Guia definitivo sobre Modéstia e Pudor

Guia definitivo sobre Modéstia e Pudor

1. Apresentação

2. Os princípios da moral católica

2.1 Moral Católica x Moral Puritana

3. As virtudes

4. A virtude da modéstia e do pudor

4.1 A modéstia e o pudor no comportamento

4.2 A modéstia e o pudor nas roupas

4.3 O que modéstia NÃO É

5. Dúvidas Frequentes

5.1 É pecado usar calças?

5.2 O apelo de Nossa Senhora em Fátima se refere às calças?

5.3 Em que consiste a modéstia masculina?

5.4 Posso ser consagrada pelo método de S. Luis de Montfort e não usar saias?

5.5 Pintar as unhas, usar maquiagem, se depilar podem ser considerados imodestos?

5.6 Como ir na praia e ser modesto?

5.7 Como funciona a modéstia para crianças?

6. Indicações de livros

 

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1. Apresentação

Por email, comentários no blog ou instagram, sempre nos chegam dúvidas sobre a modéstia, e isso faz total sentido já que o nome do nosso blog se refere a isso. Apesar de, hoje, nosso apostolado ter muito pouco a ver com modéstia, decidimos preservar nosso nome por conta de já sermos conhecidos assim.

 

E, fazendo jus ao nome, apresentamos um guia sobre as virtudes da modéstia e do pudor, a fim de esclarecer equívocos e oferecer formação confiável sobre o assunto.

 

2. Os princípios da moral católica

Muitos se questionam sobre o que é o não permitido pela Igreja Católica. “Pode isso? Não pode aquilo?”. Entender a fé desta maneira pode se tornar pesado para nós e para os outros. Além disso, pensar somente em “pode” e “não pode” pode nos levar a diversos erros morais. Isso porque, na doutrina católica, não existe uma regra prática para cada ocasião de nossas vidas.

 

Imagine quantas pessoas há no mundo (bilhões). Agora imagine cada uma destas pessoas envolvidas por uma cultura específica, uma história de vida, uma educação peculiar, um temperamento e personalidade próprios... Imaginou? Como pode a Igreja formular uma regra para cada mínima situação que cada uma destas bilhões de pessoas vivem? Isso seriam irreal! É por isso que toda a doutrina e moral católica são baseadas em princípios. O que isso significa? Que há alguns pontos gerais, algumas diretrizes básicas, digamos assim. O modo de aplicação destes princípios dependerá de cada fiel: seu bom senso, formação, temperamento, personalidade, cultura, história de vida, situação vivenciada e afins.

 

Em outras palavras, cada pessoa deve – inspirada pelo Espírito Santo – saber aplicar a moral e doutrina em sua vida, não existindo uma resposta pronta para cada minúscula situação que vivemos.

 

Para quem tem dúvidas do que é a doutrina e como ela se apresenta a nós, podemos citar o Catecismo da Igreja Católica (CIC). O CIC é um compilado da doutrina, escrito de uma maneira simples e acessível aos fiéis. No prefácio do Catecismo da Igreja Católica encontramos que sua finalidade “é apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do II Concilio do Vaticano e do conjunto da Tradição da Igreja”. Ele “não se propõe realizar as adaptações da exposição e dos métodos catequéticos, exigidas pelas diferenças de culturas, idades, maturidade espiritual, situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese se dirige”.

 

Para que a doutrina não se torne um manual de regras, no prefácio do CIC também encontramos que “a finalidade da doutrina e do ensino deve fixar-se toda no amor, que não acaba. Podemos expor muito bem o que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, devemos pôr sempre em evidência o amor de nosso Senhor, de modo que cada qual compreenda que qualquer ato de virtude perfeitamente cristão, não tem outra origem nem outro fim senão o amor”.

 

Ou seja, não faz sentido existir um “pode” e “não pode”, porque desta maneira nos tornaríamos farisaicos – agiríamos por regras, e não por amor - e isto é o que Jesus Cristo (o fundador da Igreja Católica) mais criticou. A doutrina é atemporal e universal, portanto se adapta à todas as épocas e culturas. A nossa vidinha brasileira de classe média é bem diferente da vida do Trump (para citar um cara ryco) e bem diferente da vida daquela pobre criança africana com barriga d’agua (que costumamos ver em propagandas de ONGs humanitárias). A vida que vivemos hoje, em um mundo globalizado, é bem diferente da vida que uma pessoa vivia na época que as primeiras máquinas pós-revolução industrial eram lançadas. Entretanto, a Igreja Católica existe há 2 mil anos e sua moral é para mim, para você, para o Trump, para a criança pobre da África, para os primeiros cristãos e para nós no século XXI.

 

2.1 Moral Católica x Moral Protestante

Há, por parte das pessoas, uma grande confusão entre a moral católica, baseada em princípios, com a moral protestante, geralmente baseada em regras.

 

Nós, católicos, aplicamos os princípios na concretude das situações que vivenciamos em nossas vidas. É claro que aplicar alguns princípios é mais fácil do que aplicar outros.  Por exemplo, não pecar contra a castidade é mais fácil de ser entendido e aplicado do que a virtude da modéstia, ou da justiça, ou da caridade, apesar de tudo estar entrelaçado. Na Idade Média, por exemplo, não se falaria que ver um filme pornográfico seria pecar contra a castidade, porque não existiam filmes pornográficos. Ou seja, o princípio “não pecar contra a castidade” atualiza-se a depender de cada época. E as outras virtudes mencionadas? Modéstia, justiça, caridade? Quantas vezes ficamos na dúvida se fomos injustos com uma pessoa ou se fomos caridosos de lhe mostrar o próprio erro? Quantas vezes tivemos dúvida se faltamos com a caridade ou se agimos com fortaleza? Enfim... É difícil ter uma regra pronta para cada situação da vida. Tudo depende de muita coisa!

