Todas as mulheres são chamadas a serem Maria no coração da igreja

Por  Tamiles Batista Santos

Estudante do curso de extensão em Teologia pela Pontífice Universidade Católica de Salvador, Jequié-Bahia, e-mail: tamilesbatista16@hotmail.com




Muitas pessoas que não conhecem, nem participam da igreja católica se perguntam por que uma mulher não pode celebrar uma missa, ou porque uma mulher não pode absolver os pecados, ou mesmo, porque uma mulher não pode representar a igreja sendo uma “Vigaria de Cristo” (Papa). Estas pessoas começam a questionar a igreja como se ela estivesse colocando a mulher abaixo dos homens e sendo uma machista, preconceituosa. Muitas pessoas mesmo participes da igreja, pensam da mesma forma, que a igreja é cheia de estereótipos que tem mulher como “marginalizada” e “submissa”. 

Para auxiliar a responder tais questões, é preciso voltar ao princípio e entender como Deus constitui o homem e a mulher. Muito clara e disseminada mundo afora que primeiro Deus fez o homem e de sua costela fez depois a mulher, sem que as pessoas busquem entender o significado da criação utilizando-a apenas como desculpas para uma diminuição cega do gênero feminino, porém, o que poucas pessoas se atentam é que ” Deus os criou a sua imagem, homem e mulher a imagem de Deus os criou” Gêneses 1, 27. Deus cria ambos como seres iguais a ele mesmo, iguais em amor e cumplicidade. São filhos de um mesmo Deus e criado para “administrarem” juntos o paraíso. Deus os cria em iguais direito de dignidade enquanto pessoas humanas, para uma ajuda reciproca, não sendo um para ser grande e outro menor, mas, para que ambos tenham uma vida de ajuda mutua, administrando o paraíso cada qual com sua função (CIC prg 369). Perceba que Deus os cria com direitos iguais e funções diferentes. 

O homem e a mulher são feitos um para o outro para terem uma comunhão plena, e em várias situações Deus coloca a necessidade do homem ter uma companhia que lhe seja favorável e que com ele possa compartilhar de tudo o que o seu Senhor os deu, “não é bom que o homem esteja só farei para ele uma ajuda que lhe seja adequada” (Gêneses 1,18) e quando viu a mulher que Deus havia feito, o homem não pensou nela como uma coitada que estaria ali para satisfazer unicamente suas vontades, até porque o homem como imagem imaculada de Deus não tinha pensamentos impuros, ele disse admirado que aquela mulher era ossos dos ossos dele e também era carne de sua carne (Gêneses 1,23) sendo que a partir de então todo homem deixaria a casa de seus pais e se uniria a uma mulher para formar com ela uma família e ser um em carne e espirito novamente como o fora no princípio. Desta forma podemos nitidamente observar que Deus não cria mulheres para serem apenas “procriadoras”, mas, para que em igualdade de direitos perante Deus assumam sua função na construção do reino. 

Em muitas passagens bíblicas quando se olha para as mulheres que ali são mencionadas percebe-se que a fragilidade não pode e nem deve ser sinônimo de fraqueza, elas são mulheres que guerreiam principalmente com suas orações e joelhos no chão. Mas, quando precisam empunham as armas que Deus as conceder, como no antigo testamento, em que Judite salvou seu povo dos algozes que Nabucodonosor mandou para toma-los (Judite 13, 1-ss). Ainda como exemplos de grandes mulheres estão Ester, Debora, Suzana e muitas outras que se doaram a Deus e são exemplos da força, coragem, oração e confiança no Senhor. 

Tomando o novo testamento, é possível ver ali exemplos de grandes mulheres que souberam ser igreja, mulheres que acreditaram em Deus acima de tudo e nunca perderam a esperança. Isabel foi uma grande mulher por ser idosa, estéril e ainda assim acreditar que poderia ter um filho. E, não sendo menor que nenhuma outra mulher bíblica ou não, mas, sendo maior que todas as mulheres e santos, está a Senhora Rainha da terra e do céu Maria mãe de Jesus, o exemplo maior de mulher, esposa e mãe. Maria era apenas uma menina e também noiva ao saber que seria mãe do Salvador, ela não sabia o que lhe aconteceria depois que dissesse seu sim, mas, ela confiou e o disse. Ela sempre foi aquela mulher que silenciava e guardava no coração. O exemplo de mulher que poucas querem ser hoje em dia, a que não faz gritaria, mas, guarda e ora, espera uma resposta do Senhor e agi no momento certo. Maria, criou Jesus ensinando-o a ser temente a Deus e a saber distinguir o que era bom do que era mal (Isaias 7, 14-ss). Maria foi a educadora e assim também as mulheres são chamadas a serem dentro de suas igrejas domesticas, dos templos em que estão, dos locais de trabalhos e estudos, Marias que geram Jesus e o levam ao outro sem corruptibilidade. 

