O segredo da felicidade: as obras de misericórdia e as esmolas para os pobres



Por Genevieve Philipp. Traduzido do original por Rogério Schmitt. Grifos nossos.


O dinheiro traz felicidade? Sim, de acordo com o Pe. Mike Schmitz. O dinheiro realmente traz felicidade quando o gastamos com outras pessoas. Essa atitude pode “trazer felicidade” pois ela não tem a ver com dinheiro – mas sim com gratidão, partilha e caridade. Significa ajudar o próximo em suas necessidades, surpreende-lo por meio de um atencioso presente, e a formação de comunidades positivas.

Deus é o Rei e o Criador do Universo, o que significa que Ele é incrivelmente rico, dos melhores modos possíveis. Tornando-se homem por meio de Jesus Cristo, Deus nos ensina que “trazer felicidade” nada tem a ver com dinheiro. Jesus não apenas promovia a partilha em sua pregação, mas ele é o maior dos presentes. Ele ofereceu a sua própria vida, e passou por ela ensinando o que realmente importa. Seja aceitando um presente de óleo perfumado, seja virando mesas no templo, Jesus sabia o real significado do dinheiro e dos presentes.

Num mundo cercado pelo dinheiro e pelo consumismo, é importante que nos foquemos na mensagem evangélica da partilha, em vez de nos focarmos na necessidade de aquisição de bens materiais. Partilhar é ter misericórdia com os outros (e até com nós mesmos).

Como dizia Santa Teresa de Calcutá, “As boas obras são os elos que formam uma corrente de amor”. Nesse Ano da Misericórdia, gostaria de contar o que aprendi ao partilhar com os pobres.


O anonimato é maravilhoso


Já parou para pensar no real significado de Mateus 6,3? Ali lemos que “Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”.

Quando partilhamos, é comum nos demonstrarem gratidão. Às vezes, é um simples obrigado. Outras vezes, é um prédio inteiro que recebe o nome do doador. É maravilhoso demonstrar gratidão por quem partilha, mas será que alguma vez, de propósito, você já partilhou no anonimato?

Dar esmolas é um jeito sensacional de se aprender a ser, sem saber, a resposta das preces alheias. Procure encontrar um modo de ajudar sempre que encontrar alguém passando por necessidades, desde uma família com contas atrasadas até um estranho à procura de emprego. Talvez seja uma família na sua paróquia, que pode receber a sua ajuda anônima através do sacerdote. Talvez haja uma coleta especial na igreja, na qual você escolhe doar em dinheiro vivo.

Partilhar sem que uma mão saiba o que a outra faz é uma forma de doação que não fica assinalada na lista das boas ações. É um modo de partilhar simplesmente pelo prazer de partilhar. E não pelo prazer de ter o seu nome escrito numa placa ou de receber um cartão de agradecimento pelo correio. Mesmo que você chegue a receber alguma demonstração de gratidão, seja humilde e partilhe sem esperar receber nada em troca.


O que fazer ao achar dinheiro na gaveta


Outro dia eu realmente achei dinheiro na minha gaveta das meias. Não me recordo de quando o deixei ali, mas lembro de ter pensado que poderia usá-lo nas vacas magras. Só que, quando achei o dinheiro, já não precisava mais dele. Meu pai sabiamente sugeriu que eu o doasse a alguma obra de caridade.

Talvez você não seja como eu, pois não esconde dinheiro nas gavetas. Mas aposto que, alguma vez na sua vida, você já encontrou um dinheiro que sabia ser seu (talvez ele estivesse esquecido no bolso da sua calça, e caiu na secadora), mas do qual já não precisava mais.

Se você precisa mesmo desse dinheiro, ficará tão alegre como a mulher que, na parábola bíblica, encontrou a moeda perdida. Caso contrário, se esse dinheiro extra não trouxe nenhuma alegria, então talvez seja o caso de dá-lo a alguém.

É uma boa ideia depositá-lo na caixa de doações da igreja, ou entregá-lo em outro lugar. Deixe que outra pessoa se alegre ao receber essa surpresa!


As moedas não ficam guardadas em potes para sempre


Quase todo mundo tem em casa um pote, uma xícara, um balde ou algum outro recipiente para depositar as moedas. Ao longo do dia, todo mundo junta uns trocados na bolsa ou no bolso, que só são descobertos na máquina de lavar ou quando precisamos arrumar as bolsas.

O que fazer com esse dinheirinho a mais quando o pote fica cheio? Se você não precisa dele – afinal, ele ficou ali à sua disposição por meses inteiros – alguém certamente está precisando. Faça uma doação! Há uma melhor serventia para aquele pote velho e empoeirado, do que a de ficar acumulando moedas e poeira. Acostume-se a, uma ou duas vezes por ano, contar o quanto você conseguiu juntar – e então doe para quem precisa.


