Ei, só você pode ser a melhor versão de você mesma!

Ei, só você pode ser a melhor versão de você mesma!

Já pararam para pensar como o universo feminino é repleto de encantos e mistérios. O próprio corpo da mulher guarda um mistério, é como um jardim secreto, que deve ser olhado e tratado com respeito e reverência. Além disso, a mulher carrega em si uma interioridade rica e complexa, complicada, eu diria. Daí a importância de ela se conhecer e, principalmente, conhecer-se a partir do olhar de Deus sobre ela. Enxergar-se como única, alguém que nasceu para a plenitude, para ser e realizar neste mundo a melhor versão dela mesma.

 

É uma tarefa complicada para uma mulher conciliar e sentir-se satisfeita ao mesmo tempo com o cabelo, o corpo, o peso, as roupas (e acessórios) que tem ou não tem, os desejos e sonhos ainda não realizados etc. É bem típico acordar em um dia se achando a mulher mais linda e plena do mundo e no início da tarde já se sentir em conflito consigo mesma em distintos aspectos. Haja habilidade para lidar e pacificar isso tudo. “Somos um mistério até para nós mesmas (...). Recompor nossas contradições é um trabalho grande e cansativo, que nunca pode ser completamente arquivado. É um trabalho cotidiano, constante e, às vezes, doloroso. (...) Mas como fazer esse trabalho? Pessoalmente acredito que seja um trabalho a ser feito de joelhos. Somente rezando é que se consegue (...). Apenas pedindo a Deus o olhar que suplicamos aos outros, apenas pedindo ao Senhor que satisfaça todas as nossas expectativas, às vezes também as pretensões e, com mais freqüência, as necessidades. (...) Deus é um sujeito muito criativo – criou os ornitorrincos, as sardas e a canela, só para dar alguns exemplos -, mas sempre acaba fazendo algo novo e inesperado. Cura as feridas, ignora nosso sentimentalismo e os humores (sabe que às vezes sofremos com a síndrome pré-menstrual, mas não lhe dá importância), impede-nos de maximizar nossos estados de espírito, impede-nos de dramatizar pequenas partes da nossa vida, de nos apaixonar por nosso mal-estar (apesar de gostarmos de fazer isso às vezes, mas é um truque do Inimigo)”, assim bem reflete Costanza Miriano.

 

“O que conhecemos de nós mesmos não é senão superfície. A profundidade permanece-nos em grande parte oculta. Só Deus a conhece.” (Edith Stein)

 

É importantíssimo o trabalho de se conhecer, de penetrar em sua própria interioridade, gastar tempo ali, sempre com a lâmpada da fé e na presença de Deus. Buscar saber quem se é verdadeiramente. É um ofício mesmo, um trabalho que leva tempo, requer paciência, exige silêncio, oração, exige amizade íntima com o Senhor, a exemplo do discípulo amado, que, sem receio, recosta e descansa a cabeça junto ao peito de Jesus. Dá para imaginar essa cena? Ali está o repouso, o consolo, o olhar que cura, que recompõe e restaura, ali está quem nos conhece mais intimamente, como nos fala a canção: “Tu mais íntimo de mim do que eu mesmo, Infinito no finito em quem me perco, Dois abismos que se abraçam, E se enlaçam, Num laço de amor eterno e alegria sem fim”. Só ali está a vida de verdade. E, por isso, é apenas seguindo esse itinerário que conseguimos pacificar nossas contradições, forjar nossa identidade por um caminho seguro. A identidade é a chave para não sermos manipuladas ou vivermos como espectadores da nossa própria vida, como alguém que se vê de fora, não conhece o mais íntimo de si mesmo, logo não dispõe de boas ferramentas para construir uma vida com sentido, propósito e substância. É necessário se conhecer. Se não me conheço, como vou conhecer o outro, como vou ser livre para fazer escolhas acertadas, tomar decisões conscientes, bem conduzir minha vida...

