Perguntas e Respostas

Perguntas e Respostas

Aqui no blog temos diferentes colaboradoras, formadas por diferentes movimentos e grupos, porém unidas em sermos fiéis à doutrina em tudo o que escrevermos ou aconselharmos.

Eu sou católica desde que nasci. Aos 11 anos já era catequista na minha paróquia. Já tive contato com a RCC, os Focolares, o Neocatecumenato, grupos diocesanos pastorais e de jovens e há mais ou menos 05 anos frequento e recebo formação do Opus Dei. Tenho minhas críticas aos grupos e movimentos que já tive contato ao longo da minha vida, porém a mensagem que quero deixar é que tive uma formação bem diversificada e desde sempre procurei recorrer às fontes primárias da Igreja - como o Catecismo, encíclicas, cartas apostólicas e afins –  para todas as dúvidas e formações ou catequeses que eu dava.

Posso garantir para vocês que tudo o que eu escrever ou aconselhar aqui não é fruto da minha opinião, vontade ou ideia. Sou muito bem formada e capacitada para estar respondendo a estas perguntas.

Coloco esta exortação inicial porque é muito comum recebermos mensagens de adolescentes na casa dos 15 anos indicando links e falas de santos (como se eu e as outras colaboradoras não conhecêssemos tais coisas) e nos ameaçando por não adotarmos a postura “tradicional” de modéstia que eles gostariam que tivéssemos. Eu já passei por essa fase tradicionalista e posso garantir para vocês que foi a pior época da minha vida. Não quero entrar em detalhes para não me expor. O fato é que tenho tanto formação quanto experiência prática para participar deste apostolado do Modéstia e Pudor e propagar um estilo equilibrado de vida cristã (afinal, é isso mesmo que a Igreja pede aos fiéis leigos).

Sobre o nosso nome (Modéstia e Pudor), aliás, está totalmente antiquado para nossos propósitos atuais de propagar a santificação em meio ao mundo. Nunca uma virtude foi tão deturpada e se tornou tão caricata como a modéstia! Todavia, como já somos conhecidos com este nome, ficaremos assim.

Bom, às perguntas... Vez ou outra uma das colaboradoras abre a caixa de perguntas no instagram para os leitores. Dessa vez fui eu a perguntar e a responder. Por favor, leiam todos os links indicados e só nos procurem se dúvidas surgirem APÓS a leitura dos textos indicados.

Inicialmente, recomendo a leitura deste texto da Carol: Mochilas, muletas e a vida humana – é a base para tudo o que vamos falar daqui para frente

 

Perguntas

 

É possível namorar um não católico? Como ajudar na conversão do namorado sem ser a pessoa mais chata do mundo? Como conciliar um relacionamento com um evangélico?

Sim e não! rs Vamos lá... Nada impede doutrinalmente de duas pessoas de religiões diferentes (ou uma sem religião) namorarem. Inclusive, entre os primeiros cristãos, não era todo mundo convertido, então era muito comum que nos casamentos um dos cônjuges fosse, aos poucos, convertendo o outro. Agora uma coisa precisa ficar clara: namoro é tempo de conhecimento! Pode ser que a pessoa que você namore seja maravilhosa e que dê um excelente cônjuge e pai/mãe de família. Pode ser que não. Não é porque a pessoa é católica que ela tem caráter. Há muitos católicos sem caráter e há muitos não-católicos com caráter. É claro que esperamos que se a pessoa é católica e verdadeiramente convertida ela seja boa, mas infelizmente nem sempre é assim. Então no namoro, neste tempo de conhecimento, é importante que o casal se conheça emocionalmente, espiritualmente e também conversem como será a educação dos filhos, caso eles se casem: que religião estes filhos irão seguir? A diferença entre o casal irá favorecer um ambiente hostil no lar ou será um ambiente de respeito e harmonia? O namorado é a favor do que pede a Igreja em relação à abertura a vida e educação dos filhos?