Pratique a corrente do bem, mesmo sem se beneficiar dela


Existe um filme chamado “A corrente do bem”, que foi onde descobri a expressão. Um garoto é encarregado de pôr em prática uma ideia que mudará o mundo. Ele decide fazer o bem a três pessoas, pedindo que elas fizessem exatamente o mesmo.

Como nos recorda o Pe. Mike Schmitz, o dinheiro só traz felicidade quando o gastamos com o próximo. Pense em como deve ser legal a “corrente do bem”! Ela não tem necessariamente a ver com dinheiro, mas até pode!

No filme, o conceito vira um fenômeno nacional. Em vez de ficar grato a uma pessoa específica, cada beneficiário da corrente fica motivado em ajudar o próximo. Por outro lado, o autor da ação fica feliz em ajudar só pelo prazer de ajudar.

Este conceito da corrente do bem é poderoso. Posso nunca descobrir o bem que foi feito pelas pessoas a quem ajudei. Mas sempre sorrio quando ouço alguém usar essa expressão, ou quando tenho a chance de ajudar ou de receber ajuda. Pratique a corrente do bem na sua vida!


Deus sabe se partilhamos “segundo as nossas possibilidades”


Deus sabe se ainda podemos partilhar mais ou se já partilhamos demais. É por isso que somos chamados à prudência. No caso, de saber se a caridade comprometeria as necessidades familiares ou, talvez, se é você quem precisa poupar e pedir ajuda.

Todos podem dispor de tempo ou de talento. Se você é pobre ou não está podendo dispor do pouco que tem, não pense que não tem nada para partilhar. No outro extremo, se você tem dinheiro sobrando, o que pretende fazer com ele? Será que o dinheiro parado no seu banco está ajudando o próximo? Há muitos por aí que precisam dele mais do que você. Calcule o quanto tem e decida o que pode ser razoável partilhar. Não estou pedindo que se sinta culpado pelo que tem – apenas que reflita um pouco sobre o que tem para partilhar.

Na próxima vez que escutar “segundo as suas possibilidades”, não seria bom já ter pensado sobre o significado disso nas suas circunstâncias pessoais?


Os atos aleatórios de bondade são um passatempo divertido


Nossos hobbies quase sempre custam dinheiro. Se você ama velejar, é preciso comprar e manter um barco. Se você ama algum esporte, vai precisar de equipamentos e calçados apropriados. Se você costura, máquinas e materiais se fazem necessários. Se você tem tempo para hobbies, é porque você tem um emprego e, portanto, provavelmente encontra-se mais apto a ajudar do que a receber ajuda financeira.

Gostaria de sugerir que mais pessoas escolham incluir outro hobby em sua lista. Ele não precisa de espaço próprio no armário, ou de equipamentos caros. São os atos aleatórios de bondade.

Conheço uma senhora muito gentil que sempre aproveita as chances de praticar atos aleatórios de bondade. Não vou dizer o nome dela, já que ela não faz isso para se exibir. Nem sempre há dinheiro envolvido, mas já fui testemunha de quando esteve. Ela, por exemplo, pagou o almoço de um casal de recém-casados um dia após uma rápida conversa com eles. Numa outra vez, ela pagou as compras no mercado de uma senhora que teve problemas com o cartão de crédito. Nem havia tanta coisa naquele carrinho de compras, mas ajudou a alimentar aquela família.

Fique com os olhos abertos, e poderá ter a sua chance. Por exemplo, na próxima vez em que vir uma pessoa solitária no restaurante, peça ao gerente para, anonimamente, pagar aquela refeição, se você puder.


Ande sempre com um pouco do bom e velho dinheiro!


Quem ainda carrega dinheiro? Bom, eu aprendi que deveríamos. Em primeiro lugar, e se o seu cartão não funcionar ou não for aceito no posto de gasolina quando estiver viajando? Mas, em segundo lugar, como dar dinheiro aos pobres se você não anda com dinheiro de verdade?

Se eu não andasse pela cidade com um pouco de dinheiro extra, não teria conseguido ajudar as pessoas a quem entreguei aqueles pequenos valores. Não é preciso esvaziar a carteira para cada pessoa que encontrarmos, mas sequer teremos a ocasião de partilhar um pouquinho se estivermos com as carteiras totalmente vazias.

Os cartões eletrônicos são uma grande invenção moderna, mas nem sempre resolvem – exceto no preenchimento de formulários de doação para a caridade. De resto, não será possível ajudar o próximo naqueles momentos espontâneos em que decidimos partilhar, mas estamos sem dinheiro vivo.


O dinheiro não é tudo, mas, de algum modo, ele traz felicidade quando partilhado com os outros. Não nos apeguemos ao dinheiro. Quando o partilhamos com o próximo, estamos doando comida e abrigo, e até uma corrida de táxi ou gasolina para quem não consegue encher o tanque. Também estamos colaborando para uma comunidade positiva, sem nem saber os nomes das pessoas. Seja então honesto consigo mesmo: o que você tem para partilhar?




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