 

É necessário ter consciência de que você é única. Deus não faz clone. Tudo que Ele desenvolve é original. Assim, o que conta realmente, uma mulher realmente interessante é aquela que se vê, se enxerga e se descobriu única no mundo, sabendo que só ela pode ser a melhor versão dela mesma, que se libertou do olhar de comparação do outro e do seu próprio. Que entendeu a chave de tudo quando se deu conta de que Deus a fez única, insubstituível e irrepetível. Isso nos faz crescer. E, nesse sentido, Costanza Miriano, no livro Quando éramos mais femininas. O extraordinário poder das mulheres, afirma que “crescer significa sair da fase das escolhas em função dos outros, para agradar ou para não desagradar, ferir, machucar; escolhas impostas, sempre dependentes do olhar do outro. (...) Ser livres no nosso juízo e em relação ao olhar alheio é a específica liberdade feminina, para nós, que somos seres extremamente críticos em relação a nós mesmas e perfeccionistas inseguras”. E, considerando isso, ela fala que decidiu optar pelo caminho da contemplação, pois “só Deus cura e renova todas as coisas, fazendo-nos descobrir que não somos perfeitas, mas imperfeitas e muito agradáveis ao mesmo tempo. Além disso, tem o poder de fazer muito mais do que podemos pedir ou pensar e de abrir novos caminhos em nossa vida, mesmo quando parecem terminar em um beco sem saída”. Ele nos olha em nossa real dignidade e nos cura em nossa condição de filhas.

Assim, vai dizer Jo Croissant que “necessitamos ser vistos para sentir que nossa vida tem um sentido, que existimos para alguém. Necessitamos alguém que reconheça que somos únicos. Às vezes, tentamos buscar toda sorte de artifícios para conseguir este reconhecimento em ser o melhor (ou o pior) em ao menos um aspecto: o mais belo, o mais inteligente, o mais forte, o mais artista, o mais original... É que ainda não conhecemos verdadeiramente o Pai do céu e o que somos aos seus olhos. Deus é um artista. Ele só cria peças únicas. Não somos peças feitas em série. E porque somos únicos, podemos – cada um – ser para Deus “o mais belo”, “o mais amado” e entrar nessa relação única com nosso Deus. Mas as experiências negativas, de desamor, estão inscritas bem profundamente no corpo e deixam uma emoção que nem sempre chegamos a identificar”.

 

Ainda sobre essa necessidade que temos do olhar do outro, esse abismo que precisa ser preenchido, esse nosso desejo de sermos vistas, de nos sentirmos bonitas, acolhidas, bem quistas, aceitas, Costanza Miriano nos traz uma interessante reflexão:

 

A insegurança está intimamente ligada à necessidade do olhar, e essa mesma necessidade pode ser bem-vinda quando nos leva a buscar os olhos não apenas de outra pessoa, mas do totalmente Outro, do único que realmente pode preencher o abismo. Pois nenhum homem jamais poderá nos olhar bastante, com atenção suficiente, com a sensibilidade de um sismógrafo da Nasa, necessária para entender todos os nossos humores. Portanto, o problema não é o abismo, mas como o preenchemos. O problema é sempre, constantemente, a todo instante, recordarmo-nos de vigiar nosso coração e nos perguntarmos a quem de fato queremos agradar, porque sempre gostaríamos, gostaremos de agradar alguém. Sempre seremos tentadas pelo pensamento de que, de certo modo, temos de merecer o amor “sendo boas”. A pergunta que anima toda mulher será sempre a mesma: a quem quero agradar? E a resposta que daremos decidirá a nossa vida. (...)

Para combater o que Edith Stein chama de “desejo exagerado da mulher de tentar obter consideração para si mesma”, cada uma de nós deve e pode dar um salto. Acontece quando percebemos nossa animalidade e tomamos certa distância. Aprendemos a desconfiar dos hormônios, dos instintos, das sugestões. Colocamos em movimento uma vida espiritual e começamos a vivê-la um pouco até aprender, progressivamente, a preencher a todo instante o espírito de vida, abandonando um pouco por vez a vida como a recebemos.