 

Bem diferente do pensamento católico, o pensamento kantiano – aliás, absorvido pelas religiões protestantes pois Kant também era protestante – não vê as diferentes nuances de cada tempo e situação. Kant achava que existiam, sim, regrinhas para cada situação da vida. Ele enxergava os princípios morais como absolutos.  

 

É interessante notar como os protestantes leem a Bíblia: de maneira absoluta, descontextualizada, sólo scriptura.  É por isso que muitas falas de santos, padres, cardeais e inclusive papas deveriam ser contextualizadas em termos culturais, pois não são todos os documentos da Igreja considerados “doutrina” (sugiro a leitura deste texto). Muitos documentos têm valor de orientação pastoral, isto é, aplicação da doutrina para determinado tempo e contexto. Se existem documentos assim é exatamente porque a moral é baseada em princípios. A base de todos estes princípios está no amor: é o amor que deve ser a motivação de nossas ações e condutas!

 

3. As virtudes

Quando se ama de verdade, não se vê problemas nem dificuldades. Cristo morreu por nós na Cruz, sofreu imensamente por nossos pecados, mas nos amava muito e por causa do Seu amor conseguiu cumprir o plano de salvação de Deus para a humanidade.

 

As virtudes estão ligadas a este amor. Queremos ser bons e praticar o bem porque sabemos que isso nos traz paz e nos enche de amor. E, desta maneira, nos sentimos melhores. O sentir-se melhor não é, nada mais, do que estar mais próximo de Deus.

 

Ou seja, além da virtude ser “uma disposição para fazer o bem” (CIC 1803), ela também parte da nossa vontade e escolha (liberdade) em praticar este bem (CIC 1804). Para conseguir uma virtude, além da nossa vontade, podemos adquiri-la por meio da educação e por meio da graça de Deus.

 

A educação é um autodomínio, uma busca por dominar nossa tendência ao mal/pecado (concupiscência).

 

Na doutrina, encontramos três virtudes que se referem diretamente a Deus, são as chamadas “Virtudes Teologais”: fé, esperança e caridade (amor).  Destas virtudes se originam as virtudes humanas, chamadas “Virtudes Cardeais”, pois, assim como os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste), “guiam” as ações humanas e delas derivam as outras virtudes. São elas: prudência, justiça, temperança, fortaleza.

 

Para não nos alongarmos no texto, é importante que tenhamos foco em duas virtudes em específico: a prudência e a temperança. A prudência se refere à razão prática de “discernir em qualquer circunstância nosso verdadeiro bem e escolher os meios adequados para realiza-lo” (CIC 1806). Também é “graças a esta virtude [que] aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar” (CIC 1806). Já a temperança “é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados” (CIC 1809).

 

4. A virtude da modéstia e do pudor

Quando falamos sobre virtudes, não podemos pensar em uma outra virtude isolada. As virtudes estão interligadas, como fios da trama de um tecido. A virtude da modéstia e a virtude do pudor estão especialmente entrelaçadas com a virtude da temperança e da prudência, e também com as virtudes da caridade, castidade e pureza.

 

O pudor “preserva a intimidade da pessoa” (CIC 2521). Quando pensamos nessa virtude, devemos pensar em uma joia muito cara e preciosa. Convém que eu use essa joia para ir ao supermercado da esquina? Ou para andar pelo calçadão da praia? É claro que não! Se eu usar esta joia em ambientes inadequados, eu provavelmente serei assaltada, quiçá morta. O mesmo acontece com nossa intimidade. Nossos pensamentos, valores, nossa sexualidade, nossa história de vida, nosso corpo, são joias que só nós e Deus conhecemos o valor. Se contamos tudo da nossa vida para todo mundo, se contamos nossos pensamentos, valores, intimidades, vivência, se mostramos tudo para todos, muitos não saberão nos valorizar, e nos sentiremos feridos e machucados. É nisto que consiste a virtude do pudor: em saber guardar nossa intimidade e saber revelar esta intimidade para as pessoas certas nos momentos certos.

 

O pudor É a virtude da modéstia (CIC 2522). Assim como o pudor inspira a guardar nossa intimidade, a modéstia inspira o modo de vestir e agir em meio ao mundo. Se não é legal que contemos da nossa vida para todo mundo – porque muita gente não vai entender e saber nos valorizar – também não convém que mostremos nosso corpo para todo mundo, pois muitos não vão nos olhar com a dignidade que temos. O mesmo para o modo de tratamento que teremos com as outras pessoas, com nosso comportamento nos diversos lugares que formos, nas conversas que tivermos com nossos amigos... Nosso comportamento e modo de vestir, quando regulado pela modéstia, que é “filha” da temperança, recebe uma camada de “dignidade”, de “elegância”. É como se passássemos uma mensagem de fineza e autovalorização para o resto do mundo.

 

Como afirma o Catecismo (CIC 2521, 2522) e como nos explica Santo Tomás de Aquino, tanto a modéstia quanto o pudor estão ligados à temperança (CIC 2521) e também à prudência (CIC 2524). Aplicar estas virtudes dependerá de nosso bom senso em meio às situações que vivenciarmos.

 

4.1 A modéstia e o pudor no comportamento

A modéstia não diz respeito somente aos atos externos - como explica Santo Tomás de Aquino e como já mencionamos no tópico anterior. O princípio básico é saber preservar a própria intimidade, sabendo revelar o que é para ser revelado para as pessoas e ocasiões oportunas. A aplicabilidade deste princípio depende das circunstâncias de cada pessoa.

 

Tomemos alguns exemplos:

 

Vocês considerariam modesta uma mulher que vive fazendo “barracos”, gritando com todo mundo, fazendo fofoca na vizinha e andando por aí de maneira desengonçada? Acho que não, certo?

