Leis biológicas, instinto e paixões: o que isso tem a ver com paternidade responsável?

Leis biológicas, instinto e paixões: o que isso tem a ver com paternidade responsável?

Neste trecho da encíclica, Papa Paulo VI trata de dois pontos imprescindíveis da paternidade responsável: as leis biológicas intrínsecas ao ser humano, e as paixões.

Nos dias atuais, não é raro encontrarmos pessoas que, motivadas por determinadas ideologias e outras causas, negam processos biológicos básicos, como por exemplo, o início da vida. Mas com relação à vivência matrimonial de um casal que quer viver em reta conduta cristã, o que significa conhecer e respeitar as funções biológicas?

Significa que é possível exercer a paternidade responsável - ou seja, estar aberto à vida mas ponderar questões sérias que façam necessário adiar uma gravidez por um período - utilizando da própria natureza humana: o funcionamento do seu corpo.

O próprio Deus concedeu ao homem a inteligência e a capacidade de descobrir técnicas e aprofundar conhecimentos que concorram para o bem do mesmo. É por isso que a encíclica Humanae vitae recomenda que se recorram aos ritmos naturais de fertilidade para adiar uma gravidez, quando há motivo sério para tal.

O que acontece nos dias de hoje é que a fertilidade das mulheres em geral está mascarada pelo uso de contraceptivos artificiais. Meninas iniciam muito cedo o uso da pílula e, enquanto os anos vão passando, elas não fazem ideia de como funciona o seu corpo, em qual dia estará fértil, etc. Existe uma forte cultura contraceptiva nos nossos dias, proveniente do advento da pílula e da revolução sexual, que leva a uma negação da fertilidade. Mulheres identificam em si uma “doença”: a sua fertilidade, que precisa ser reprimida a todo o custo, por conta de diversas questões (incluindo algumas questões culturais já abordadas no  primeiro e segundo textos desta série).

“A inteligência descobre leis biológicas que fazem parte da pessoa humana”. O corpo da mulher emite sinais que estão diretamente ligados com ocorrências hormonais em seu ciclo reprodutivo: esses sinais podem ser percebidos e, com base neles, é possível identificar os dias férteis. Este conhecimento, apenas ele, sem o uso de métodos artificiais e gasto de dinheiro, permite exercer a paternidade responsável. Antes disso, permite que muitos casais deem um primeiro passo que é crucial: o abandono dos contraceptivos.

Para colocar em prática o que é definido como paternidade responsável, é imprescindível também que os casais sejam capazes de exercer o domínio “em relação às tendências do instinto e das paixões”. O Papa Paulo VI ressalta que a paternidade responsável requer o “necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas”. Isso é algo que não foi ensinado à nossa sociedade atual: entender que existem razões que devem se sobrepor aos instintos e às paixões.

Para que o casal possa ter domínio de seus instintos e paixões, se faz necessário a busca por virtudes de uma forma radical; pois movido por paixões, perde-se o foco, e nossa geração não foi treinada para isso, não foi educada para o sacrifício. Perdemos o foco sem mesmo perceber. Mas qual é o foco? Na perspectiva cristã, só pode ser um: amar a Deus sobre todas as coisas. Amar e servi-Lo. Não raro, casais se propõem estar abertos a vida e a vontade de Deus, mas acabam se perdendo por não terem um bom controle de seus instintos e paixões, e usam de métodos naturais de planejamento familiar com a mesma mentalidade contraceptiva que teriam ao usarem uma pílula. Por exemplo, “necessitam” de um carro do ano, com a desculpa de que é extremamente seguro para a família, gastando uma grande quantia de dinheiro nisso; e outros tantos luxos do dia-a-dia, até mesmo numa suposta educação de qualidade para os filhos (que pode até mesmo ser enganosa). Critérios como esses fazem muitos casais abrirem-se à vida, mas permanecerem parcialmente abertos; “meio-aberto-meio-fechado”; com a generosidade parcialmente controlada por suas paixões, por conta da “necessidade” de uma vida mais confortável.

Se Deus é tão generoso com seus filhos, não deveríamos buscar ser generosos com Ele também, dando-lhes filhos para louvá-Lo e servi-Lo? Não é tarefa fácil, mas “se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24). O controle das paixões é complexo e demanda muita oração, busca por virtudes e honestidade em exames de consciência constantes com um único foco: fazer a vontade de Deus e não a minha.

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

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