Como falar sobre sexo com seus filhos

Como falar sobre sexo com seus filhos

Você se lembra como descobriu sobre sexualidade? Provavelmente seus pais tinham medo de falar sobre o assunto com você. Talvez tenham te apresentado o sexo como algo errado ou sujo. Talvez tenham te apresentado como um parque de diversões. Talvez não tenham falado nada e você tenha descoberto tudo sozinho, da pior forma.

A verdade é que a maioria das famílias não tem a mínima ideia sobre como falar deste assunto, muitas vezes porque as próprias pessoas têm uma visão errada da sexualidade segundo a Igreja. Estamos aqui para te ajudar nesta árdua tarefa!

O que não falar

Os maiores erros que pais podem cometer ao falar sobre sexo são:

- Dizer que ele é algo sujo, ruim ou um “mal necessário”

- Não adequar o que falar à faixa etária da criança/adolescente

- Evitar o assunto ou mentir sobre a origem dos bebês (dizendo que é a cegonha que os trazem, por exemplo)

- Contar aos filhos sobre as próprias intimidades do casamento

- Se referir ao ato sexual com palavras chulas ou palavrões

- Falar sobre o assunto "tudo de uma vez", sem ser gradual e sem responder às curiosidades das crianças de maneira adequada

O que falar

É importante, em primeiro lugar, que os próprios pais entendam como a Igreja enxerga o sexo e a sexualidade humana. Diferente do senso comum, a Igreja valoriza muito a relação sexual, exatamente por vê-la como o que temos de mais parecido com Deus. É justamente por ser tão precioso que a Igreja é tão respeitosa ao se referir ao sexo.

Assim, antes de falar com seus filhos, procure ler estes livros e documentos:

- Amor e responsabilidade, São João Paulo II (na época, Karol Woytila)

- Catequeses da Teologia do Corpo, São João Paulo II

- Teologia do Corpo para iniciantes, Christopher West

- Deus, sexo e os bebês: o que a Igreja realmente ensina sobre paternidade responsável

- Sexualidade humana: Verdade e Significado

E, muito importante, leiam o livro "Prepare seus filhos para o futuro", de João Mohana: fornece bases e pistas para lidar com o assunto de maneira natural sobre o tema

1)      Não apresente o sexo como ruim ou sujo nem use palavras chulas

Uma educação sexual repressiva pode levar os filhos a desenvolverem escrúpulos e problemas no futuro relacionados a intimidade, afetividade e sexualidade. O sexo deve ser apresentado como algo bom, bonito, uma intimidade que o casal tem quando se ama muito e está preparado para isso. É bom explicar que a consequência natural desta intimidade é o nascimento de uma nova vida e que Deus quis assim para que, assim como Ele, também nós pudéssemos criar novas pessoas. Mostre que o sexo é maravilhoso porque une o casal e permite que sejamos participantes nos planos de Deus para a criação e manutenção do mundo! Exatamente por isso, não use palavras chulas (“transar”, “trepar” etc), pois isso tira a sacralidade e beleza da explicação.

Os pais podem aproveitar esse momento também para explicar sobre a importância da castidade. Pode-se dizer que a castidade preserva a beleza da relação sexual. Como o sexo é algo bom e muito íntimo, não é com qualquer pessoa nem em qualquer momento da sua vida que você vai se entregar a alguém. É preciso estar amadurecido e conhecer bem a outra pessoa, confiar muito nela, para que isso seja possível. Assim, a castidade preserva a pessoa de oferecer a própria intimidade a qualquer um. Por isso que a Igreja nos pede a virgindade e pureza até o matrimônio. O matrimônio é onde o casal que se ama e se conhece estabelece um vínculo duradouro e pede as bênçãos de Deus para isso.

É importante também que os pais digam que a masturbação e o consumo de pornografia são ruins e pecaminosos porque fazem a pessoa buscar o prazer solitário, de maneira egoísta, fazendo com que olhemos só para o quanto de prazer outra pessoa pode nos oferecer. Isso está distante do amor de verdade, de um desenvolvimento pessoal sadio, em que buscamos sempre ser melhores e ajudar as pessoas. A masturbação e a pornografia faz os outros se tornarem objetos. Nós não gostamos de ser tratados como lixo, como descartáveis; também não devemos tratar os outros assim. Todos são filhos de Deus e cheios de dignidade!

Uma explicação neste estilo, delicada e sincera, ajuda os filhos a saberem melhor sobre o assunto e terem uma visão correta sobre ele.

2)      Adeque a linguagem e as informações à faixa etária

Muitos não sabem o momento de terem essa conversa com os filhos. O ideal é que os próprios filhos procurem os pais para falarem sobre sexo – e isso acontece quando há um ambiente acolhedor em casa.

