Algumas palavrinhas sobre homens, mulheres e a "pessoa certa"



Nestes últimos dias estou lendo o best-seller “Homens são de marte; Mulheres são de Vênus”, de John Gray. Sim, eu também tenho um pé atrás com livros que fazem sucesso entre o povão. Mas, por indicação de uma amiga e de sua psicóloga (bem experiente no ramo), resolvi dar uma chance. O autor é terapeuta de casais há mais de 30 anos e coloca, com base em sua experiência, que homens e mulheres são muito diferentes, e que essas diferenças muitas vezes são determinantes no sucesso ou insucesso de um relacionamento. É claro que temperamento, personalidade, predisposições orgânicas, ambiente, história de vida e afins diminuem ou acentuam as diferenças sexuais. Mas entender o sexo oposto e saber lidar com as diferenças – em suas diversas graduações a depender de cada pessoa – é algo muito importante e quase esquecido ultimamente. Se perdemos de vista esse entendimento de diferenças, perdemos de vista uma oportunidade de crescimento e complementação, e caminhamos para aceitação de disparidades, como a ideologia de gênero. O resultado é uma negação de nossa natureza e uma perda das singularidades e potencialidades de nossa identidade.

Lendo este livro, fui lembrando de várias vivências e histórias de amigas. Nós, mulheres, somos muito boas em nos doarmos. Queremos resolver o problema de todo mundo, dar conselho que não nos pediram, e assumir papeis que não nos cabe. Desde que comecei o programa na Rádio Vox e fui estudando mais sobre relacionamentos, fui observando na minha vida e na vida das mulheres ao meu redor como temos a tendência de assumir papeis que são dos homens, simplesmente porque queremos, com nossos próprias forças, fazer o relacionamento dar certo. A Ma Kamiroski, quando fez o vídeo “Desigualdade de Gênero” se baseou no livro de John Gray (“diga-se de passagem”, como diria o Craque Neto, o título é para chamar a atenção dos ideólogos de gênero! Hehe é claro que Marcela fala das diferenças entre os sexos, pessoal!). Lá no vídeo ela comenta o que Gray explica melhor no best-seller: enquanto nós, mulheres, gostamos de falar falar falar, colocar o que sentimos para fora, especialmente quando estamos mal, os homens gostam do silêncio, do isolamento. Nós achamos que dar amor é você se preocupar com a pessoa; os homens se sentem amados se eles percebem que você confia neles. Nós queremos ajuda de outras pessoas para resolvermos conflitos. Os homens acham isso uma fraqueza e querem resolver tudo sozinhos.

Quando ainda estamos no namoro, ou no tempo de amizade, tendemos a interpretar o silêncio ou a autonomia masculina como algo ruim. Acabamos, por causa de nosso senso de doação, tomando atitude de falar com o cara, encontrar os problemas, expor as soluções e, se bobear, chamar o cara para sair e ainda pagar a conta. Era isso o que queríamos? Não. Queremos um cara protetor, que nos abrace quando nos sentimos sozinhas, que nos escute quando tivermos problemas, que pague a conta do jantar e abra a porta do carro. Mas, por uma mescla de ansiedade com medo de não ser amada, fazemos o papel do homem e depois reclamamos que não existem mais homens de verdade no mundo.

Nessa busca e espera que vivem as solteiras, confundir papeis ou questionar a própria vocação é normal. Parece que o problema é só nosso, mas milhares de mulheres (meninas ou mais velhas) vivem esse dilema. Em momentos como esse devemos, por primeiro, reconhecer nosso valor. Não nascemos para mendigar migalhas de afeto. Somos amadas por Deus, devemos amar a nós próprias porque Deus nos ama, e devemos aceitar a espera por amor a Deus. Por que você acha que sua vocação é o matrimônio? Não é por que você acha que pode amar melhor a Deus ali? Então aguente a espera por amor a Ele também.

Dia 01 foi dia de Santa Teresinha. Quando conheci esta santinha achei-a muito “florzinha”. Falava para minhas amigas: “Eu prefiro Santa Teresa DAvila, muito mais firmeza, muito mais mulher forte”. Ok, é uma coisa feia ficar comparando santos e falando que um é melhor que o outro... A verdade é que naquela época eu não compreendia direito Santa Teresinha. Santa Teresa DÁvila é uma grandíssima santa, de uma inteligência, fé e sabedoria incríveis! Como temos que aprender com ela! Entretanto como temos, também, que aprender com a doçura e mansidão de Santa Teresinha! Bem, o que eu queria falar sobre Santa Teresinha é de um episódio de sua vida. Logo quando descobriu sua vocação, muito jovenzinha ainda, cerca de 15 anos, queria entrar para o Carmelo, mas não podia, por sua idade. Várias coisas aconteceram até que lá pelas tantas ela recebeu a carta de que iria ser admitida, mas depois de alguns meses. Esses meses poderiam ser torturantes para ela, porém a santinha viu isso como um tempo de amar a Deus. Não podemos esperar o futuro para amar a Deus, esperar estarmos casadas para amar a Deus. O amor a Deus é para o presente, para o agora, para nossos problemas do momento. O futuro Deus ainda não nos deu a graça para vive-lo.