 

Ou seja, é imprescindível colocar em movimento uma vida espiritual. Não dá para ser de Deus de verdade se não O colocamos no centro de nossa vida. É preciso descobrir em meio a várias opções a resposta certa para a pergunta sobre quem queremos agradar. A quem quero agradar? A Deus? A resposta correta a essa pergunta é o que trará sentido a sua vida.

 

Assim, descobriu o segredo de tudo aquela que sabe que é a menina dos olhos do Pai, é o amor do coração de Deus. Pode acontecer que para quem não teve uma boa experiência com a figura paterna seja difícil entender que Deus nos ama incondicionalmente, pois tendemos a transferir as experiências com o nosso pai terreno para o nosso relacionamento com Deus, nosso Pai do Céu. Mas não tenha medo de mergulhar fundo e se abandonar, como uma criança dócil, nos braços do Pai que te ama e cujo olhar cura todas as experiências passadas de desamor, rejeição e sofrimento. Faça a experiência.

 

É fundamental que vocês, meninas, descubram sua verdadeira e profunda beleza, pois, quando uma mulher funciona, tudo ao seu redor floresce. Já uma mulher que não encontra paz para as suas contradições pode semear o caos e a loucura em torno de si. (Costanza Miriano)

 

É importante buscar realizar-se, desenvolver seu potencial, correr atrás de seus sonhos, ter uma vida de oração, uma espiritualidade sólida. Buscar intimidade com Deus, que é conhecer e começar um relacionamento com uma Pessoa, construir e cultivar uma amizade com Aquele que sempre nos espera e ansioso deseja nosso amor. É fundamental ser uma mulher dócil ao Espírito Santo, que silencia para ouvir o Senhor. E não menos importante é o cuidado e o zelo com o corpo e a aparência. Tudo com equilíbrio, pois, como se sabe, a virtude está no meio.

 

Por fim, uma mulher pacificada é aquela que descobriu que só ela pode ser e realizar no mundo a melhor versão dela mesma, buscando viver de forma mais plena, trilhando seu caminho de santidade, tão próprio e particular como ela mesma. Uma mulher assim deixa rastro de luz por onde passa, pois, enxergando-se como Deus a vê e confiante nesse olhar de amor, consegue ser inteira naquilo que é e no que faz. Uma mulher assim consegue ser a melhor versão dela mesma e realizar no mundo o belo sonho de Deus para a vida dela, tão único e singular como ela mesma.

 

Dayane Negreiros

Entusiasta e divulgadora das catequeses sobre o amor humano no plano divino, de São João Paulo II, a Teologia do Corpo. Filha e devota de Nossa Senhora de Guadalupe. Pró-vida. Membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília.

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Lilian Mendes

Lilian Mendes

Texto maravilhoso e muito oportuno! ♥
★★★★★DIA 06.11.18 20h15RESPONDER
Letícia B
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Adryana Souza

Adryana Souza

Com lágrimas nos olhos li essa bela reflexão.
Obrigada, Dayane.

Como tem sido difícil trilhar esse caminho, mas com o auxílio da graça de Deus vou conseguir.
Obs.: vou comprar esse livro que você citou da Costanza Miriano.
★★★★★DIA 17.10.18 13h33RESPONDER
Dayane Negreiros
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Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Adryana, o caminho é exatamente este: na intimidade com Deus, com o auxílio da graça Dele. Conte com minha orações. Você vai gostar do livro dela, te garanto. 


Grande abraço. :)

★★★★★DIA 21.10.18 20h15RESPONDER
Adryana Souza
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Layla K.

Layla K.

Excelente reflexão!! Quanto mais nos conhecemos passamos a reconher o quão Deus cresce em nós!!
★★★★★DIA 11.10.18 17h26RESPONDER
Dayane Negreiros
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Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Que lindo, Layla. Dar espaço ao Senhor, não é!? Cavalheiro como é, só entra onde é convidado. Mas onde entra tudo transforma, restaura e renova. Beijos.

★★★★★DIA 11.10.18 17h48RESPONDER
Layla K.
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