Filhos: dons do matrimônio

Filhos: dons do matrimônio

Três anos antes da publicação da Humanae vitae, o Concílio Vaticano II já proclamava que “os filhos são dom excelentíssimo do matrimônio e contribuem enormemente para o bem dos seus próprios pais” (Gaudium et spes, 50).

Deus, em sua infinita bondade, quis que o homem participasse de Sua Obra Redentora, e por isso abençoou o homem e a mulher, dizendo: "sede fecundos e multiplicai-vos" (Gen 1,28). Os esposos que procuram pelo sacramento do matrimônio estão dispostos a participarem da Obra Redentora de Deus?

Participar desta Obra Redentora requer empenhar-se e cumprir essa missão com grande responsabilidade e esforço, tendo em conta o seu bem próprio e o de seus filhos, mesmo que isso exija muitos sacrifícios. De fato, são muitos anos cuidando destas vidas, pois o crescimento de um filho é um processo lento. Não há dúvidas de que o casal contribui para o bem-estar do filho; mas de que forma o filho contribui com os pais? O filho contribui porque dá ao casal a oportunidade de viver uma vida sacrificada, buscando crescer em virtudes e santidade.

Somos egoístas. Não queremos nos sacrificar por ninguém. Muitos buscam um casamento esperando que terão suas vontades realizadas. Mas não é muito fácil encontrar quem busque pelo matrimônio com espírito de sacrifício, trabalhando a sua consciência para exercer uma vida de doação. Não é o que eu quero que o outro me faça; mas sim, o que eu posso fazer pelo bem do outro. Se esse egoísmo já existe entre o casal, fica ainda mais difícil se doar e se sacrificar pelos filhos, que exigem muito mais de nós.

Esse egoísmo reflete na cultura atual: a sociedade nos diz que devemos colocar diversas prioridades à frente de ter filhos, e todas para satisfazer a si próprio. Primeiro é preciso estudar, primeiro é preciso se estabilizar na carreira profissional, primeiro é preciso ter um bom carro, primeiro é preciso comprar um bom apartamento. Muitas vezes, essas prioridades levam muitos anos para serem concretizadas. E enquanto isso, o casal espera conseguir realizar todas essas prioridades. Muitos casais, quando enfim resolvem ter um filho, sofrem o drama de não conseguir engravidar. São tantos os testemunhos de pessoas que passam por este drama e dizem: “não esperem para ter um filho”.

Quem foi que ensinou à sociedade atual que as coisas devem ser adquiridas ou vivenciadas exatamente nesta ordem? Quem é que disse que ter um filho antes de adquirir diversos bens atrapalha a vida e não vai ser bom para este filho?

O que não se compreendeu ainda é que uma família pode crescer unida, pode enfrentar alegrias e dificuldades juntos. O problema é que ensinaram outra coisa à sociedade atual: que não deve haver dificuldades e sofrimentos na vida. Não estão ensinando as crianças a lidarem com as frustrações, e estas crianças viram adultos que não enxergam dificuldades como possibilidades de aprendizado e amadurecimento. E quem garante que a vida inteira vai ser sempre livre de dificuldades? E por que não enxergar que as dificuldades podem ser enfrentadas em família?

A grande verdade é que os filhos nos ensinam a sermos pessoas melhores. Nos ensinam a sermos menos egoístas, porque precisamos nos sacrificar por eles. O marido cresce em admiração e respeito pela esposa, que passa por mal estar e dificuldades na gravidez, parto e pós-parto. A esposa já quando descobre a gravidez, se vê em espírito de sacrifício, porque precisa cuidar daquela nova vida que está se desenvolvendo em seu ventre. Ela vê o seu esposo cuidando dela e trabalhando pelo bem estar daquela família, e isso também aumenta seu respeito e admiração por ele. Desde a concepção de um filho, ele já contribui para o amadurecimento e crescimento em virtudes daquela família. Que bênção!

Precisamos nos reeducar, à luz das palavras do Papa, priorizando o amor conjugal, que tão logo este amor se reflete na geração dos filhos, sendo amadurecido e solidificado. Se não há abertura à vida, será que o amor entre o casal está sendo realmente vivenciado em sua plenitude, amadurecendo e solidificando?

O Papa Paulo VI nos explica que “o matrimônio não é, portanto, fruto do acaso, ou produto de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador, para realizar na humanidade o seu desígnio de amor. Mediante a doação pessoal recíproca, que lhes é própria e exclusiva, os esposos tendem para a comunhão dos seus seres, em vista de um aperfeiçoamento mútuo pessoal, para colaborarem com Deus na geração e educação de novas vidas.” (Humanae vitae, 8). Através da fecundidade, o casal participa do poder criador e redentor de Deus. Que digna e nobre missão!

Referências:

PAULO VI, Papa. Carta encíclica Humanae vitae (Sobre a regulação da natalidade). 1968.

PAULO VI, Papa. Constituição pastoral Gaudium et spes (Sobre a Igreja no mundo atual). 1965.

HAHN, K. O amor que dá vida. Quadrante, 2012.

Equipe Modéstia e Pudor

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