O que a pornografia tem a ver com o aborto?



* Texto de minha autoria originalmente publicado no portal Sempre Família.

Dias atrás recebi um e-mail de uma moça contando sua história. Sua alma está profundamente machucada porque há alguns anos viu o pai consumindo material pornográfico. Na época, o pai lhe disse que não via problema no que estava fazendo. Ela tem séria dificuldade em confiar nos homens e se sentir amada por eles. Em outra ocasião, um jovem me escreveu, contando que está sendo muito custoso se livrar da pornografia e masturbação. Não é a primeira vez que recebo mensagens de um homem cristão me contando este problema. Todos estes jovens têm em comum o fato de serem católicos e decididamente pró vida. São pessoas que estão dispostas a lutar contra o pecado e a defender a vida em todas as circunstâncias.

Estes relatos me levaram a pensar que muitas vezes não conseguimos enxergar que há uma relação muito estreita entre a pornografia e o aborto, e que é só “comprando” por inteiro o pacote da castidade que podemos verdadeiramente “defender a vida em todas as circunstâncias”.

Segundo a Pink Cross Foundation, uma ong americana que ajuda atores e atrizes da indústria pornográfica, estima-se que um terço das mulheres e 9 em cada 10 homens consomem pornografia. Pode começar com pensamentos impuros ao olhar uma foto sensual no instagram, depois passar para imagens mais explícitas em sites especializados, até chegar a vídeos considerados hardcore, com cenas de violência, zoofilia, necrofilia, pedofilia e incesto. Ou pode ser um contato via pai, amigos, e parentes desde a infância. A pornografia altera o modo como o cérebro humano vê uma pessoa, fazendo com que, para atingir o prazer sexual, o convencional já não seja suficiente. Cada vez mais o corpo quer mais, os olhos querem mais. O efeito da pornografia e masturbação no cérebro são similares ao de uma droga: viciam.

Estudos recentes da Neurologia indicam que esta sexualidade desordenada leva o cérebro a liberar grandes doses de dopamina, um neurotransmissor que nos dá sensações de prazer e satisfação. Quando a descarga deste componente começa a ser constante, o cérebro, em um tipo de mecanismo de proteção, começa a bloquear a passagem desta substância, o que resulta em um número cada vez menor da sensação de prazer. Aos poucos, a pessoa deixa de encontrar prazer na relação sexual tradicional com sua esposa ou esposo, e, a longo prazo, entra em estado de depressão, não encontrando mais prazer nas pequenas situações da vida, como estar em família ou praticar um esporte.

Outros estudos mostram que quando o cérebro se acostuma com a pornografia ou o prazer solitário, tende a passar a enxergar as outras pessoas apenas por um aspecto sexual. Isto leva o homem a se dessensibilizar perante uma mulher. Ele a vê como uma boneca inflável, um órgão sexual para servi-lo. Nada de flores, bombons e cavalheirismos. Desde crianças a maioria dos meninos encontra na pornografia o modelo de homem que deveriam ser. Para alguns isto é um contato casual precoce, para outros é um estímulo vindo de irmãos ou do pai, para outros, ainda, é a maneira que encontraram de aliviar tensões ou carências.

Na esfera dos relacionamentos, a pornografia e a masturbação, assim como a prostituição, estimulam que o indivíduo perca a capacidade de conquista, espera e conhecimento de uma pessoa. A intimidade que um relacionamento real requer, o mostrar-se para o outro, as pequenas descobertas diárias da história de vida de um casal, são difíceis de serem aceitas e compreendidas pelos viciados no sexo desordenado. O mundo “pronto” do filme pornográfico, o prazer fácil e acessível da masturbação ou da prostituição, criam uma película que impede o sujeito de enxergar outra coisa além do próprio prazer.

Quando o pai da moça do início deste texto disse que não via problema no que estava fazendo, ele estava dessensibilizado para enxergar que a mulher na pornografia que consumia poderia ser sua própria filha ou esposa. Que aquela pessoa tem sonhos, tristezas e problemas. Que pode estar ali precisando de ajuda. Quantas mulheres se revoltam contra sua natureza feminina ao se depararem com contraexemplos de masculinidade! Julgamos as feministas, dizemos que são mal amadas, mas não seriam muitas delas produtos de famílias cujos pais não foram castos? Ou que só conheceram exemplos masculinos agressivos?

