Por quê Santo Antônio atenderia suas preces?


No dia em que a Igreja faz memória a um dos maiores santos e doutor da Igreja, Santo Antônio de Pádua (ou Lisboa), muitas Igrejas ficaram cheias de fieis que resolveram ir à missa fazer suas orações e pedidos ao santo.

Isso porque sua fama de “santo casamenteiro” é bastante difundida há séculos. Até os dias de hoje, é só digitar no google “santo antônio casamenteiro” e aparecerão diversas simpatias para você encontrar o seu amor perfeito e casar. Existem muitas receitas simples: coloque sete rosas vermelhas em um vaso branco e, durante esse procedimento, faça seu pedido ao santo. Depois, é só esperar que as rosas fiquem secas e, então, levar as pétalas para uma igreja em que tenham sido realizados muitos casamentos. Pronto, o próximo pode ser o seu. 

Parece fácil, não?

O engraçado é que são inúmeras as pessoas que recorrem ao “santo casamenteiro” para pedir seus “milagres”, como se o “santo casamenteiro” estivesse à disposição para atender seus pedidos.

Por quê ele te atenderia?

Antes de ser o “santo casamenteiro”, Santo Antônio de Pádua é conhecido por “martelo dos hereges”, pois lutou contra heresias que contestavam a vida, a Igreja e a natureza de Deus. Ele se preocupava muito em instruir as pessoas conforme ensina a Santa Igreja, e inclusive arriscava sua própria vida para isso. Isso nos faz pensar que, se queremos pedir algo à ele, devemos, antes de tudo, comungar dos mesmos princípios e intenções do Santo. É uma questão lógica: se você vai pedir um favor para alguém aqui deste mundo, mas tem com esta pessoa sérias divergências quanto à opiniões e modo de vida, quais são as chances de essa pessoa fazer uma gigantesca mobilização ao seu favor?

Agora, pense em Santo Antônio. Ele vê o seu modo de vida. Vê que você não cumpre todos os mandamentos da Santa Igreja. Ouve você dizer que “não concorda com tudo o que a Igreja ensina”. Você não vai à missa todos os domingos. Não se confessa com frequência. Não defende a fé católica, pelo contrário: tem ressalvas para com ela. Sabendo que Santo Antônio é o “martelo dos hereges”, que tanto pregou para ensinar o povo sobre a fé católica e tanto lutou contra os erros e distorções dos ensinamentos da Igreja, quais são as chances desse Santo ouvir as preces de um católico morno, preocupado apenas com sua pressa em encontrar um cônjuge?

Muitos são os pedidos desesperados e apressados, mas poucas são as verdadeiras conversões e mudanças de vida. Isso porque vivemos muito centrados em nós mesmos. A verdade é que muitas coisas acontecem em nossa vida apenas depois de uma mudança sincera de conduta e vivência da fé católica; depois de se abrir à vontade de Deus e se prontificar a cumpri-la. Mas temos a tendência de querer guiar nossos próprios passos e nos fechar nas nossas próprias vontades, assumindo-as como verdades absolutas.

É sabido que certa vez Frei Antônio foi pregar numa cidade, mas ninguém o queria escutar. Então Antônio decidiu falar aos peixes: “ouçam a palavra de Deus, vocês, peixes do mar...” e os peixes subiram à superfície para ouvi-lo. “Bendito seja o Deus eterno, pois peixes da água honram-no mais do que pessoas que negam sua doutrina. Os animais irracionais escutam mais prontamente a palavra de Deus do que a humanidade sem fé”. Quantas vezes fechamos nossos olhos ao que Deus nos pede? Ele nos pede uma mudança de vida; Ele não quer que sejamos mornos, mas que sejamos quentes! Não podemos ser católicos “mais ou menos”, daqueles que permanecem “em cima do muro”, para não se “indispor” com o que prega o mundo atual. Pois Antônio vem à esse mundo para reforçar a mensagem de Cristo: que sejamos homens novos, verdadeiramente convertidos ao Evangelho!

Quantos vão à missa de vez em quando e mal se dão conta da presença real do Cristo na Eucaristia? Não honram o Santíssimo Corpo de Cristo, mas recorrem ao “santo casamenteiro” à pedir seus milagres… Em uma ocasião, Frei Antônio viu-se envolvido em uma disputa com um homem que negava a Presença real de Jesus na Eucaristia. Então, Santo Antônio aceitou uma aposta. “Não acredito que a Hóstia seja o Corpo de Cristo! Mas quero desafiar-te, ó frade: se a minha mula se ajoelhar diante da Hóstia, então acreditarei”... “Aceito o desafio” –, respondeu Santo Antônio –, “Daqui a três dias, trarás a mula a esta mesma praça, diante do povo. Eu trarei a Eucaristia e o animal se ajoelhará diante do Pão consagrado”. Santo Antônio retirou-se para o convento e durante aqueles dias dirigiu-se ao Senhor com a oração e o jejum. No dia estabelecido, o "Martelo" apresentou-se com o Santíssimo Sacramento. À vista do Santo que avançava, um profundo silêncio estendeu-se por toda aquela multidão. Então Antônio, em voz alta, ordenou à mula: “Em nome do teu Criador, que trago vivo, verdadeiro, real e substancial nas minhas mãos, embora indignamente, ordeno-te, ó mula, que venhas já ajoelhar-te diante d´Ele, a fim de que estes reconheçam que toda a criação é submissa e obediente ao Cordeiro que se imola sobre os nossos Altares”. O adversário gritava com o animal e tentava-o com alimento. Mas a mula, recusando a cevada do patrão, aproximou-se docilmente do religioso: dobrou as patas anteriores diante da Hóstia e assim ficou por longo tempo. 

É verdade que os milagres sempre estiveram presentes durante a vida de Frei Antônio, e por conta disso, sua canonização aconteceu logo após a sua morte. Em sua exumação, constatou-se que sua língua estava intacta, confirmando a importância de suas pregações, ensinamentos e ferrenha luta contra heresias. Em certa ocasião, uma jovem conseguiu fazer um ótimo casamento após pedir intercessão de Santo Antônio, dando à ele a fama de casamenteiro. Não por simplesmente “juntar casais”, mas por seu compromisso com a verdade e com a importância dos sacramentos - sinais da graça de Deus - na vida do povo. Sinais que produzem frutos na vida de quem o recebe; mas o produzem à medida em que este se abre na fé, na devoção, com intensidade, sinceridade e generosidade. Antes de pedir por “casamento” à Santo Antônio, vale a pena refletir sobre o compromisso de ser católico e o real significado dos sacramentos - incluindo o matrimônio - nas nossas vidas.

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