Maria de Nazaré sendo mãe e também primeira discípula de Cristo, soube falar no momento em que precisava (João 2, 1-ss) pois, ela tinha ouvido capazes de ouvir a voz de Deus e coração generoso capaz de sentir a dor e falta do outro e deste modo interceder a quem poderia mais que ela agir e proporcionar a alegria e a vida e, quem senão o próprio filho. Sendo o exemplo de perfeição de mulher dentro da igreja, Maria soube ser primeiro igreja, soube ouvir seu filho não apenas como mãe, mas, como discípula e anunciadora, ela que nunca retinha em si nenhum tipo de brilho ou “holofotes”, mas, que sempre estava apontando “Façam tudo o que ele vos dizer”. Está é a mulher dentro da igreja, uma mulher que não exalta sua própria beleza, luz ou sabedoria, mas, uma mulher que aponta para o Cristo e deixa que o vejam através dela. Uma mulher que não quer ser maior ou melhor que o outro seja ele um próximo, seu marido ou padre. A mulher que criada para auxiliar o homem está cumprindo seu papel de auxiliadora naquilo a que ela fora reservada a fazer. 

A igreja não quer ter mulheres subestimadas ou mesmo mulheres que se calam por não terem deixando que elas falem- a igreja não faz isso. A igreja quer mulheres autenticas que saibam falar sim, mas, que saibam e queiram principalmente calar e ouvir a voz de Deus. E, só então, assim como Maria, se for necessário chamar a atenção para o erro e dizer que não é este o caminho que o Senhor quer que sigamos. Santa Catarina de Sena, Doutora da igreja e grande exemplo de mulher soube ouvir o que queria o coração de Deus e sendo uma mulher brava em sua fé consegui-o convencer o Papa Gregório XI a voltar com a sede da igreja de Cristo para a capital eterna do governo cristão. Sendo ela a coluna humana que sustentou com fé inabalável a fé dos católicos quando a ilegitimidade tentou corromper a igreja santa, aconselhado e buscando ser uma representante fiel de Deus no meio do povo (R.A.E abril de 2011). 

São mulheres assim que a igreja busca e deseja, que dentro da igreja não queiram ser um padre ou um papa, mas, queiram ser Marias. A igreja segue aquilo que determinou Cristo, ele que sempre foi o mais defensor das mulheres e o que mais lhe resgatou a dignidade quando muitos de sua época- não muito diferente desta- olhava a mulher como um ser indigno. Entretanto, Cristo chamou os apóstolos que eram homens, chamou-os para serem seus representantes e estando na última ceia onde foi instaurado o Santo sacrifico e a ordem, foi dito a estes homens “fazei isto em memória de mim” (I coríntios 11, 25). 

Mulheres sejais aquilo que fostes chamada a ser por Cristo: uma perfeita imitação de Maria. Não queiras tomar um lugar que não é teu por que te dizem que assim tu terás sabedoria e honra, outra mulher já fora enganada com este mesmo argumento no início da criação e o que ela teve de retorno foram dores e vergonhas. 

Sejais como Maria que olha para o próximo com ternura e ama sem distinção. Que acolhe e silencia, que cuida e educa e que também luta pelos seus. A mulher não pode celebrar uma missa, perdoar os pecados ou mesmo ser um “Papa”, não por que a igreja ache que ela não tenha capacidade ou Espirito Santo, mas, porque este carisma não a pertence, esta missão não é da mulher. Ela, deve ser a auxiliadora, a intercessora a consoladora. Aquela que em silencio e com cuidado ver o que há de erado e sendo também profeta pelo batismo denuncia e zela pelas coisas de Deus. 

Assim sendo, a Beata Madre Tereza nos diz “ Ninguém teria sido melhor sacerdote que ela [Maria] foi. Ela podia ter dito sem hesitar “este é meu corpo’ porque ela realmente ofereceu a Jesus seu próprio corpo. E, no entanto, Maria permaneceu a despretensiosa serva do Senhor para que pudéssemos recorrer ela sempre como mãe. Ela é uma de nós e estamos sempre unidos a ela. Depois da morte de seu filho ela continuou a viver na terra fortalecendo os apóstolos no seu serviço sendo sua mãe até que a igreja jovem adquirisse forma. ” 







Referências 

Arautos do Evangelho Santa Catarina de Senna. Disponível em http://www.arautos.org/artigo/46358/Santa-Catarina-de-Sena.html acessado em 06 maio 2016. 

Bíblia, Tradução centro bíblico católico, 11º Ed, Editora Ave Maria, 1997. 

YouCat, Catecismo da Igreja Católica. 1ª Ed, Editora Paulus, 2011.

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