Chiara Corbella Petrillo

Chiara Corbella Petrillo

Chiara Corbella Petrillo, uma alegre, cheia de vida e radiante jovem italiana da “geração João Paulo II”, deixou um profundo e tocante testemunho de amor a Deus, confiança e abandono à Sua Divina Providência. Casada com Enrico Petrillo, viveram a fé intensamente, com uma verdadeira e forte espiritualidade conjugal. Ela nasceu para o Céu, vítima de um câncer, no dia 13 de junho de 2012, aos 28 anos. Chiara vivera e morrera como testemunha do amor de Deus, deixando na Terra um rastro de santidade.

Chiara espalhava a alegria, a paz e a confiança em Deus por onde passava. Chiara e Enrico tiveram três filhos. Nas duas primeiras gravidezes foram diagnosticadas malformações; e ao casal foi sugerido o aborto, algo impensável para esse jovem casal cristão. Chiara levou as duas gestações até o nascimento de seus filhos. Os bebês nasceram, foram batizados e entregues ao Senhor poucos minutos após o parto. E tudo sempre com uma serenidade sem igual.

Abençoados com uma terceira gravidez de uma criança saudável, o casal louva a Deus pelo bebê que está para chegar. Chiara, porém, é diagnosticada com câncer. Ela, então, decide adiar o tratamento para preservar a saúde de seu bebê. Chiara assumiu a sua doença em favor da vida do seu filho. Quando o bebê nasceu, ela iniciou o tratamento com serenidade e confiança em Deus. Mas a doença já tinha avançado bastante.

Em todo esse tempo, são tocantes os relatos de como Chiara passou pela enfermidade, pelo tratamento, pelos longos dias de intensa dor, somente aliviada com morfina, tudo isso com uma profunda confiança e abandono em Deus, sem reclamações ou lamentos, mas, sim, com um olhar fixo em Jesus. Chiara unia seu profundo sofrimento ao do Senhor, na Cruz, e lá, junto Dele, padecia seus últimos dias, amparada pelo Amor. No livro Nascemos e jamais morreremos, a história de Chiara Corbella Petrillo, lemos um forte e tocante diálogo entre Chiara e Enrico, seu esposo. Nos seus últimos momentos de vida, Chiara está em frente ao sacrário, fitando a Jesus de forma apaixonada. Diante dessa cena, Enrico, pensando na frase de Jesus que diz: “O meu jugo é suave e meu peso é leve”, faz uma pergunta a sua esposa. “Chiara, mas é realmente suave esse jugo, essa cruz, como diz Jesus? E Chiara, sorrindo, com um fio de voz, desviando seu olhar do sacrário para o marido, responde-lhe: Sim, Enrico, é muito suave. Realmente Jesus não os enganou. O caminho é exatamente este”.

Essa Serva de Deus de nossos dias, de nossos tempos, bem como o testemunho de fé, confiança e abandono em Deus desse casal muito têm a nos ensinar em tantos aspectos. O casal Petrillo vivia a fé no cotidiano, num relacionamento diário, numa vida de intimidade com o Senhor. Cativados pelo Amor, alimentavam a amizade com Jesus, o Amor de suas almas e a fonte de seu próprio amor conjugal, no dia a dia, no cotidiano da vida. A devoção a Nossa Senhora e a São Francisco de Assis também muito os ajuda a crescer na fé, na espiritualidade e a enxergar a ação de Deus em todas as circunstâncias. Em mais de uma das passagens do livro já mencionado, vemos que as Fontes Franciscanas eram uma leitura habitual para os Petrillo. Chiara tinha uma vida de intimidade com o Senhor, aprendeu que Deus jamais se ausenta de nossas vidas, é o Amor que jamais nos abandona, faz-se sempre presente seja no nosso ‘Monte Tabor’ ou no nosso ‘Getsêmani’. E, assim, alicerçada numa fé madura e sólida, Chiara aprendeu a dar espaço ao Senhor, a permitir a Deus ser Deus em sua vida, na vida de sua família, a acolher os desígnios do Senhor mesmo sem entender. Esse casal soube aceitar a cruz e a fazer dela um caminho de santificação.

