O relacionamento não deu certo. E agora?

O relacionamento não deu certo. E agora?

Um relacionamento que não deu certo e a terrível dor do término. Nessas horas, algumas mulheres têm a tendência de querer contar para todas as amigas tudo que aconteceu, buscando alguém que lhes ouça, entenda, compartilhe de sua dor. Buscam algum consolo.

Quem já não passou por isso? Com o fim de um relacionamento, chama uma amiga para partilhar, liga pra outra, manda mensagem a outra e por aí vai. É claro que esse é um momento particular e é compreensível tal atitude. No entanto, agindo assim podemos nos expor a algumas situações delicadas, ouvir conselhos totalmente inadequados e desnecessários, ou, simplesmente, ouvir o clássico: “ah, esquece isso”. Como se fosse simples. Quem fala assim pode até ter parado para ouvir você com atenção, carinho, ter buscado colocar-se no seu lugar, mas as pessoas são diferentes, cada uma reage de uma forma a determinada dor, perda ou sofrimento. Para algumas mulheres, esse conselho vai funcionar, já para outras, não.  Há pessoas que precisam de mais tempo para superar um relacionamento que não deu certo. E isso não faz delas melhores ou piores do que as outras. Ninguém é obrigado a ser igual a ninguém.

Nesses momentos, como se está num período de fragilidade, é uma tentação sair por aí contando para todo mundo nossa história em busca de consolo, de um ombro amigo para chorar. Mas já perceberam como isso não faz bem? Como abrimos a nossa vida, a nossa intimidade, o nosso “sagrado”, às pessoas, damos brecha a ouvirmos todo tipo de comentário, opinião, frase feita, ou mesmo coisas que nos ferem profundamente. E aí vem o arrependimento: “onde eu estava com a cabeça de partilhar isso com a fulana ou a sicrana?”. Nessa hora, só cabe mesmo o arrependimento por termos exposto algo tão íntimo a alguém que, muitas vezes, não por maldade, mas mais por insensibilidade, falta de interesse, de habilidade ou de empatia, nos oferece aquela bendita opinião ou aquele bendito conselho...

Podemos aprender algumas lições sobre isso. Primeiro, é preciso se conhecer (autoconhecimento) para saber se você está lidando de forma natural ou não com determinado término de relacionamento. A ajuda de um diretor espiritual é preciosa. E, às vezes, é preciso buscar também uma ajuda profissional, como a terapia, se possível. E, a partir daí, respeitar o seu tempo. É um processo que pode ser curto ou um pouco mais longo, mas passa, sempre passa. Lembre-se de que sua felicidade não depende de ninguém. Não dê a outra pessoa um poder que ela não tem: o de te fazer feliz. Olhe para você e pense que você antes de nascer já existia em um sonho de amor de Deus.

Chega um dia em que você, sem violar o seu processo nem o seu tempo necessário para superar determinada situação, toma consciência de que vivia sua vida bem e tranquila antes de conhecer aquele rapaz. Faça o exercício de olhar para sua vida antes de conhecer aquela pessoa. Você verá que respirava, caminhava, andava, corria atrás dos seus sonhos... Ou seja, você vive sim sem ele! A sua vida não é limitada pela necessidade da presença dele nela. Nessas horas, chega o grande momento. Momento repleto de gratidão a Deus, de alívio, da alegria pela superação, de retorno da paz interior, que parecia ter se ausentado, e, especialmente, de amor. Quem se reconhece filho amado de Deus pode até demorar, mas sempre se reconhece digno de um amor de verdade e para toda a vida. Sempre chega o momento, graças a Deus, de reconhecermos que tínhamos apenas migalhas: migalhas de atenção, migalhas de afeto, migalhas de carinho e, até mesmo, migalhas de respeito. E não nascemos para nos contentarmos com migalhas. Não mesmo! Nosso coração anseia por muito mais do que apenas migalhas. Percebemos, então, que rompemos com o cativeiro emocional no qual estivemos submersas. E que, nesse processo, crescemos e amadurecemos um pouco mais.

Conto aqui a experiência de uma amiga. Ela relata que já esteve super apaixonada e sofreu muito por um rapaz. E pensava que jamais iria esquecê-lo, que ele era o homem ideal para ela, que não existia nenhum outro igual a ele etc. Conta que chorou muito diante do Santíssimo Sacramento por isso, e que Jesus conhece essas lágrimas. E, nesse período, ela abriu sua história a algumas pessoas e ouviu todo tipo de comentário, opinião: de coisas tão delicadas e profundas a outras que a machucaram bastante por tamanha insensibilidade e indelicadeza. E dizia que, infelizmente, ela mesma tinha dado brecha para aquele tipo de situação.

Por isso, eu digo: guardem o seu sagrado, suas histórias, sua intimidade. Não abram as portas de sua vida e intimidade a qualquer pessoa. A Palavra de Deus traz um ensinamento nesse sentido: “Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil” (Eclo 6,6). Já o Catecismo da Igreja Católica nos mostra que “O pudor preserva a intimidade da pessoa” (CIC 2521). Ainda sobre o pudor, revela-nos o Catecismo: “Mantém o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco de uma curiosidade doentia. Torna-se discrição”. (CIC 2522). E, no ponto 2533 do Catecismo, lemos o seguinte: “O pudor preserva a intimidade da pessoa”.

A falta de pudor não está somente nas roupas que revelam partes do corpo que “todo mundo” não deveria ver. A falta de pudor também reside em expormos nossa vida de maneira inadequada e para pessoas inadequadas. Ada Simoncini, no livro “O pudor”, afirma que “Há coisas que só se podem manifestar na intimidade, por estarem estreitamente vinculadas ao que há de mais profundo, de mais 'íntimo' na pessoa, individualizando-a e mostrando quem realmente ela é. Ao tornar-se público, aquilo que é íntimo esvai-se, perde valor, e a pessoa sente-se de certo modo violentada”.  Assim, quando revelamos sobre nossa vida para alguém, não devemos nos esquecer que, além de revelarmos sobre nós, revelamos também sobre outros, e podemos expor outras pessoas a julgamentos e comentários sem a permissão deles.

Isto não significa que não devemos pedir conselhos ou comentar sobre nossa vida com ninguém. O que é aconselhável é escolher poucos e bons amigos para contar sobre nossas vidas e pedirmos ajuda para estas poucas pessoas. Por mais tentador que seja, não saia falando de sua vida (ainda mais quando envolve outras pessoas) para todo mundo!

Para concluir, vemos que é importante se conhecer bem, silenciar, rezar nesse sentido, abandonar-se em Deus. Para todas as ocasiões, em todos os momentos, é importante cultivarmos uma amizade em especial - a amizade com Jesus Eucarístico – principalmente nos momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, na Santa Missa, na oração. Além disso, buscar se conhecer cada vez mais e reconhecer a sua dignidade de filha amada de Deus, merecedora de amor genuíno e verdadeiro, podem ser meios valiosos para te fazer lembrar quem sempre esteve ao seu lado, em todos os momentos. E te fazer recordar também o tipo de amor que você merece e precisa. Jamais se esqueça de que você é resultado de um sonho de amor de Deus, Ele sempre te quis, sempre te amou, sempre te espera. Viva de forma plena, como uma filha de Deus que você é. Seja a melhor versão de você mesma. Comece agora!

 

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

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Monick Cruz

Monick Cruz

Maravilhoso texto
★★★★★DIA 12.04.18 21h33RESPONDER
Letícia B
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