Nesta questão vocacional, às vezes surgem dúvidas. Quando esperamos muito, e parece que nunca chega a pessoa certa, começamos a achar que entendemos tudo errado sobre nossa vocação. Também muito santos que foram para a vida consagrada pensaram que haviam entendido errado sua vocação porque demoraram para ser admitidos nas diversas ordens. É difícil nesse tempo de espera aceitar as humilhações de parecer “fracassada” ou “solteirona”; é difícil aceitar os pequenos sofrimentos da solidão; é difícil aceitar as incertezas do futuro. Todavia, “Deus sempre tem sonhos melhores que os nossos” (li isso do Scoth Hahn no prólogo de “O amor que dá a vida”, de Kimberly Hahn... Recomendadíssimo, aliás!). Algum propósito Ele tem para a espera. Como reflete Santa Teresinha, assim como uma criança não se preocupa com o que vai comer, porque sabe que sua mamãe e seu papai vão dar um jeito para ela se alimentar, também nós devemos confiar em Deus com esta fé de filho que sabe que o pai não lhe deixa faltar nada, nunca!


um pouco de zoeira para um post sério rs
E sobre a pessoa certa... Hmm, isso é um assunto bem confuso. Há anos converso com minhas amigas sobre isso. Temos várias teorias, e há diversos livros católicos com diversas visões sobre o assunto. Eu gosto muito do que dizem os autores da Teologia do Corpo: Deus sempre nos prepara alguém! Ele cuida de tudo! Não cuidaria desta área? Mas também temos de pensar que a tal “pessoa certa” não é um príncipe que um anjo nos apontou: “É ele!”. A pessoa certa é aquela que faz de tudo para crescer em virtudes com você, e fazer o relacionamento dar certo. Não adianta pensar que vamos ter uma super iluminação sobre essa pessoa (sim, para algumas pessoas isso acontece). Nem sempre os sinais que achamos que vemos são realmente sinais. É com oração, amizade e decisão que uma pessoa se torna certa. Decisão? Sim! Decisão de santidade! De crescer juntos, de se abrir à vida, de educar os filhos para o céu. O resto é parte de livro de ficção romântica. É claro que atração e sentimentos precisam estar envolvidos (não somos robôs!). Mas não deve ser só o sentimento o guia para um relacionamento, nem somente a razão. É preciso um equilibrio e um desejo mútuo de crescer em virtudes.

Lembro que no livro “Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma”, o Jason Evert conta que por várias vezes teve “certeza” que encontrou a pessoa certa, e no fim o namoro não dava certo e a moça acabava se casando com algum amigo dele. Veja quem ele encontrou, ao final, e se casou: Cristalyna! E os dois fazem um trabalho incrível! Será que com outra moça ele faria todo esse apostolado?

Em suma, a mensagem que eu queria passar é: tomemos cuidado para não assumir papeis que não nos cabem; vamos tentar estudar e nos conhecer melhor como homens e mulheres; e tomemos o propósito de amar a Deus no momento presente e confiar nos planos Dele.

Com carinho,


Leticia

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5 comentários

  1. Que texto ótimo e rico de ensinamentos! :)

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    1. Que bom que gostou, Adryana! Apareça sempre por aqui! bjs!!!

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  2. Grata pelo texto. É incrível. Lendo e fazendo pausas para conversar com Deus [Ele pediu pra vc escrever pra mim? Rs..]. Às vezes quando estamos perdidas é salutar encontrar pessoas que pensam parecido e nos ajudam a reafirmar valores com suas reflexões. Que Deus abençoe muito sua vida, Letícia! Que Nossa Senhora interceda por ti sempre.

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    1. Poxa, Thais, que alegria ler seu comentário!
      Muito obrigada! Reze por mim! E conte com minhas orações :)

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  3. Ameei esse texto , realmentr incrivel ! Temos que desvendar nosso valores haha !! Deus te abençoe e que Nossa Senhora intercerda por ti ! ❤

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