Também é importante que o católico não fique forçando a conversão do outro, pois a pessoa pode se sentir pressionada, com a liberdade ferida e desrespeitada. Não fique falando de Igreja o tempo todo também. A melhor maneira de favorecer a conversão de alguém é sendo um bom exemplo e rezando pela pessoa. Seja sempre alegre, virtuoso, justo. Busque sempre ser alguém melhor. Apresente bons amigos ao seu namorado, leve-o a lugares bons, faça ele se sentir à vontade e querido ao seu lado. De vez em quando, no meio das conversas do dia a dia, fale com muita naturalidade da fé, sem tentar forçar ou converter a pessoa, mas de uma maneira tranquila, leve. Reze muito pela conversão dele(a) e ofereça pequenas mortificações por esta intenção. Aos poucos o coração dele irá amolecer e ele se voltará para Deus.

Tenho muitas amigas que namoraram não-católicos e aos poucos estes homens se converteram e se tornaram ótimos cristãos. Mas também conheço as que namoraram não-católicos e depois do casamento sofreram muito com as diferenças de fé. Então é preciso ponderar tudo. Não existe receita.

Links interessantes:

- Namoro: razão ou emoção?

- 15 exemplos de sacrifícios da vida real que podemos oferecer a Deus

- Algumas palavrinhas sobre homens, mulheres e a "pessoa certa"

- Namoro santo... existe receita?

- Por que as taxas de divórcio são tão altas para os casais que moraram juntos antes do casamento?

- Resenha: "Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma", de Jason e Crystalina Evert

- Eu sei, eu sei. Deus me ama. Mas eu quero que um homem me ame

- Curta a solteirice

 

Católico que estuda humanas. Como viver minha fé em um meio que prega a “neutralidade”?

Para viver a fé, Deus não nos chama a sermos “esquisitos” ou fora do mundo. É possível sermos normais e bons cristãos, desde que tenhamos discernimento sobre o que nos convém ou não.  Para isso, recomendo a leitura de alguns textos:

- Porque me tornei uma católica não confessional

- Detonando 8 mitos sobre a Santidade

- Como conversar com meus amigos sobre castidade

- Sobre danças, teatros e outros divertimentos

- Sobre músicas seculares

- A santidade é para todos

Seja legal com seus colegas, não se mostre chato(a) nem fechado(a). Quando tiver que defender uma opinião, defenda isso com humildade e tranquilidade. Seja firme nos seus princípios e muito amorosa ao explicar às pessoas porque você age ou não de determinada maneira. Aceite convites para sair com seus amigos e se comporte bem nestes ambientes: o maior pregador é o “Frei Exemplo”. O mais importante: fortaleça sua vida interior com terço diário, leitura espiritual (algum livro de fé... Recomendo os da Quadrante e Cultor de Livros) e, se possível, missa diária. Desta maneira Deus irá te inspirar a agir da maneira correta em todas as suas situações.

 

O que fazer para melhorar a autoestima baixa? Como lutar contra a ansiedade e depressão e não deixar as mudanças de humor no controle?

A baixa autoestima, bem como a ansiedade e a depressão, têm suas origens em dimensões afetiva-psíquicas, espirituais, físicas e sociais. O ideal é que você investigue a origem destes problemas e, para isso, é muito recomendado que você procure um psicólogo, um psiquiatra e um terapeuta ocupacional. O psicólogo e o terapeuta ocupacional (T.O.) vão trabalhar tanto as questões afetivas, físicas e sociais, quanto como você pode lidar de maneira prática com os problemas decorrentes destes transtornos. O psiquiatra irá analisar se é necessário entrar com fármacos ou suplementos para lidar com o problema. É recomendado, também, o trabalho de um nutricionista e de um educador físico. Pode ser que a depressão ou baixa autoestima sejam frutos de um desequilíbrio hormonal ou a falta de alguma vitamina em seu organismo. É por isso que é importante você ter uma atenção multidisciplinar. “Ah, Letícia, mas não tenho dinheiro, e agora?”. Olha, eu também sou usuária do SUS. Recomendo que você vá a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Saúde da Família (USF) perto da sua casa – o famoso “postinho” de saúde! Agende uma consulta com um clínico geral e peça a ele um exame completo de sangue. Se possível, peça outros exames também (fezes, urina etc). Faça um check up completo! Conte também da sua situação mental e solicite o encaminhamento a um psicólogo, T.O. e psiquiatra. Pelos exames será possível analisar se há deficiência de vitaminas ou outros componentes. Às vezes é isso que está afetando sua saúde. Os outros profissionais vão te acompanhar e poderão ajudar nas outras questões que estão te incomodando. É importante também que você se alimente bem (nada de porcarias, enlatados, fast food) e faça uma atividade física todos os dias (recomendo musculação).