Não à toa, a Igreja Católica considera a masturbação e a pornografia como pecados mortais, isto é, passiveis do inferno. Santo Tomás de Aquino classifica os pecados sexuais em ordem de gravidade, e coloca a masturbação como mais grave que muitos outros pecados – tais como a prostituição, o adultério e a sedução. A explicação é que a masturbação é um pecado contra a própria natureza humana, e abre portas para muitos outros vícios. Podemos refletir que estes vícios derivam do egoísmo de buscar o prazer próprio a todo custo, e nada mais ser importante que isso, algo muito diferente da mensagem cristã de encontrar o verdadeiro amor não em si, mas na doação pelo outro.

A melhor metáfora de doar-se pelo outro encontra-se na maternidade. Durante aproximadamente nove meses uma mãe tem seu corpo e rotina modificados, sente dores, oscila seu humor, fica emocionalmente frágil e, em muitos casos, não recebe apoio emocional ou físico em meio às alterações que vivencia. E faz tudo isso por amor, porque sabe que, apesar dos obstáculos, a criança que dela nascerá trará novo sentido à sua vida. A lógica do aborto despreza o amor, porque despreza a doação presente na maternidade.

Assim como na pornografia são desprezadas a humanidade e dignidade de cada alma, na indústria do aborto também são desprezadas a humanidade e dignidade presentes no bebê morto.

Se a Pink Cross Foundation levantou que a indústria pornográfica lucra mais que Hollywood ou companhias como Google, Microsoft, Apple, Amazon, Ebay e Netflix JUNTAS, a indústria do aborto, apesar de não fornecer números exatos, é denunciada no documentário Blood Money como altamente lucrativa. Ambos são focados em questões materialistas e são esquecidas dimensões espirituais dos envolvidos.

O aborto, assim como a pornografia, teve um incremento em sua indústria a partir da revolução sexual. Quando o sexo foi desvinculado da procriação, a contracepção e o aborto vieram para coroar o que o ato sexual passou a significar: apenas e unicamente prazer. Eliminar a dimensão de geração de uma vida, simplesmente por ela ser incômoda para o momento, revela os frutos de individualismo, egoísmo e hedonismo do sexo livre. A pornografia vem como um dos ramos destes produtos, exemplificando que o prazer a qualquer custo é superior à dignidade dos explorados sexualmente.

Ambos não deixam de ser reducionismos: reduzem a pessoa humana à subproduto do prazer de alguns. Ambos fomentam a morte: o aborto, diretamente, a pornografia, indiretamente. Basta ver o alto número de atores de atrizes pornôs que se suicidaram ou morreram por overdose de drogas. Ambos estimulam a cultura do descartável:como uma atriz da indústria pornográfica pode pensar em concluir uma gestação e valorizar a vida do bebê que carrega se ela mesma não vê dignidade em sua própria vida? Além disso, a pornografia, ao estimular a sexualidade precoce e desregrada, incentiva também que o resultado do sexo livre seja apenas o prazer, promovendo, indiretamente, a contracepção e o aborto.

Quando vemos uma mulher que não cuida do próprio corpo, não se veste bem, não se importa com sua própria higiene, esta alma provavelmente é de uma pessoa que não se ama e não se acha digna de ser amada. Quando conhecemos uma pessoa promíscua e despudorada, esta provavelmente é uma mulher que teve muitos homens maus que passaram por sua vida e não souberam mostrar a ela a dignidade que ela tem.

Um homem que trata uma mulher mal, que a usa como objeto sexual e a subjuga, não somente diminui a dignidade dela, mas também diminui a própria dignidade masculina. Isto porque é somente com a união de um homem e de uma mulher que uma nova vida é gerada, ou seja, é com a cooperação de ambos que uma sociedade se constitui. Somos gerados a partir de um homem e de uma mulher, e diminuir o valor humano de um ou de outro implica em diminuir o valor de ambos.

A cultura do sexo dissociado da procriação e do amor inclui o aborto, a pornografia e a masturbação, entre outros temas que não tratamos aqui. Se queremos lutar contra um destes itens, é preciso lutar contra todos. Imagine menos corações feridos, mais homens íntegros que assumam seus papeis masculinos, mais mulheres que sentem sua dignidade valorizada, e mais crianças com sua pureza preservada. É possível, sim. Mas, antes, é preciso decisão para sair do vício e propagar uma verdadeira cultura de vida.

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1 comentários

  1. Meu Deus. É verdade. Acho que a Igreja está perdendo um precioso tempo, quando devia postar artigos sobre estes assuntos não apenas na internet, mas principalmente na forma de folhetos que poderiam ser entregues nas ruas diretamente na mão das pessoas.

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