 

Seria modesto um homem grosseiro, beberrão, que agride verbalmente e fisicamente a esposa, fala alto na rua, e anda fedido por aí? Acho que não também!

 

Não precisei citar o que é um comportamento modesto, apenas o que não é. Pelo próprio bom senso foi possível concluir o que seriam as virtudes da modéstia e do pudor (princípios) aplicados a situações práticas (exemplos).

 

No fundo, pela lei natural, sabemos o que é certo e errado. A educação (autodomínio), a formação que vamos adquirindo ao longo da vida e a graça de Deus vão modelando o que já sabemos por essência.

 

4.2 A modéstia e o pudor nas roupas

Assim como para o comportamento, também para as roupas não temos regras práticas, mas princípios que devemos aplicar. Em nenhum documento católico com valor de doutrina há uma enumeração ou regras de como o fiel católico deve se vestir.

 

Mesmo Santo Tomás de Aquino, sobre a virtude da modéstia, afirma que a modéstia está também na intenção da pessoa: se for para despertar a sensualidade alheia, é claro que temos o caso de um vício, um mal, um pecado. Porém, se a intenção da vestimenta é ser agradável, mostrar beleza, então a pessoa está agindo de maneira boa e virtuosa, portanto modesta. O aquinate também sinaliza que se vestir de maneira desleixada, sexualizada ou masculinizada também é errado. No entanto, ele não enumera ou exemplifica o que seria uma roupa desleixada, sexualizada e masculinizada, exatamente porque isto é marcado por questões temporais e culturais.

 

Na era vitoriana, mostrar um tornozelo já era sinal de sensualidade. Se vestir mostrando o tornozelo naquela época seria imodesto. Para alguns povos, mostrar o cabelo é considerado sensual, portando visitar estes povos de cabelo descoberto seria imodesto. Há culturas indígenas que exibir os seios e andar quase nu não é considerado impudico e nem sensual, portanto, para estes povos, não é imodesto usar poucas roupas. Este exemplo vem de São João Paulo II, em “Amor e responsabilidade”: “... Os povos primitivos das regiões tropicais vivem mais ou menos nus. Numerosos fatos relativos aos seus costumes provam que a nudez para eles não se identifica com a falta de pudor. Assim, por exemplo, o fato de cobrir certas partes do corpo é que representa para eles precisamente um sinal dessa falta de pudor”. Da mesma maneira que há diferentes interpretações para diferentes épocas e culturas, podemos afirmar que houve épocas, sim, que usar calças era considerado masculinizado, contudo, hoje, a depender do modelo, a calça pode ser tão feminina (ou até mais) que uma saia ou vestido.

 

Um visual masculinizado, sensual demais ou desleixado não se refere somente a uma peça de roupa específica, mas a um conjunto. Uma mulher de vestido cinza, cabelo curto, sem maquiagem, sapatos grosseiros, passa uma imagem mais masculina que uma mulher delicada, de cabelos longos, calça ajustada ao corpo, salto e blusa floral. O mesmo para uma mulher que estiver usando uma blusa de alcinha com saia e para uma que está com blusa de alça, short curto e salto alto. Muitas vezes uma peça de roupa, isolada, não é em si sensual, mas no conjunto do vestuário pode ser.

 

Quando dizemos “sexualizada” ou “sensual demais”, com base em Santo Tomás de Aquino, nos referimos a um visual vulgar, que faz a pessoa parecer um pedaço de carne na vitrine do açougue. Em outras palavras: que faz a pessoa não mostrar sua real dignidade através das roupas.

 

Apesar de a modéstia depender de variados fatores, não podemos cair em um relativismo moral ou cultural. Seríamos relativistas se disséssemos que todas as culturas estão corretas e que a moral varia de povo para povo. Não é assim! Temos um princípio moral universal que vamos aplicar de acordo com cada cultura e época. Não é a moral que varia: são as épocas e as culturas!

 

Afirma S. João Paulo II no livro “Amor e responsabilidade”:

 

“...O pudor não se identifica de maneira tão simplista com o uso de vestidos, nem a falta de pudor com a nudez parcial ou total. Não há nisso senão um elemento relativo e marginal. Pode-se muito concluir que a tendência para encobrir o corpo e as suas partes sexuais anda a par com o pudor, mas não constitui sua essência”

 

Mas, afinal, como saber se estamos sendo modestos em nossas roupas? Como já afirmado, a modéstia está ligada a outras virtudes. Dificilmente você será uma pessoa imodesta se você for uma pessoa verdadeiramente virtuosa, pois você saberá agir bem nas situações diversas e contará com a graça do Espírito Santo. Para os que estão começando, entretanto, pense no que não seria modesto e em quais situações isto não seria modesto. Pela negativa é mais fácil aprender a virtude.

 

Seria modesto ir à missa, um lugar de respeito, vestida com short, bermuda, chinelo ou como se você estivesse fazendo faxina em casa? Não.

 

E para fazer faxina em casa, seria modesto eu usar a mesma roupa que usaria em um casamento? Claro que não.

 

Que tal eu ir à praia de pijama? Nada a ver, certo?

 

E ir para a academia de saia? Além de inadequado, irá atrapalhar os exercícios.

 

Em algum documento da Igreja há estas especificações acima? Não! Mas pelos princípios da virtude, foi possível, com nosso bom senso, perceber que há roupas adequadas para cada ocasião, e que nas ocasiões mencionadas as roupas exemplificadas não caberiam, portanto seriam imodestas.

 

E sobre comprimentos, alças, decotes e afins? Lembre-se que ser modesto é ser elegante. Não é ser esquisito nem brega. É saber valorizar nosso corpo como dom de Deus! O que seria mais elegante? Esta pergunta pode ser um bom guia prático para pensar na virtude da modéstia relacionada às roupas.

