Resenha: "A Educação dos filhos" - Editora Katechesis



Finalmente a resenha deste maravilhoso livro da Editora Katechesis!

O livro é estruturado em nove conselhos (que se tornam nove capítulos) de Santo Antônio Maria Claret, um conselho (capítulo) de Santa Teresa DÁvila e um conselho (capítulo) de São João Crisóstomo. O prefácio é do Pe Paulo Ricardo e o prólogo do grande Monsenhor Sanahuja!

Já no prólogo, Monsenhor Sanahuja afirma que os conselhos não são um "manual de eficácia", e que antes de tudo devemos ensinar os filhos a serem amigos de Deus, isto é, rezando antes de aprenderem o que significam aquelas orações. Ele também relembra o velho ditado de raíz cristã, muitas vezes esquecido atualmente: "O Frei Exemplo é o melhor pregador". As crianças são levadas pelo exemplo que os pais dão, não tanto pelas palavras. Não adianta, por exemplo, dizer que não se pode falar palavrão quando os pais sempre o falam. Outro ponto levando pelo Monsenhor é o que muito repetimos aqui no blog: a Igreja se guia por princípios, não regras. É com as virtudes, principalmente a prudência, que vamos saber aplicar cada conselho fornecido pelo livro nas diversas situações que vivenciarmos com nossos filhos.

Vamos aos conselhos propriamente ditos?

Começamos com Santo Antônio Maria Claret nos lembrando que antes de falarmos sobre educação dos filhos, devemos falar sobre o sacramento do matrimônio. O Matrimônio é um estado santo instituido por Deus logo após a criação de Adão e Eva, confirmado no Dilúvio e elevado a sacramento pela Lei da Graça, quando Cristo tem sua paixão, morte e ressurreição! As pessoas que se acham vocacionadas a este estado têm de ter consciência do significado que tem este sacramento e - muito importante!! - se preparem da melhor maneira possível para recebê-lo, pois "os Sacramentos dão a graça segundo as disposições de quem os recebe" (p. 24). Acho que todos nós já fizemos confissões e comunhões que consideramos excelentes, que nos fortaleceram, que fizeram realmente diferença em nossas vidas, e já fizemos confissões e comunhões que pareceram que "nada mudou muito". Será que os efeitos não têm a ver com o modo como nos preparamos para confessarmos ou comungarmos? Será que não nos faltou zelo na preparação para o sacramento que recebemos? Pois, se o matrimônio é um sacramento que você receberá uma única vez na vida, é então de suma importância que nos preparemos com o máximo de empenho para que o recebamos bem!

Dizem os teólogos (como Santo Agostinho) que os bens do matrimônio são três:
- Bonum prolis: procriação e educação dos filhos (este é o fim principal do matrimônio e os casados que contrariam este fim pecam gravemente)
- Bonum fidei: guardar fidelidade mutuamente, por pensamentos, palavras e obras
- Bonum sacramenti: viver juntos até a morte

Os esposos devem se amar mutuamente, "ajudando-se reciprocamente um ao outro para sua santificação com a prática das virtudes e bons exemplos" (p. 37). É por isso que para contrair matrimônio há de se ter livre vontade dos dois envolvidos, pois as graças que emanam do sacramento, e a necessidade de ambos se amarem e se ajudarem, não deve ser um peso, mas uma escolha renovada diariamente por ambos e perpassada pela graça de Deus.

A partir destes fundamentos, educar os filhos de uma maneira santa é uma das consequências da vivência cristã do casal. Santo Antônio Maria Claret aconselha que um bom momento para passar ensinamentos morais aos filhos é, por exemplo, após o jantar, quando todos estiverem reunidos na sala, talvez contando uma história, talvez usando-se de algum caso.  A repreensão, segundo o santo, também deve ser mais nas faltas que são pecados (faltas espirituais) do que nas faltas materiais (quebrar um vaso, por exemplo). No nosso mundo materialista, procuramos brigar mais com as crianças quando elas não vão bem na escola do que quando falam mal de alguem; preferimos repreender mais quando se lambuzaram de comida do que quando nos foram desobedientes. Preciamos nos lembrar, alerta o santo, que devemos educar nossos filhos como na história de Moisés: e se nossos filhos fossem filhos de um rei que nos mandou cuidar da educação deles, como procederíamos? Pois nossos filhos são filhos de Deus, e a educação deles é obrigação dos pais (algo que também afirma Santo Tomás de Aquino); seremos cobrados pelo destino eterno deles. Cuidado!

Quando for repreender, que não seja com ira, mas com amor. "Por isso, devem os pais não estar zangados quando corrigirem seus filhos; é preferível deixar passar alguns defeitos quando não são de transcendência, do que fazer como certos pais imprudentes e impacientes, que sempre estão aos gritos e ameaçando de pancadas aos filhos. Isto só serve para provocar, e não corrigir; indo, aliás, de encontro ao conselho do apóstolo que disse 'Patres, nolit provocare ad iram filios vestros'" (p. 68).
O castigo pode ser com palavras e privações (de brinquedos, de sobremesa, de passeios, etc). Sempre que os pais prometerem algo, seja um agrado ou castigo, devem cumpri-lo, para que os filhos os levem sempre a sério.

O conselho de Santa Teresa poderia ser resumido em: observar para que os filhos tenham boas companhias! A santa, em sua juventude, sofreu e quase desviou-se com o contato que teve com certos divertimentos devido às más companhias que teve por um período. É por isso que é importante os pais conhecerem os amigos dos filhos e saberem os divertimentos que estes frequentam.

São João Crisóstomo aconselha a, desde pequenos, instruir os filhos em virtudes, especialmente ensinando-os a serem temperados e equilibrados, a velarem pela oração e a "pôr o sinal da cruz em tudo que digam ou façam" (p. 95). 


O livro pode ser adquirido pelo site da Editora Katechesis.


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