Por último, cuide da sua imagem. Se vista bem, use maquiagem, use um perfume gostoso. Cuide da sua parte espiritual indo à missa e rezando o terço. Se possível, receba direção de um bom sacerdote.   

Links:

- Oração a Nossa Senhora do Sorriso (para pessoas com depressão)

- 10 Técnicas para controlar a ansiedade e sintomas hiperativos

- Carência afetiva feminina...Como lidar com isso?

- Porque fazer academia pode ajudar na sua ascese

 

Como desenvolver a devoção? Qual o primeiro passo para a conversão? Como aumentar minha fé?

Para nos convertermos o primeiro passo é termos vontade! Sim! Deus não quer nos forçar a nada... O preço mais caro que Cristo pagou por nós foi o da nossa LIBERDADE! Muita gente entende muito mal esta questão de conversão... Acha que Deus nos obriga a sermos católicos, a praticarmos esta ou aquela devoção... Nada a ver! Deus nos criou na liberdade e Jesus morreu por esta nossa liberdade. A nossa resposta a tanto amor pode ser corresponder ou não – tudo dentro da nossa total escolha, sempre! Deus vai nos amar independentemente se correspondermos ou não ao amor Dele.

Se escolhermos amar a Deus, retribuir ao menos um pouco desse imenso amor que Ele tem por nós, iremos buscar sermos melhores. Buscaremos ajudar alguém, sermos gentis, mais virtuosos, e também mais devotos e com mais fé. Para isso, é recomendável que sigamos um “plano de vida”. O que é isso? O plano de vida é nada menos que um roteiro de práticas que vão nos aproximar mais de Deus, vão fazer a gente refletir mais sobre nossas ações, aprender a colocar mais amor no nosso trabalho e nas nossas palavras... Enfim, o plano de vida nos torna pessoas melhores!

Como fazer um plano de vida? Para os que estão começando a caminhar na fé, recomendo que todos os dias você faça o propósito de rezar o terço e ler um livro espiritual (Recomendo o “Para Estar com Deus”, do Padre Francisco Faus. Tem online no link). Se você já tem uma caminhada na fé, recomendo este vídeo da Marcela Kamiroski explicando sobre o Plano de Vida de maneira mais aprofundada. Quem já tem uma certa caminhada, vale se aprofundar nas práticas de devoção: ir à missa todos os dias, ter alguns minutos de conversa com Deus (oração mental), ler também o Evangelho além da leitura espiritual... E, por fim, pensar em alguma virtude que precisa ser melhorada e como ela pode ser melhorada, de maneira muito prática (ex: não falar mal dos outros, então quando sentir vontade de falar de alguém, vou dar uma volta, fazer outra coisa etc). Se for possível ter um sacerdote ou um bom católico te ajudando a delinear essas coisas, ótimo, caso contrário, paciência.

Importante lembrar que o plano de vida não é para ser um peso e sim uma ajuda.

Links:

- Livros do Padre Francisco Faus (recomendo todos!)

- Canal Caritas in Veritate com ótimas formações

- Site Fé com Virtudes

 

É pecado usar contraceptivo? Tantos casais maravilhosos o fazem...