Certa vez, dando o testemunho, em uma paróquia, sobre sua primeira gestação e o nascer para o Céu de sua filha, Maria Grazia Letizia, Chiara disse: “Não estamos habituados a associar o sofrimento à felicidade. E, de fato, nós éramos verdadeiramente felizes, estávamos serenos e, por isso, ninguém podia ver no nosso rosto aquilo que estava acontecendo”. O relato de Chiara revela uma fé em Deus que foi forjada no amor mas também, e principalmente, na dor, cujo fruto foi uma fé provada, madura e coerente. É uma fé que nos constrange e nos leva, irremediavelmente, a lembrar que fomos feitos para o Céu. Essa confiança profunda em Deus e abandono ao Senhor fizeram com que a Chiara caminhasse pela dor e pelo sofrimento, por suas ‘noites escuras’, de forma serena, com a certeza de que Cristo Ressuscitado é o mesmo que passou pela cruz e pela morte. Chiara e Enrico viviam no ordinário da vida, nas escolhas e decisões cotidianas, em meio às atividades e serviços diários, com os olhos fixos no Senhor, com o foco em uma meta: o Céu. Há uma frase de Santa Gianna Beretta Molla que perfeitamente descreve essa opção de vida: “A santidade não é feita somente de sinais extraordinários. É feita, sobretudo, da adesão cotidiana aos desígnios inescrutáveis de Deus”.

Ao olhar a vida da Chiara e enxergar as cruzes e o sofrimento, podemos pensar em buscar um atalho, fugir de uma ou outra cruz na nossa vida, afinal queremos viver uma vida com sentido, plena e cheia de alegria ou, ao menos, de repetidos momentos de felicidade, não é mesmo? Cabe aqui trazer um testemunho, concedido ao site LifeSiteNews, de Gianna Emanuela, filha de Santa Gianna Beretta Molla, que muito nos ensina sobre o real sentido da cruz e da perfeita alegria, assim ela disse:

O caminho da cruz, humanamente [falando], é o caminho mais incômodo e difícil de seguir. Mas é o único caminho que nos permite [encontrar] um sentido total e completo para as nossas vidas. O caminho da cruz, como se sabe, está ligado à ressurreição, como o nosso Jesus nos ensina. Esse caminho de cruz requer o nosso ‘sim’, o nosso contínuo ‘sim’ à vontade de Deus, sempre, mesmo quando não entendemos a vontade de Deus. Nós temos que dizer o nosso ‘sim’ a Deus”. A vida de mamãe e de papai também me ensina que o caminho da cruz é também o caminho da alegria. Que tipo de alegria? A mais perfeita alegria, o prelúdio para a maior alegria – ser capaz de um dia ter a alegria do paraíso, de estar diante de Deus, para sempre.

Outro ponto que chama muito a atenção, mostrado no livro Nascemos e jamais morreremos, é a história de amor do casal Petrillo. A princípio, se imaginamos como se passou o namoro dessa Serva de Deus, podemos ter a tendência de pensar que essa fase do relacionamento da Chiara e do Enrico foi totalmente serena, tranquila, sem muitas dificuldades, um conto de fadas. Porém, não foi assim que aconteceu. O namoro deles passou por momentos difíceis, com conflitos, turbulências e rompimentos. Conforme descrito no livro, percebemos como a Chiara sofreu nesse tempo, foi um período de grande dor na vida dela. Em um determinado trecho do livro, os autores assim narram: “Os esposos somente são capazes de doar-se por completo se antes aprenderam a dizer-se tudo, a deixar nu o próprio coração, a fazer o outro entrar em sua própria história e enfrentarem juntos as dificuldades. (...) Chiara tem medo de mostrar-se como realmente é (...). Enrico, de sua parte, teme perder as pessoas que ele ama”. Os medos de Chiara e Enrico foram grande empecilho ao desenrolar do namoro dos dois. Ela tinha medo de se revelar a Enrico, de ser autêntica, com o receio de que se ele a conhecesse de verdade pudesse não gostar dela. Ela já o amava e sofria só de pensar na possibilidade de perdê-lo. Com a ajuda de um diretor espiritual, o padre Vito, Chiara começa a entender a frase de São Francisco de Assis que diz: “o contrário do amor é a posse”. E percebe que tudo é dom de Deus, nada é nosso. E, assim, ela aprende a descansar e esperar em Deus, a dar espaço à ação de Deus em sua vida.

