais aos altos e baixos dos nossos relacionamentos com os outros. Se, constantemente, preferimos a comodidade à descoberta, e a mediocridade à admiração, que chance nós temos de acordar todo dia e descobrir coisas realmente novas e admiráveis nas pessoas que amamos?







Essas fotografias são repletas de surpresas e de emoções. Elas são “cruas”, como Nikki Boon gosta de dizer. Elas não escondem nem o seu deslumbramento e nem a sua dor. Cada novo dia é uma descoberta, uma primeira vez, um momento para despertar e ver o mundo de um ângulo diferente.








Mais do que satisfazer os nossos desejos, muitas vezes a tecnologia busca domesticá-los e submetê-los a si própria. Entretanto, o caminho da fé é, em certo sentido, o oposto. Ele é o caminho que aprende a desejar autenticamente. Ele busca inflamar o desejo e a expectativa pelo amado. Ele rejeita o equilíbrio (no sentido medíocre), e abraça as tensões próprias da Verdade, da Beleza e da Esperança.


Quando Jesus nos convida a ser como crianças, acho que ele nos pede um coração pleno de desejo. 

“Desejo de ver: Fé. Desejo de possuir: Esperança. Desejo de amar: Caridade. Por meio da expectativa, Deus aumenta o desejo. Por meio do desejo, ele esvazia as nossas almas. Ao esvaziá-las, ele as torna mais capazes de recebe-lo” (Santo Agostinho).

Somos gratos à fotógrafa Nikki Boon por compartilhar com o mundo o seu talento e a sua visão maravilhosos – assim como pela permissão de publicar as suas fotos no Catholic-Link. Veja mais imagens e em tamanho maior no post original.

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