Antes de respondermos a esta pergunta, precisamos entender sobre o sexo.  Para isso, vou transcrever um trecho de um texto meu para o portal Sempre Família (texto integral no link):

 

“Para que serve uma relação sexual? Esqueça qualquer tipo de contracepção criada ao longo dos séculos. O sexo, em si, abre possibilidade para que uma vida seja gerada, caso a mulher esteja em condições férteis para isso. Através da relação sexual duas pessoas se tornam fisicamente unidas. O ato sexual cria conexões entre um homem e uma mulher.

Durante o sexo, são liberados três neurotransmissores em especial:


– Dopamina, o “neurotransmissor da recompensa”, relacionado ao prazer e à satisfação

– Serotonina, menos intenso que a Dopamina, mas também relacionado às sensações boas

– Ocitocina, responsável por estabelecer conexão física, afetiva e emocional entre duas pessoas. É um hormônio secretado, também, durante o parto, tornando a mãe extremamente conectada ao bebê.

Já a vasopressina – podemos citar como um quarto neurotransmissor especialmente presente no sexo – estimula os homens a continuarem o ato sexual, ao passo que nas mulheres este hormônio pode estar ligado à diminuição do desejo de ter relações sexuais. É por isso que quando há maior nível de vasopressina nas mulheres, maior é sua hostilidade e estresse. Quando um homem é cavalheiro e passa segurança para a mulher, diminuem os níveis de vasopressina e aumentam os de ocitocina, fazendo com que a mulher tenha, então, mais desejo sexual.

Enquanto que para o homem os níveis mais elevados de vasopressina durante o sexo o estimulam a “deixar a parceira ir”, na mulher os níveis mais baixos a levam a querer afeto e carinho depois da relação. É também diferente o ápice sexual entre homens e mulheres: os primeiros atingem o clímax de maneira mais rápida que o público feminino. Ordenar a sexualidade significa, também, que o homem tenha autocontrole sobre seus desejos e consiga entrar no ritmo da mulher para satisfazê-la antes, durante e depois do ato sexual.

Se homens e mulheres não são educados para entenderem o que é o sexo, para que serve e como funciona, a tendência é que usem uns aos outros como objetos. Por mais que verbalizem desprendimento em relação aos parceiros, foi estabelecida uma conexão entre ambos à nível emocional e hormonal. Os resultados de ver o sexo apenas como troca de prazer – e esquecer o seu sentido procriativo e unitivo – estão estampados ao nosso redor: mulheres se sentem usadas e desrespeitadas, homens não se sentem estimulados a prosseguir um relacionamento e as pessoas se sentem desvalorizadas e inseguras.”

 

Em suma: o sexo significa união de um casal e também a possibilidade de gerar uma nova vida. Mesmo que a relação sexual seja dentro de um casamento, há consequências para o casal e para a sociedade quando bloqueamos uma das duas finalidades do sexo. Independentemente se a relação sexual é entre duas pessoas casadas ou entre dois solteiros na balada, ainda assim o sexo gera união e possibilidade de gerar uma nova vida.

 

"Pense em como o sexo está interligado com a própria realidade da existência humana. Você simplesmente não existiria sem a união sexual entre seus pais... e os pais deles... e os pais deles. Sua existência depende de uma cadeia de milhares e milhares de indispensáveis uniões sexuais que se ligam ao princípio da história humana. Volte algumas gerações na árvore genealógica e remova (ou esterilize) apenas uma união sexual em sua linhagem e você não existiria. Assim como não existiria nenhum descendente a partir daquele ponto da árvore genealógica. O mundo seria um lugar diferente. Quando nós brincamos com o plano de Deus para o sexo, nós estamos brincando com a corrente cósmica da existência humana" (Teologia do Corpo para Iniciantes, Christopher West, Editora Cultor de Livros, p. 36)

 

Para entender melhor sobre o quanto compreender sobre a relação sexual nos ajuda a também entender outras tantas questões, recomendo o texto: “O verdadeiro sentido da vida está... no sexo!” e também o livro “Teologia do Corpo para Iniciantes”, do Christopher West.