Após um período de separação e depois de muita conversa e oração, o casal reatou o relacionamento. Enrico tinha receio de amar e sofrer por amor, mas compreendeu que “só valia a pena viver se estivesse disposto a amar verdadeiramente”, razão pela qual sentiu a necessidade de ele também buscar o auxílio de um diretor espiritual que o ajudasse a curar esses medos, a percorrer esta vida, por vezes tão cheia de incertezas, com a lâmpada da confiança e do abandono à Divina Providência. “A lógica é aquela da cruz: entregar-se primeiro, sem nada pedir ao amado, chegando finalmente ao dom radical de si mesmo”.

Muitas escolhas na nossa vida não são fáceis, é preciso muita reflexão e, principalmente, oração, para então decidirmos. O essencial é tudo antes passar pela oração, por Deus, buscar em tudo a vontade do Senhor. Não há garantia nessa vida para quase nada; há, sim, a certeza do cuidado de Deus e de sua Providência, que jamais falha. Nesse sentido, vemos que quando chegou o momento na vida da Chiara e do Enrico de dizerem o sim, algo fundamental foi saberem que estavam caminhando segundo a vontade de Deus. “O que mudou tudo foi terem adotado uma perspectiva diferente: ‘A única coisa extraordinária consiste em sermos filhos de Deus. Devemos apenas fazer a escolha: podemos crer em um Pai que nos ama ou continuar a pensar que a vida seja um acaso’”.

Chiara e Enrico Petrillo viveram um forte e profundo amor, sinal do amor de Deus em suas vidas. Há uma bela citação do Venerável Fulton Sheen que reflete perfeitamente o amor dos dois e assim diz: "Amo-te, não segundo a minha vontade, mas segundo a de Deus. Se no amor tu me procurares a mim somente, não encontrarás nada; mas se por meio de mim procurares Deus, encontrarás tudo, uma vez que, repito, é necessário sermos três para amarmos: tu, eu e Deus!”. Um amor tão grande que segue gerando vida, frutos e filhos espirituais.

A vida Chiara é um belo testemunho cheio de amor, confiança e verdadeiro abandono em Deus. É, sem dúvida, luz e sal para este mundo.

“O importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar.” (Frase no túmulo da Chiara)

 Serva de Deus Chiara Corbella Petrillo, rogai por nós!

 Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Formada em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduada em Revisão de Textos, servidora pública. Conheceu a Teologia do Corpo (TdC), as catequeses sobre o amor humano no plano divino, de São João Paulo II, e se apaixonou pelo assunto. Em 2013 conheceu alguns membros do Apostolado Nacional da TdC e, desde então, caminha com eles no estudo e na divulgação dessas catequeses. É membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília e administradora da página, no facebook, e do instagram da Teologia do Corpo Brasília.

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Já temos 3 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Itamara Monteiro

Itamara Monteiro

Que profundidade ! Já conhecia a história da Serva de Deus Chiara, mas a autora do texto conseguiu passar um amor tão profundo através das palavras. Uaaaaaaaau , Deus te abençoe Dayane !
★★★★★DIA 02.01.18 17h31RESPONDER
Dayane Negreiros, Letícia B
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Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Itamara, que lindas e generosas palavras. Bendito seja Deus. Amém. Reze pelo nosso Apostolado, por favor. Que Deus a abençoe. Beijo!
★★★★★DIA 02.01.18 20h31RESPONDER
N/A
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Ramon Negreiros

Ramon Negreiros

É perceptível a profundidade do conhecimento e do amor que a autora do texto tem sobre o tema. Eu me senti lendo um livro de espiritualidade patrística, parabéns!
★★★★★DIA 31.12.17 18h06RESPONDER
Letícia B, Dayane Negreiros, Arthur Jácome
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