"Homem e Mulher os criou" - As diferenças que nos complementam.

"Homem e Mulher os criou" - As diferenças que nos complementam.

             Através da análise bíblica do Gênesis encontramos riquezas grandiosas acerca da identidade masculina e feminina. Frequentar a bíblia é reencontrar as raízes, mas também é curar-se, reestruturar-se, gerando o sentido pleno de nossa missão particular e de toda nossa existência.

            Sabemos que só Deus é verdadeiramente masculino e a alma de todo ser humano é feminina, já que ela é chamada aos esponsais com Deus, o que confirma São João Paulo II: “A dignidade de todo o ser humano e a vocação que lhe corresponde encontram sua medida definitiva na união com Deus.” Porém, Deus quis na criação manifestar a visibilidade dessa união, e na beleza das diferenças, favorecer-nos com o vínculo da perfeição.

 

A identidade masculina:      

“E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.” Gn 2,15

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              É muito belo ver a relação de Deus com o homem no início: é uma relação de pessoa a pessoa. É ele quem nomeia todos os seres vivos, designando-lhes assim sua missão no seio da Criação e reinando sobre eles. Ele estava presente no momento em que Deus os criou e participava de sua obra.

               Assim, o homem torna atual aquilo do qual se faz memória, ao mesmo tempo, memória genética e memória litúrgica. Ele celebra a obra criadora de Deus gerando e celebrando, como um papel sacerdotal de tornar presente o que vem de Deus. Por esta razão, a ele é mais exigido a garantia do êxito da parte material e das relações com o exterior. Seu corpo e seu espírito são moldados pela luta e a conquista da terra para que, conforme a sua vocação primeira, tenha o domínio de si para fazer render e proteger o jardim a ele confiado.

 

A identidade feminina:

“E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.” Gn 2,20

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                Quando Deus quis criar a mulher fez cair sobre Adão um sono misterioso, agindo sem seu conhecimento, deixando-o face ao mistério deste ser que passou a existir enquanto ele dormia. (Dizem que é por esse motivo pelo qual os homens nunca entenderão as mulheres, rs)

                O homem não a dominará como domina os animais, pois ficará sempre diante do mistério. Do peito de Adão brotou um grito de admiração. Ele a reconheceu e se reconheceu nela e este encontro é uma plenitude. Suscitando sua admiração, a mulher desempenha um papel significativo: diante dela, que lhe é ao mesmo tempo semelhante e diferente, o homem reconhece a própria identidade.

               Mulher significa concavidade, receptáculo, criar um espaço interior. Seu corpo é todo flexibilidade e ternura e é feito para acolher, para consolar, para dar a vida. Será o receptáculo do amor, da Palavra de Deus, e chamada à semelhança da virgem Maria a meditar essa Palavra em seu coração. Sendo mais espiritual e mais religiosa por natureza, é qualificada como a alma da casa.

 

Submissão feminina?

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.” (Gn 2, 18)

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               Muitos interpretam essa passagem como a mulher sendo submissa ou apenas uma “auxiliar”, mas o termo sugere uma interpretação muito mais profunda. “Ajudadora idônea” em hebraico é ezer kenegdo, que significa “uma ajudante que é oposta a ele.”, o que pode significar duas coisas: “uma ajuda toda pra ele”, oposição que o complemente em uma comunhão para tornar sua união fecunda, ou então “contrária a ele”, uma inimiga, e neste caso ela pode chegar a destruí-lo. Ou seja, a mulher pode escolher em ser sua aliada ou sua adversária, levar a luz ou as trevas, de acordo com o modo como usa sua liberdade.

              Eva foi tirada da costela de Adão, que é também seu lado, sua metade, o que significa que são para sempre parte tomada um do outro, que são chamados a existir um ao lado do outro, um para o outro. Adão reconheceu Eva como sua complementação, não como sua rival, e muito menos como sua escrava. “É osso dos meus ossos, é carne da minha carne, é igual a mim.” Somente dois seres que fossem diferentes, mas iguais, poderiam se tornar uma só carne.

 

Viver sobre a mesma missão

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                 A grande motivação da criação da mulher é, primariamente, o companheirismo, termo que vem do latim “cum panis”, que significa “aquele com quem dividimos o pão”. Essa sim é a bela finalidade da criação da mulher — um ser que está ao meu lado e com quem eu posso dividir o meu pão. Infelizmente o pecado trouxe a distorção relacional entre o homem e a mulher (Gn 3.16) e iniciou-se o distanciamento naquilo que deveria ser perfeitamente harmonioso.

                Assim sendo, o homem e a mulher foram criados para a comunicação com a comunhão no Amor à imagem da Trindade. Sua profunda diferença cria uma profunda atração, em vista de uma complementaridade harmoniosa. Um caracteriza-se pela potência e pelo agir, a outra pela presença e pelo ser. Se de um ser Deus fez dois é para que os dois se tornem um, numa plenitude ainda maior. A mulher pode sim ser tirada do homem, mas o homem só pode nascer, e o vir a ser, por intermédio de uma mulher.

 

Marcela Kamiroski

Toda terça-feira publicaremos um texto nesta jornada de reencontro com a identidade feminina, suas aspirações interiores e seu valor ontológico para a sociedade.

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insta: @marcela.kamiroski

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