Entendida esta parte (quanta palavra entender haha), fica mais fácil responder à pergunta: Sim! Contracepção é pecado! Exatamente porque bloqueia uma das finalidades do sexo.

Quando respondi isto no instagram, uma das leitoras contou a história de um casal que teve 15 filhos e que todos viviam numa situação financeira de miséria. Inclusive todos os filhos estavam revoltados pela atitude de “abertura à vida” dos pais. Bem, vamos lá... Assim como está equivocado quem usa contraceptivos, também está equivocado quem se abre totalmente à vida mesmo em situações de miséria ou doenças, achando que quem não faz isso “tem pouca fé”. Quem diz isso não sou eu, mas a Igreja. Mais especificamente, quem diz isso é Christopher West explicando a doutrina católica sobre isso. “Ué, mas se não pode usar contracepção, o que usar para espaçar a gravidez? Ou melhor, a Igreja permite espaçar a gravidez?” Sim! A doutrina católica é totalmente lógica e fundamentada. A Igreja não quer ninguém na miséria, pobre, sofrendo e passando fome. A Igreja chama a sociedade a uma “paternidade responsável”, isto é, ser aberto à vida, ter filhos, mas dentro das possibilidades financeiras, psicológicas, espirituais e físicas de um casal. E se o casal não tem estas possibilidades? Aí entra o uso do Planejamento Natural Familiar (P.N.F.), com métodos que são naturais – em outras palavras, de “abstinência” – mas que nada têm a ver com a tal da tabelinha que se ouve por aí. Os métodos naturais (como o Billings, Crayton Model etc) respeitam o corpo da mulher, não são invasivos, têm cerca de 98% de eficácia e ajudam o casal a viver o amor, a vida conjugal e a paternidade com responsabilidade.

Recomendo fortemente a leitura do texto “Deus, Sexo e Bebês: O que a Igreja realmente ensina sobre paternidade responsável”, no qual transcrevo alguns trechos abaixo:

 

"João Paulo II escreveu na Familiaris Consortio que “a diferença antropológica e ao mesmo tempo moral, que existe entre a contracepção e o recurso aos ritmos temporais: trata-se de uma diferença bastante mais vasta e profunda de quanto habitualmente se possa pensar e que, em última análise, envolve duas concepções da pessoa e da sexualidade humana irredutíveis entre si”

[...]

Quão saudável seria um casamento se os esposos, ao invés de encarnar seus votos, fossem regularmente infiéis aos mesmos, regularmente falando contra eles? Aqui reside a essência do mal da contracepção. O desejo de evitar uma gravidez (quando há razões suficientes para isso) não é o que corrompe o comportamento dos esposos. O que corrompe o sexo acompanhado de contracepção é a escolha específica de tornar estéril uma união potencialmente fértil. Isto torna o sinal do amor divino um “contra-sinal”.

[...]

Então, respeitar o “amor encarnado” significa que os casais devem ter todos os filhos que o acaso proporcionar? Não. Ao chamar os casais para um amor responsável, a Igreja os chama também para uma paternidade responsável.

O Papa Paulo VI declarou claramente que os casais devem “exercitar a paternidade responsável prudentemente e generosamente decidindo ter uma família numerosa, ou, por razões sérias e com o devido respeito à lei moral, escolhendo não ter mais filhos pelo resto da vida ou por um período indeterminado”[8]. Perceba que famílias numerosas devem resultar de uma reflexão prudente, e não do “acaso”. Note que os casais devem ter sérias razões para evitar a gravidez e devem respeito à lei moral.