 

É elegante mostrar os seios, de maneira que as pessoas só olhem para o busto? É elegante eu usar uma saia ou calça que, olhando de costas, dá para ver perfeitamente a marca da minha calcinha? É elegante uma calça ou saia justa que marque até minha celulite? É elegante eu usar uma roupa que parece emprestada de uma prostituta? Acho que essas perguntas, fundadas no bom senso, já respondem por si só o que não é modesto.

 

Um ponto importante: Como sempre afirmou Aristóteles, “a virtude está no meio”. Assim como não é virtuoso ser desleixado com as próprias roupas, também não é virtude se preocupar demais com elas, com o próprio visual, pensar a todo momento se está bem vestido ou se está pecando por imodéstia. Esta preocupação excessiva pode vir da vaidade, egoísmo e hedonismo. É bom e importante nos vestirmos bem e expressando beleza, porém isto não deve se tornar uma obsessão. A preocupação excessiva com o exterior pode nos levar a uma atitude farisaica, fazendo com que nos importemos mais com costumes do que uma atitude interior de amor e conversão. O exterior automaticamente reflete o interior quando há uma vida séria de oração e busca por viver virtuosamente.

 

E sobre os documentos referentes a modéstia que alguns apostolados divulgam como sendo doutrina?

 

1)      Trecho da Encíclica Sacra Propediem (1921) do Papa Bento XV

Não é mencionado quais roupas específicas ofendem a Deus nem quais danças são estas. Pelo nosso bom senso, sabemos que o Papa se refere a roupas e danças vulgares, não a qualquer roupa ou a qualquer dança.

“Desde este ponto de vista não podemos deixar de condenar a cegueira de quantas mulheres de todas as idades e condição; feitas tontas pelo desejo de agradar, elas não vêem a que nível a indecência de suas vestes chocam a todo homem honesto, e ofendem a Deus. A maioria delas teriam, em outras épocas, se envergonhado com esses estilos por grave falta contra a modéstia Cristã; e já não é suficiente que elas se exibam na via pública; elas não tem medo de cruzar as portas da Igreja, a assistir o Santo Sacrifício da Missa, e até de levar a comida sedutora das suas paixões vergonhosas até o Altar da Eucaristia onde recebemos o Autor celeste da pureza. E nós não estamos falando das exóticas e bárbaras danças recentemente importadas dos círculos fashion, cada uma mais chocante que a outra; não podemos imaginar nada mais apropriado para banir o que resta da modéstia”.

 

2) Alocução às Meninas da Ação Católica, 6 de outubro de 1940, sobre moda e modéstia

Em primeiro lugar, este é um discurso do Papa Pio XII sem valor de doutrina. É uma orientação pastoral para a época em que foi proferido. Nele o Papa comenta algumas mudanças que considera ruins na sociedade e, sobre moda e modéstia em específico, reafirma a doutrina de que a modéstia serve para preservar a dignidade da pessoa. Não enumera ou lista vestes específicas. Apenas cita que devemos pedir a graça de Deus e usarmos da prudência para escolhermos a maneira correta de nos comportarmos corretamente.

 

“Seu apostolado será realizado, acima de tudo pelo bom exemplo. Será o dever de seu amado Presidente, de seus líderes sábios, ensinar-lhes que antes de vocês colocarem um vestido, vocês devem se perguntar o que Jesus Cristo iria pensar disso; eles vão avisá-las que, antes de aceitar um convite, vocês devem considerar se o seu invisível guardião celestial poderá acompanhá-las, sem cobrir seus olhos com suas asas; eles vão dizer-lhes quais teatros, quais companhias, quais praias evitar; eles vão mostrar a vocês como uma garota pode ser moderna, culta, esportiva, cheia de graça, naturalidade e distinção, sem ceder a todas as vulgaridades de uma moda doentia, mas preservando uma aparência que não tem artificialidades, assim como a alma que essa aparência reflete, um semblante sem sombra, quer interior quer exterior, mas sempre reservado, sincero e franco. Recomendamos, acima de tudo, rezar para a corajosa e ativa defesa de sua pureza. Recomendamos especialmente a devoção à Eucaristia e à Virgem Maria Imaculada, a quem vocês estão consagradas.”

 

Obs: É importante lembrar que nesta época, a moral católica era muito difundida de maneira moralista, categórica. Desde João Paulo II há uma mudança na divulgação da doutrina, e isso se nota pelo tom dos escritos. Portanto o tom do Papa Pio XII é diferente do tom de papas mais modernos, porém ambos estão reafirmando, de acordo com cada época, princípios morais. Há outras alocuções e discursos dos Papas Pio XII e Bento XV sobre modéstia. Em todos não há valor de doutrina, apenas orientações pastorais para a época. Cabe salientar que muitas orientações pastorais da época se chocam com outras orientações pastorais e até documentos doutrinais de papas mais recentes. Isso mais uma vez reafirma que a doutrina é baseada em princípios aplicados a cada circunstância!

 

3) Padre Pio e suas falas

Em muitos textos e relatos, Padre Pio de Pietrelcina aparecia expulsando de seu confessionário com grosseria mulheres de saias acima do joelho ou de calças. As falas ou comportamentos de santos não podem ser considerados doutrina, porque são também marcadas pela cultura e tempo que viveram. Padre Pio viveu de 1887 a 1968 – uma época de profundas transformações e revoluções sociais. Não é preciso citar desde as duas guerras mundiais, as aparições de Fátima até a revolução sexual dos anos 60. Padre Pio passou por tudo isso. Teve uma vida de santidade exemplar. Era muito preocupado com o destino das almas que cruzavam seu caminho. Muitas calças dos anos 30, 40, 50, 60 eram masculinizadas e já começava a despontar a moda das minissaias. Neste contexto, é plausível que ele tratasse com aspereza certos comportamentos e vestuários, especialmente os vestuários que, para a época, eram considerados revolucionários.

