Claudia Leite, modéstia e tolerância

Claudia Leite, modéstia e tolerância

No último Teleton ocorreu um incidente no mínimo desconcertante. O apresentador Silvio Santos, ao cumprimentar a cantora Cláudia Leite, fez comentário de que não a abraçaria porque isso o deixaria excitado. A cantora até tentou desconversar, mas o rumo da conversa só foi piorando, até que, por fim, puxando a barra de sua mini-saia, Cláudia disse que 'ia ali vestir uma calça'.


Vamos combinar que o bom senso nunca foi o forte do Silvio, mas acredito que ele foi sim infeliz com sua brincadeira. Além de levar Cláudia ao constrangimento, havia o agravante de que o programa tem público infantil. Há razões, então, para condenar Silvio. Mas queria puxar o foco agora para repercussão quanto à Cláudia e sua roupa.


Dentre os comentários, vi dois extremos: 1- aqueles que se aproveitaram da babaquice do Silvio para concluir que mulher não tem que dar satisfação alguma da forma que opta por se vestir e, 2 - aqueles que disseram que Cláudia, ao se vestir como se vestiu não se deu ao respeito e, por isso, mereceu o comentário maldoso. Minha posição, no entanto, não se encaixa com nenhum desses lados.


Para melhor explicar, tem três premissas básicas que gostaria de explicitar. Primeiro é a de que todo ser humano, igual em dignidade, merece ser respeitado. Segundo, a de que a modéstia é uma salvaguarda de nossa intimidade e, como tal, resguarda também essa nossa valorosa dignidade. E, terceiro, temos que ter em mente que nossa liberdade de escolha traz consequências, sendo a noção de responsabilidade pessoal importante.

 

Dito isso o que entendo é que não é por conta da existência de assédio e de comentários maldosos que devemos nos vestir com modéstia. Buscamos a modéstia porque ela nos engrandece enquanto seres humanos, ordenando nossos atos exteriores de modo a fazer-se notar o que se deva notar, por ser constitutivo de nossa personalidade, e esconder aquilo que se deva esconder, por fazer parte de uma intimidade. Ainda que não houvesse mais desrespeito nesse mundo, continuaríamos a defender a vivência da virtude da modéstia. O que implica, claro, que mulheres e homens cuidem devidamente de sua vestimenta para não se vestirem vulgarmente.


Assim como um erro não justifica outro erro, episódios como esse não legitimam a vulgaridade. Continua sendo triste que algumas mulheres se prestem ao papel de usarem roupas que as objetificam.


No mundo em que vivemos, cheio de desordem, infelizmente situações como essa acabam se tornando corriqueiras. A culpa não é da mulher que veste roupas impróprias. Mas sabendo esta que existem homens mal intencionados e ainda assim se prestam o papel de optar pela indecência, acaba ela por assumir o risco. Desculpa, não queria que fosse desse jeito, mas é uma realidade de nossa sociedade. Famosas como Claudia Leite deveriam ter maior consciência disso e dar melhores exemplos, ao invés de banalizar mais essa indecência. 


Afrontas, como gostam de promover certos grupos feministas, são incapazes de solucionar esse problema. Para mudar de fato, seria preciso uma real educação que promova virtudes nos homens. É preciso que se diga que nem de longe a brutalidade e a imoralidade são sinais de masculinidade. Pelo contrário, são sinais de fraqueza e frustração. Masculinidade tem mais a ver com senso de responsabilidade. A força masculina não existe para oprimir/coagir, mas sim para estar a serviço da proteção e da ordem. E mesmo assim -sejamos realistas-, sempre existirão babacas a adotarem atitudes ultrajantes.


Agora vamos à outra face da moeda. Também é preciso frisar que a falta de virtudes de alguém não funciona como permissão para agir com desrespeito para com esta pessoa. Aplicando nesse caso: se uma mulher opta, por imaturidade, a usar roupas que exploram o seu corpo, a postura do homem deve continuar sendo de respeito. Não é porque alguém não se dê valor que não o mereça. Afinal, a dignidade é intrínseca a pessoa e a postura que ela assume não afeta essa verdade.


Bem, espero ter sido clara, pois sei como esse tema é polêmico. Sou defensora da modéstia por acreditar que esta preza bem por nossa dignidade, mas defendo que quem opta por não vivê-la também merece respeito, como não poderia ser diferente.

Letícia Braga

Formada em Direito pela Universidade Federal do Ceará e administradora do Blog Miss Modéstia. Considera-se uma perseverante na luta pela santidade e acredita que a formação humana e doutrinal pode mudar o mundo para melhor.

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