Supondo que um casal tenha uma séria razão para evitar um filho, o que eles devem fazer para não violar a “ética do sinal”? Em outras palavras, o que eles poderiam fazer para evitar um filho sem que se tornassem infiéis a seus votos matrimoniais? Eu estou certo de que qualquer pessoa que esteja lendo este artigo está fazendo isso neste exato momento. Eles podem abster-se de sexo. A Igreja sempre ensinou, ensina e sempre ensinará que o único método de “controle de natalidade” que respeita a linguagem do amor divino é o “auto-controle”.

[...]

Pois bem, o que constitui uma “razão séria” para evitar um filho? É aí que a discussão normalmente esquenta. O pensamento correto (ortodoxo) sobre o problema da paternidade responsável, como sobre qualquer problema, é uma questão de manter importantes distinções e equilibrar cuidadosamente várias verdades. Ignorar isso leva a erros nos dois extremos.

Um exemplo de tal erro é a “hiperbólica” noção de que se os casais realmente confiam na providência divina, eles jamais buscarão formas de evitar um filho. Este simplesmente não é o ensinamento da Igreja. Como Karol Wojtyla (nome de batismo de João Paulo II) observou, em alguns casos “o aumento no tamanho da família seria incompatível com o cargo de pais”[10]. Por isso, como ele também afirmou, evitar filhos “em certas circunstâncias pode ser permitido ou mesmo obrigatório”[11].

Nós estamos certos em confiar na providência divina. Mas esta importante verdade precisa estar equilibrada com outra importante verdade, se quisermos evitar o erro de um certo “providencialismo”. Quando Satanás tentou Cristo a saltar do templo, ele estava certo ao dizer que Deus tomaria providências em seu benefício. Satanás estava na verdade citando as próprias Escrituras! Mas Cristo respondeu com outra verdade, também das Escrituras: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (cf. Lc 4,9-12).

Um casal que trabalhe para sustentar seus filhos, da mesma forma, não deve tentar Deus. Hoje em dia, o conhecimento do ciclo fértil é parte da providência de Deus. Assim, os casais que responsavelmente usam este conhecimento para evitar a gravidez, estão confiando na providência de Deus. Estes casais, não menos do que os que “prudentemente e generosamente decidem ter uma família numerosa”[12] estão praticando a paternidade responsável.

É claro que, como todas as coisas boas, o P.F.N. pode ser abusado. O egoísmo, inimigo do amor, é também inimigo da paternidade responsável. Está claro nos ensinamentos da Igreja que razões insignificantes não são desculpas para se evitar filhos. E nem os esposos precisam passar por uma situação de “vida e morte” antes de fazerem uso do P.F.N.

O Vaticano II ensina que, ao determinar o tamanho da família, os pais devem “atenciosamente levar em consideração seu próprio bem-estar, bem como o de seus filhos já nascidos e daqueles que o futuro poderá trazer”. Eles devem “calcular as condições materiais e espirituais, e também seu estado de vida. Finalmente, eles devem consultar os interesses do grupo familiar, da sociedade, e da própria Igreja”[13]. A respeito da questão de limitar o tamanho da família, a Humanae Vitae ensina que “motivos razoáveis para espaçar os nascimentos” podem surgir “das condições físicas ou psicológicas do marido ou da esposa, ou de circunstâncias externas”[14].

A orientação da Igreja é propositalmente ampla, tolerante. Seguindo a orientação da Igreja, eu não pretendo dizer coisas muito além disso. É o dever de cada casal aplicar estes princípios básicos em suas situações particulares. Dilemas morais são muito “fáceis” de se resolver quando outros estabelecem os limites para nós, mas, como o Vaticano II diz: “Os próprios pais, e ninguém mais, devem, em última instância, fazer este julgamento, sem perder Deus de vista”

 

 

As outras partes do texto valem muitíssimo a pena de ser lidas. Aqui são apenas alguns trechos para clarear um pouco a questão e vocês entenderem um pouquinho melhor a doutrina.

Aqui no blog temos ótimos textos sobre estes temas e correlacionados, vale ler:

- O lado negro da história da contracepção

- O que ainda não compreenderam sobre a pílula

- O anticoncepcional e a artificialização do corpo da mulher

- 6 motivos pelos quais o anticoncepcional bagunça sua vida

- A mulher deve ser submissa ao homem no casamento?