 

4) Notificação do Cardeal Siri sobre o uso de calças

Este tema será tratado com mais afinco no próximo tópico. Todavia, cabe aqui sinalizar, mais uma vez, que se trata de uma orientação pastoral que não é nem de um papa, mas de um cardeal. É pertinente, também, analisar que o documento é da década de 60 e, assim como no caso do Padre Pio, calças tinham conotação revolucionária e corte masculinizado. Portanto vemos uma grande diferença entre falar sobre o uso de calças no século passado, em que o visual, como um todo, conotava masculinização da mulher, e falar sobre o uso de calças hoje.

 

Na notificação do Cardeal Siri, arcebispo de Gênova na época, ele coloca que “o uso de vestes masculinas por parte das mulheres afeta primeiramente à própria mulher, causado pela mudança da psicologia feminina própria da mulher; em segundo lugar afeta a mulher como esposa do seu marido, por tender a viciar a relação entres os sexos; e em terceiro lugar como mãe de suas crianças, ferindo sua dignidade ante seus olhos”. Apesar de citar “calças”, devemos entender que o cardeal se refere a um visual masculinizado da mulher. Quando a mulher adota um visual masculinizado, que na época era devido ao uso de calças, o cardeal pontua que ela tende a buscar o igualitarismo e desconsiderar a diferença entre os sexos, bem como desvalorizar a própria feminilidade. Ora, as consequências da revolução sexual dos anos 60 – e do igualitarismo exagerado buscado pelas feministas de linhas mais extremistas – vemos hoje com a famosa “ideologia de gênero” e a negação de que homens e mulheres são diferentes. Estas consequências não são devido especificamente ao uso de calças, mas a propagação de uma ideologia expressa na cultura e nas roupas de que a mulher deveria se masculinizar para ter determinados direitos. Em suma, apesar da notificação do cardeal citar calças, ela não tem valor doutrinal e, por seu contexto temporal e cultural, se refere ao visual masculinizado adotado por mulheres.

 

5) Normas marianas de modéstia

Alguns textos com normas marianas de modéstia (vestido ou saia com X dedos abaixo do joelho, com mangas, sem transparências etc.)  também não são doutrinais. Geralmente se referem a normas específicas de determinados grupos ou apostolados da Igreja (como a Cruzada Mariana), sendo válidos para os que participam destes grupos, e não para todos os fiéis. Outros textos ou falas, como o Cardeal Vigário do Papa Pio X que afirmou que “um vestido cujo decote desce a mais de dois dedos para baixo da base do pescoço e que não cobre os braços até o cotovelo, não pode ser chamado de decente”, se referem a trajes para a Santa Missa, não para todos os contextos da vida. É muito comum encontrarmos na missa pessoas vestidas das maneiras mais indecorosas possíveis: de chinelo, bermuda, decotes, alcinha, roupas que marcam sutiã e calcinha, transparências e afins. A Igreja é um local sagrado e de respeito! Portanto não é conveniente nem educado que possamos visitar este local ou assistir a Santa Missa com estas roupas. A modéstia se adapta à contextos, épocas e culturas. A roupa para ir à missa não pode ser a mesma de ficar em casa ou ir a um churrasco. Então ainda é válido que as pessoas possam se atentar para as vestes que usarão para frequentar a Igreja sendo possível, pelo Código do Direito Canônico, que seja negada a comunhão para aqueles que não estiverem decentemente vestidos.

 

4.3 O que modéstia NÃO É

Muitas pessoas não se atentam para o fato de que virtudes não devem ser isoladas e que a virtude da modéstia e do pudor são derivadas das virtudes cardeais da temperança e prudência. Assim, ao querer “viver a modéstia” acabam por só pensarem nas roupas. Pensam que ser modesto é andar na contramão do mundo, é esconder o corpo (como se este fosse algo pecaminoso), e é usar roupas “fora da moda”.

 

O próprio Papa Pio XII, quando se pronunciou sobre a moda e a modéstia, nas alocuções que fazia às moças católicas, dizia que “moda e modéstia devem andar de mãos dadas” e que “uma garota pode ser moderna, culta, esportiva, cheia de graça, naturalidade e distinção, sem ceder a todas as vulgaridades de uma moda doentia”.  Também afirmava que “Deus não vos pede para viver fora de vosso tempo, indiferentes às exigências sociais a ponto de tornar-vos ridículas, vestindo-se em oposição ao gosto comum e às práticas de vossos contemporâneos, sem considerar o que agrada". Levando em consideração que a doutrina baseia-se em princípios cuja aplicabilidade varia de acordo com as épocas, culturas e contextos, fica claro e quase óbvio que ser modesto não tem nada a ver com ser brega ou se vestir parecendo que faz parte de uma ordem religiosa.

 

É claro que se você for vocacionada à uma ordem religiosa, então é modesto seguir as roupas usadas por aquela ordem. Todavia, para os leigos, não faz sentido usar roupas feias, descombinadas, largas, simplesmente porque parecem ser modestas.

 

Esconder o corpo, como se este fosse objeto de pecado, faz parte de um pensamento gnóstico e maniqueísta, portanto herético, que considera o corpo e a matéria como coisas ruins, pecaminosas. O nosso corpo foi criado por Deus e deve ser valorizado! Como já afirmado, determinados visuais podem denegrir nossa dignidade e desvalorizar (em vez de valorizar) nosso corpo, porém, escondê-lo usando roupas fechadas, largas, escuras, feias, é contrário ao que prega a moral católica.

 

Para aprender mais sobre como se vestir de maneira elegante, sigam @belezacura e @oficialcelialeite

 

5. Dúvidas Frequentes

5.1 É pecado usar calças?

