Comemorando 50 anos de publicação da encíclica Humanae vitae: reflexões acerca da transmissão da vida e o contexto atual

Comemorando 50 anos de publicação da encíclica Humanae vitae: reflexões acerca da transmissão da vida e o contexto atual

Em 25 de Julho de 1968 o Papa Paulo VI publicou a tão esperada encíclica Humanae vitae. Esperada porque de fato havia uma expectativa a respeito do posicionamento da Igreja sobre a regulação da natalidade, uma vez que a época era de revolução sexual em seu auge, e o mundo vivia a descoberta da “maravilha” da “pílula perfeita” que impedia a gravidez que, além de propiciar a tão sonhada liberdade sexual, ainda “resolveria” o “problema” da superpopulação.

Depois de avaliar relatórios elaborados por uma comissão especialmente criada para estudar prós e contras relacionados ao controle da natalidade e o uso de métodos artificiais, o Papa Paulo VI escreveu a encíclica, posicionando-se contra o uso de contraceptivos, esterilização e aborto, além de explicar o desígnio de Deus para o matrimônio. Ele não deixou de mencionar que a Igreja, sob a luz da Tradição e da Sagrada Escritura, tem responsabilidade e autoridade para interpretar o assunto e orientar sobre ele. É claro que a encíclica não foi bem aceita pela sociedade, bem como por parte do clero, que desde então taxa este documento histórico, bem como a Igreja em geral, de antiquada.

Neste ano em que comemoramos os 50 anos desta publicação, vale a pena parar para pensar no que este grande papa escreveu. Paulo VI aborda no início da encíclica que a transmissão da vida é um “gravíssimo dever”. Mas o que vemos hoje? Vemos um senso comum dizer que ter filhos é caro e trabalhoso. A sociedade diz que você precisa pensar no que é melhor para você, para a sua carreira e economia, que você precisa priorizar seu conforto e investir no seu grau de instrução. Diz também que os filhos atrapalham a sua carreira e estragam o seu corpo. Diz que você é capaz de controlar sua vida e que Deus não tem nada a ver com isso. E então, passam-se anos e anos nos quais a grande maioria dos casais utilizam de métodos artificiais de controle de natalidade, até que resolvam ter um filho.

Quando chega esta decisão, não é raro vermos o drama de casais que tentam engravidar e não conseguem. E aí se vão mais alguns bons anos até que o grande sonho da maternidade/paternidade se realize. Talvez não tenham sido orientados ou simplesmente não quiseram parar para pensar nos riscos residuais decorrentes de anos e anos de utilização da pílula. Ou que a pílula pode mascarar algum problema de saúde reprodutiva da mulher.

Outros, então, veem o seu sonho se realizando: decidem-se por ter um filho assim como decidem por comprar um carro ou uma casa. Ou decidem-se por ter um filho porque este “salvará o casamento”, que anda em crise. O filho, tantas vezes, é tido como um mero objeto, que é comprado quando convém ao casal. Será que não é por conta desse egoísmo de ver o filho como um “bem” que você “adquire” quando tem vontade - e depois delega sua educação porque sua carreira vem em primeiro lugar - que vemos tanta degradação moral?

O “gravíssimo dever de transmitir a vida humana” está longe do que vemos na sociedade atual. Paulo VI ressalta que este dever é um chamado ao casal para serem colaboradores do Deus Criador. "Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra" (Gen 9,1). Transmitir a vida não é simplesmente um direito, mas um dever, porque faz parte do projeto de Deus. Na sua fecundidade, o casal vive o seu amor em plenitude, que não se fecha em si mas irradia para uma nova vida. Assim, o amor conjugal “não se esgota no interior do próprio casal, já que os habilita para a máxima doação possível, pela qual se tornam cooperadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa humana” (Familiaris consortio, 14).

Paulo VI fala ainda que os filhos são “fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias”. São tantos os relatos de pessoas que nasceram em meio à uma família numerosa e dizem que era grande a alegria quando todos estavam reunidos. De fato, e especialmente com a modernidade, não é tarefa fácil educar os filhos, repassar bons valores. Porém, as dificuldades a que muitos casais se referem são a escola cara, não poder fazer as viagens que gostariam, não ter dinheiro para comprar um carro novo por causa da educação dos filhos, etc. Não é possível quantificar o valor de um filho! Afinal, eles não são algo a se adquirir, mas são dom de Deus. Cabe, sim, ao casal, avaliar a sua consciência e a sua realidade para exercerem a paternidade responsável, com bom senso e reta conduta cristã, porém abertos à vida e confiantes na Providência Divina.

Já neste primeiro ponto da encíclica, é possível observar o quanto este documento foi profético. Profético porque vemos claramente que todas as consequências que o Papa Paulo VI mencionou, de fato, estão acontecendo. É claramente visível que esta encíclica é plenamente aplicável aos nossos dias e preenche de sentido a vida matrimonial.

Por isso, a partir de hoje, está lançado o “Especial Humanae vitae - 50 anos”. Em 25 de julho de 2018 a Humanae vitae completará cinco décadas de publicação, e por conta disso, o Modéstia e Pudor publicará alguns textos sobre a encíclica. É um especial produzido por pessoas leigas que não possuem pretensão alguma de interpretar um documento papal, mas sim apresentar reflexões acerca da aplicabilidade da encíclica nos nossos dias, mostrando o quanto este documento tão importante da Igreja foi profético.

Referências:

PAULO VI, Papa. Carta encíclica Humanae vitae (Sobre a regulação da natalidade). São Paulo: Paulinas, 1968.

JOÃO PAULO II, Papa. Exortação apostólica Familiaris consortio (Sobre a função da família cristã no mundo de hoje). São Paulo: Paulinas, 1981.

HAHN, K. O amor que dá vida. Quadrante, 2012.

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

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Adryana Souza

Adryana Souza

Parabéns pela iniciativa.
Se faz urgente estudar esse documento tão importante da nossa amada Igreja.
★★★★★DIA 15.03.18 11h46RESPONDER
Letícia B, Ana Derosa
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