As crianças irão perguntar como nasceram. Não se alongue na explicação nem dê detalhes inadequados para a faixa etária. Apenas diga que nasceram da barriga da mamãe e que chegou até lá através de um amor muito grande que os pais tiveram. Pode-se dizer que aos poucos, conforme os filhos forem crescendo e aprendendo coisas novas de biologia na escola, os pais irão explicar melhor sobre esse assunto.

Para os adolescentes é bom ser sincero, direto e dizer a verdade de maneira bonita e delicada. Mostre a importância e beleza da relação sexual, a importância da castidade e o porquê de não consumir pornografia ou se masturbar. Se tiverem dúvidas que os pais não saibam responder, fale ao filho que não sabe e irá procurar uma resposta para o assunto.

Com os adolescentes, também é útil apresentar livros de biologia - claro, tudo de acordo com a idade e curiosidade do filho. Os filhos podem e devem conhecer a anatomia do próprio corpo, inclusive para o caso de desenvolverem alguma doença ou notarem anormalidades anatômicas ou fisiológicas. Neste sentido, há um programa muito interessante sobre afetividade e sexualidade chamado Teen STAR. Há retiros anuais no Brasil. Vale conhecer! Outro programa no mesmo estilo é o Up to You. Em ambos os sites há material formativo que pode ajudar pais e filhos.

3)      Não conte sobre você e suas intimidades

Mesmo que os filhos perguntem sobre quantas vezes por semana os pais fazem sexo ou coisas parecidas, diga que isto é algo pessoal e que eles não devem saber. Os filhos devem entender que são filhos e que os pais não são seus “amiguinhos”, mas pessoas que estão ali para lhe educar e apoiar. Se os filhos perguntarem se os pais se casaram virgens, os pais podem responder esta pergunta. Mesmo que não tenham tido um passado exemplar, isso deve ser dito aos filhos com as devidas precauções: “Não éramos convertidos, mas depois descobrimos que estávamos errados e não queremos que vocês errem também e passem pelas dores que passamos”.

Outras dicas...

- Se seu filho nunca tiver curiosidade nem perguntar nada sobre o assunto, talvez seja interessante chamá-lo para uma conversa por volta dos 10 – 12 anos.

- Pode ser o pai, a mãe ou os dois a conversarem sobre sexualidade com os filhos. Geralmente, as mães conversam com as filhas e os pais com os filhos, por uma questão de identificação.

- A castidade é uma virtude como qualquer outra. Se seu filho, desde criança, aprende a ser virtuoso, a castidade será "só" mais uma virtude. Ele pode estar sozinho ou acompanhado, se bem formado saberá sempre o certo e o errado, portanto, saberá sempre como deverá agir.

- A educação em casa é essencial, mas também é legal que seu filho tenha bons amigos e boas companhias por aí. Os centros culturais do Opus Dei têm clubinhos para crianças e adolescentes. Outros grupos e movimentos da Igreja em que os pais participem podem ser boas alternativas para se fazer boas amizades.

Independentemente da abordagem, é importante sermos fiéis ao que nos ensina a Igreja: a sexualidade humana é linda! A relação sexual tem um sentido maravilhoso! Que saibamos passar isso aos nossos filhos...

UPDATE (26/11): Há alguns trechos do livro "Prepare seus filhos para o futuro", do Pe João Mohana que são pertinentes para colocar aqui:

"Estamos vendo como a sexualidade é uma parte importante. Mas não esquecer que é sempre uma parte. Uma parte da vida global. Quem se esquece de educar a afetividade (coração) dos jovens e pretende educar a sexualidade apenas, está preparando o terreno para as sementes do psiquiatra. Os psicólogos mais creditados estão de acordo em que a educação sexual deve ser entendida como parte da educação afetiva. Do contrário, como lembrou Ignace Lepp, dá-se a entender ao jovem que o sexo é o pivô da existência. É o erro dos pais que entendem a educação sexual como transmissão de informações necessárias para os filhos aprenderem a introduzir o pênis na vagina. Se se fica aí, genitalizando o que deve ser totalizado, isto é, humanizado, o mal pode ser maior, porque vida sexual pode equivaler a desajuste e decepções.[...] Os psicólogos mais conceituados aconselham conduzir a formação sexual desde o início, referindo-se, sempre que possível, aos grandes objetivos da vida humana: o amor, o casamento, a paternidade, a maternidade. Desse modo, o menino e a menina captam a grandeza daquilo que é grandioso; aprendem a admirar o sexo e a tratá-lo com a dignidade que ele merece"

_______________________________
Leia também:

O verdadeiro sentido da vida está no sexo

Perguntas e respostas

Resenha: “Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal”, de Christopher West

Quem está matando a família é a própria família

Sexo: não dá para separar a união da procriação

Homem e Mulher os criou

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

POSTS relacionados

Enviando Comentário Fechar :/