Nenhum documento com valor doutrinal menciona que seja pecado ou não o uso de determinada veste. Assim, usar calças não é pecado, desde que o visual da roupa, do look, como um todo, não seja masculinizado, pois isto feriria a virtude da modéstia.

Transcrevo um trecho deste texto da Aline Brodbeck sobre o uso de calças:

 

“[Santo Tomás de Aquino] é claro ao dizer que, embora a moral seja atemporal e absoluta, a condição dos vestidos exteriores será ou não modesta segundo a cultura própria, dado que “o ornato exterior deve corresponder à condição da pessoa segundo o costume comum.” (S. Th., II-II, q. 169, a. 2)

E São Francisco de Sales, o grande incentivador do apostolado e da vida de piedade dos leigos, diretor de muitas almas, e incansável conquistador de calvinistas na Genebra da qual foi Bispo, ensinava: “[N]o tocante à matéria e à forma dos vestidos, a decência só se pode determinar com relação às circunstâncias do tempo, da época, dos estados ou vocações, da sociedade em que se vive e das ocasiões.” (Filoteia, III, cap. XXV)

[...]

Na S. Th., I-II, q. 7, Santo Tomás trata de esclarecer que as circunstâncias dos atos humanos são também fundamentos da moral. A moralidade é absoluta, mas a aplicação de seus princípios leva em conta aspectos circunstanciais. Isso se aplica, como visto, às roupas.

[...]

Quanto a Igreja diz “mulheres devem usar roupas de mulher”, ela não está definindo qual é a roupa de mulher. O que vai definir é a cultura, o ambiente, o caimento da roupa, o tipo de corte, o biótipo da mulher em específico. Isso não é relativismo. Relativismo seria relativizar a expressão “mulheres devem usar roupas de mulher”, pois isso, como uma verdade, é necessariamente absoluta e objetiva. Já o conceito de roupa de mulher não é uma verdade, e é variável. O modernismo, vejam, foi condenado por ser a variabilidade do conceito de cada dogma, mas isso não impede que outras coisas possam variar. Verdades não variam, não se adaptam, mas o conceito de roupa de mulher não é uma verdade. Temos, claro, que sempre usar roupa de mulher, mas o conceito disso pode mudar. Se eu usasse uma calça jeans com corte masculino ou um terno com gravata, igual ao meu marido, algo estaria errado, mas não uma calça ou um terninho com corte feminino: e reconhecemos bem um quando o encontramos, não?

[...]

A absolutização das vestes, como se mulheres sempre devessem usar saias e vestidos, lhes sendo vetadas as calças, ignora as diferenças regionais e temporais. Nem sempre a mulher - e mulher cristã, mulher modesta, mulher de bons costumes - vestiu a mesma coisa. A modéstia não muda. A aplicação de suas regras às roupas muda, e muda porque mudam as roupas, mudam os costumes, mudam os cortes, mudam até os corpos. Dogmatizar a indumentária tem raízes não só no gnosticismo, mas em um etnocentrismo. A Carta a Diogneto, um dos primeiros documentos do cristianismo, dizia que os cristãos não se distinguiam dos pagãos por suas roupas.”

 

No mesmo texto, há uma transcrição de uma seção da revista “Pergunte e Responderemos” em que D. Estevão Bettencourt responde sobre o uso de calças pelas mulheres:

 

Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 257 – Ano 1981 – Pág. 271

 


Em síntese: Um estudo detido e objetivo de Dt 22, 5 mostra que o preceito de Moisés não tem em mira simplesmente o uso de calças compridas por parte de mulheres, mas, sim, os abusos que este tipo de traje ocasionava nos cultos pagãos; favorecia o deboche e outros vícios inspirados pela mentalidade de povos pré-cristãos. Por conseguinte, não se pode condenar a moda feminina das calças compridas em nome da Escritura Sagrada. Tal tipo de indumentária tornou-se algo de natural e geralmente aceito, sem chamar a atenção do público, a não ser que as próprias calças, por sua índole “colante”, sejam feitas para provocar os instintos sexuais.


Comentário: O uso de calças compridas por pessoas do sexo feminino tem sido impugnado em nome de um texto do Deuteronômio, freqüentemente aduzido sem procura exata do respectivo significado. Eis por que passamos a examinar tal secção e o problema citado.

De 22,5: “A mulher não trajará vestes masculinas, e o homem não usará vestes femininas. Quem assim proceder, será abominável ao Senhor teu Deus”.

 

1. Este texto há de ser entendido como qualquer outra passagem bíblica, dentro do respectivo contexto histórico. Sabe-se que a Bíblia oferece a Palavra de Deus “encarnada” dentro da linguagem e da cultura dos homens que Deus quis assumir como hagiógrafos.

Ora, ao procurar reconstituir o quadro histórico e cultural do versículo acima, os comentadores unanimemente afirmam que

1) o texto não tem em mira condenar o uso, como tal, de calças compridas por parte das mulheres, como se esse uso, por si mesmo, fosse provocação ao pecado;

2) nem tem em vista defender diretamente as diferenças naturais existentes entre o sexo masculino e o feminino, mas

3) foi redigido em vista de certas práticas usuais nos cultos pagãos da Síria e de Canaã, práticas que davam ocasião a ações grosseiras e imorais.

Vejamos de mais perto este último tópico.

 

2. É notório o fato de que entre os gentios se praticava a prostituição sagrada. Chamava-se hierodula (servidora do santuário) a pessoa, às vezes de sexo masculino, mais freqüentemente de sexo feminino, que se prestava à prostituição sagrada nos templos; tanto o homossexualismo quanto o heterossexualismo podiam então ser cultivados; em conseqüência, não era rara a figura do (a) travesti(e). – A prostituição sagrada existia nos santuários egípcios e mesopotâmicos de Isis e Istar; principalmente, porém, nos templos de Astarté em Canaã (= Palestina). Sob a influência dos cananeus (cf. Nm 25,1-18), o mal penetrou também no culto israelita. Compreende-se que, neste contexto histórico e geográfico, a Lei de Moisés proibisse tal abuso e excluísse das ofertas feitas no templo do Senhor o salário de uma prostituta, que era também chamado “salário de cão” (cf. Dt 23,17s).

Na época de Jeroboão (931-910) o abuso aumentou notavelmente (cf. 1Rs 14,24), mas Asá (911-870) e Josafá (870-848) expulsaram as hierodulas da terra de Israel (cf. 1Rs 15,12; 22,47). De novo as hierodulas apareceram em Israel sob Manassés (687-642) e Amon (642-640); todavia Josias (640-601) mandou demolir as suas habitações (cf. 2Rs 23,7).

Ainda a respeito do uso de vestes ou insígnias masculinas por parte de mulheres, note-se o seguinte: Segundo Macróbio (séc. V d.C.), em Saturnalia 1. III, VIII, havia em Chipre uma estátua de Vênus, barbatum corpore, sed veste muliebri, cum sceptro ac statura virili (dotada de barba, de cetro e de estatura viril, mas vestida como masculina e feminina, e à qual ofereciam sacrifícios homens vestidos como mulheres e mulheres vestidas como homens. Ver também Servus (+ fim do séc. IV), In Aencidam II 632; Apuleio (+ 185 d.C.), Metamorphoses VIII 24 s.Por conseguinte, não pode restar dúvida a respeito do caráter circunstancial e delimitado (geográfica e historicamente) da proibição de Dt 22,5.

 

3. Passando ao plano da Teologia Moral propriamente dita, pode-se ainda observar quanto segue:

Uma veste deverá ser tida como imoral se provocadora ou excitante de concupiscência: assim toda roupa que deixe descobertas ou faça transparecer ou ponha em evidência partes sexuais ou erógenas do corpo humano, torna-se, via de regra, excitante. Por isto deve ser banida como imodesta e imoral. Verifica-se, porém, que o uso de calças compridas hoje em dia por parte das mulheres não costuma excitar nem seduzir para o mal. Tornou-se algo de natural e geralmente aceito, sem chamar a atenção do público (a não ser que as próprias calças, por sua índole “colante”, sejam feitas para provocar os instintos sexuais). Eis por que não se vê razão para condenar o uso de calças compridas por pessoas do sexo feminino em nossos dias, de mais a mais que tal traje é muitas vezes mais decente do que certos vestidos ou saias.

 

 

5.2 O apelo de Nossa Senhora em Fátima se refere às calças?

A famosa frase de Nossa Senhora, em Fátima, em que “viriam modas que ofenderiam ao Senhor” veio de uma revelação particular a Jacinta. Estas modas não sabemos com exatidão dizer quais seriam. Por que muitos dizem ser as calças? Por que não os decotes, minissaias ou roupas justas? “Modas” também englobam não somente roupas, mas comportamentos, ideologias, estilos. Por que não dizer que as modas que ofenderiam ao Senhor seriam as ideologias radicais dos anos 60? Ou os cortes de cabelo curtos e masculinizados para mulheres? Ou comportamentos depravados?

 

Levando em consideração a doutrina católica e que Nossa Senhora também falou que “os pecados que mais levam as almas ao inferno são os pecados da carne”, as prováveis modas que ofendem a Deus são as roupas vulgares, as ideologias que pregam coisas contrárias à moral católica, e os estilos e comportamentos que fazem as mulheres passarem uma imagem que fere a própria dignidade.

 

5.3 Em que consiste a modéstia masculina?

As virtudes são para homens e mulheres. Não existem virtudes só para um sexo ou outro. Assim, a modéstia, o pudor, a prudência, a temperança, a castidade, a pureza e todas as outras virtudes são para homens e mulheres.

 

Para os homens, assim como para as mulheres, também a virtude da modéstia se adapta aos contextos, épocas e cultura. Não é adequado ir à missa de chinelo, bermuda ou camiseta regata, assim como não é adequado ir à academia com roupa de festa.

 

A modéstia é elegância para homens e mulheres. Seja um homem elegante, bem vestido, educado, cheiroso, discreto. Reze e busque todas as virtudes. A modéstia é apenas uma delas.

 

5.4 Posso ser consagrada pelo método de S. Luis de Montfort e não usar saias?

Para qualquer católico, seja ele consagrado ou não a Nossa Senhora pelo método de S. Luis e Montfort, pede-se que seja uma pessoa virtuosa. A modéstia é uma destas virtudes e, como demonstrado, modéstia não tem a ver somente com usar ou não saias.

 

Portanto, é possível, sim, ser consagrado pelo método de S. Luis de Montfort e não usar saias. Uma coisa não tem a ver com a outra.

 

5.5 Pintar as unhas, usar maquiagem, se depilar podem ser considerados imodestos?

Da mesma maneira que não há normas/regras para roupas ou comportamentos, também não há normas para detalhes da moda, como esmaltes, maquiagem, depilação e outros. Muitas vezes, usar maquiagem, estar com as unhas feitas e a pele depilada, podem ser considerados atos de caridade, pois fomentam a beleza, e o belo está diretamente ligado a Deus. Gostamos de ver o que é bonito, limpo, cheiroso, agradável aos olhos. Temos repulsa à feiura, à sujeira, ao fedor. Assim, estar com a depilação e unhas em dia, maquiagem feita, perfumada, bem vestida é não somente algo bom, como também virtuoso, pois mostra a própria dignidade e também passa a imagem de que você se importa consigo e com as outras pessoas.

 

5.6 Como ir na praia e ser modesto?

O princípio varia de acordo com épocas e ocasiões. A ocasião de ir à praia certamente é diferente da ocasião de ir ao trabalho, a um casamento ou a ficar em casa.

 

Afirma São João Paulo II, em “Amor e responsabilidade”: “No vestir não há nada de impudico a não ser aquilo que ao sublinhar o sexo, o faz de tal maneira que contribua claramente para ofuscar o valor mais essencial da pessoa e inevitavelmente acabe por provocar uma reação à pessoa como a um possível objeto de prazer em razão de seu sexo, impedindo assim a reação à pessoa enquanto objeto possível de amor, graças ao seu valor de pessoa. O princípio é simples e evidente, mas a sua aplicação concreta depende dos indivíduos, dos ambientes e da sociedade. O vestuário é sempre um problema social, é, portanto, uma função dos costumes (sãos ou malsãos)”. Então exemplifica: “Não é contrário ao pudor tomar banho de mar com maiô, mas é impudico andar com ele pela rua em passeio”. Ou seja, não é imodesto usar uma roupa de banho para o ambiente adequado (praia/piscina), mas seria para ambientes inadequados (seu trabalho, shopping etc., por exemplo).

 

Assim, não há problema frequentar praias e piscinas com roupas de banho. Apenas preste atenção no tipo de traje de banho: maiôs e biquínis sensuais passam uma imagem vulgar e que destroem a camada de dignidade que temos. Atualmente, há maiôs lindos e elegantes à venda no Brasil e no exterior.

 

Para os homens, vale prestar atenção nos olhares. O ambiente da praia e piscina pode ser adequada para alguns, mas pode ser inadequado para outros. Se este lugar te desviar do foco de estar ali, que é o descanso e a diversão sadia, é melhor que se abstenha de frequentá-lo. Quanto às roupas, é muito elegante uma bermuda de tactel, mas é apenas uma sugestão nossa, ok?

 

5.7 Como funciona a modéstia para crianças?

Tanto para homens, mulheres, como para crianças, as virtudes são as mesmas: princípios a serem aplicados de acordo com o contexto, época e cultura. Para as crianças, devido à pureza própria da idade e ao caráter estar em formação, ainda não há malícia em olhar para alguém nu, tampouco em esconder o próprio corpo. É importante que desde pequenos os adultos ensinem de modo afetuoso, mas firme, o certo e o errado, bem como a importância de ser uma pessoa boa e virtuosa.

 

Não é legal ameaçar a criança ou apresentar Deus como um ser punidor: “Se você não for bonzinho o Papai do Céu não vai gostar de você” ou “Se você não obedecer Jesus vai ficar muito triste”.

 

É interessante que as virtudes sejam apresentadas para a criança de maneira muito natural e tranquila, como parte da vida cotidiana, assim como escovar os dentes ou tomar banho. A virtude da modéstia, como as outras, também entra neste tópico. A criança precisa descobrir a dignidade do próprio corpo, dos próprios valores. Por isso que muitos especialistas em famílias não recomendam que filhos tomem banho juntos com os pais (todo mundo pelado), ou tomem banho juntos entre irmãos, e nem que os pais se troquem na frente dos filhos. Também recomendam que os pais não andem pela casa mal vestidos, sempre de pijama, sem sutiã, ou sem camisa (no caso dos homens), pois isso passa para a criança a imagem de que podemos ser descuidados com nosso visual - além, é claro, de que no casamento é muito melhor para o casal que ambos estejam sempre asseados e bonitos um para o outro.

 

É comum também, entre as famílias, que filhos e pais soltem gases ou arrotem na frente uns dos outros. É claro que a Igreja não tem regras sobre isso, mas também é evidente que é indelicado este tipo de intimidade na família. O pudor também está nestes pequenos comportamentos. Há delicadezas no lar muito importantes para a boa educação das crianças: a criança aprender que soltar gases é só no banheiro, o marido e a esposa respeitarem a própria intimidade quando estiverem usando o vaso sanitário, pais e filhos baterem na porta antes de entrar em um cômodo...

 

Aos interessados em se aprofundar no assunto, sugere-se seguir alguns grupos e apostolados muito bons em educação dos filhos e ensino de virtudes: @dorita_porto @serfamilia @samiamarsilli @maedos11

 

6. Indicações de Livros

Alguns livros podem ajudar a entender melhor a doutrina católica a respeito da moral, das virtudes, da feminilidade e masculinidade e, em específico, da modéstia e do pudor.

 

Livros

- Catecismo da Igreja Católica

- Palestra do Padre Francisco Faus sobre o Concílio Vaticano II

- Amor e responsabilidade, São João Paulo II (na época, Karol Woytila)

- Catequeses da Teologia do Corpo, São João Paulo II

- Teologia do Corpo para iniciantes, Christopher West

- A fé explicada, Leo Trese

- A conquista das virtudes, Padre Francisco Faus

- Virtudes raras, Raul Plus

- As pequenas virtudes do lar, Georges Chevrot

- As virtudes morais, Santo Tomás de Aquino

- Tornar a vida amável, Padre Francisco Faus

- O pudor, Ada Simoncini

- Todos os livros do Padre João Mohana

- A mulher, Edith Stein

 

Textos do blog

- O que é o que não é doutrina

- A mulher segundo Edith Stein

- Perguntas e respostas

- Submissão no casamento I

- Submissão no casamento II

- Quem está matando a família é a própria família

- A dignidade da mulher no olhar de Deus

- O verdadeiro sentido da vida está no sexo

- Castidade e Modéstia

- Porque ser radtrad parece mais correto que ser equilibrado

- Resenha do livro “Casamento e família”, do Papa Pio XII

- Textos da Marcela Kamiroski

 

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

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