- Submissão, Relações Sexuais e a Igreja

- Resenha: “Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal”, de Christopher West

 

Qual veste adequada para ir à praia?

Teve uma época que fizemos um texto sobre isso aqui no blog. Depois, apagamos, exatamente porque percebemos que, assim como a modéstia, não existem regras sobre este assunto. A praia pode ser um ambiente ótimo para algumas pessoas e péssimo para outras. Cada um que se examine e veja o que convém ou não.

Sobre as roupas... Já fui daquelas que eram contra biquínis, maiôs, short e defendia que praia era só para usar roupa “normal”. Inclusive já fui à praia com bermuda e blusa e, claro, todo mundo me olhava, além de ficar feia e brega. Um dos aspectos da virtude da modéstia é exatamente não chamar a atenção. Cada ambiente requer um tipo de roupa: com toda a certeza você não fica em casa com a mesma roupa que vai para um casamento e você não usa a roupa do seu trabalho para ir a um churrasco com os amigos. Também na praia é assim: não precisa usar um biquíni – que é um conjunto de calcinha e sutiã em outro tecido – mas também não precisa ir com a mesma roupa que você vai à missa. Use um maiô bonito e elegante. Nada de usar aqueles maiôs bregas de natação! (Sim, já fiz isso...) Há muitos maiôs elegantes no Brasil, sem decotes gigantes e sem mostrar demais o bumbum. Escolha um adequado, coloque uma saída de praia bonita e curta a praia. Simples assim.

“Ah, mas Padre Pio...”, “Mas santo fulano...”... Muitos santos falam muita coisa, inclusive S. João Paulo II afirma em seu livro, Amor e Responsabilidade, que “não é contrário ao pudor tomar banho com trajes de banho, mas é impudico andar com ele pela rua a passeio”. E aí, vamos confrontar as falas dos santos? É claro que não!  É por isso que ficamos com a doutrina da Igreja, e a doutrina não coloca “regrinhas”, mas nos pede para usarmos nossa inteligência e sabermos nos portar adequadamente às diversas situações da vida.

Só para terminar, um comentário de uma situação que aconteceu comigo... Eu estava na praia com algumas amigas e era a única de maiô. O Salva-Vidas veio me perguntar onde eu havia comprado meu maiô, que ele queria presentear a noiva dele, pois “eu estava muito elegante”. Ou seja, modéstia é ser elegante e despertar nas pessoas um desejo de inspiração, de querer ser igual, porque aquilo parece bom. Desta maneira somos exemplares para as pessoas. Se eu estivesse vestida de outra maneira será que despertaria este sentimento nos outros?

Leiam:

- Nó na garganta I: Modéstia e Castidade

- Modéstia é para todas as ocasiões

- Porque ser radtrad parece mais correto que ser equilibrado

- Sobre o pudor

- Veja como a evolução do maiô revela o que pensamos sobre a beleza

 

Quando casada, não quero trabalhar fora. Ter uma carreira bem sucedida nunca foi o meu desejo. Estou sendo tola?

Há um certo tempo começou entre os “católicos conservadores” uma ideia de que mulheres trabalhando fora de casa seria errado e não-querido pela Igreja. Lembro que estes boatos, na época, me motivaram a escrever o texto “Lugar de mulher é em casa ou no trabalho? O que a Igreja diz sobre isso” (LEIAM, POR FAVOR!). Não vou citar documentos e afins aqui porque tudo está muito bem explicado no texto do link acima, então vou me focar em responder à pergunta: Sim, você está sendo tola. Explico: você não sabe o seu futuro! Pode ser que, por questões financeiras, seja necessário você trabalhar fora. Pode ser que você também se sinta realizada como trabalhadora. Pode ser que você tenha algo a contribuir para a sociedade com seu trabalho.

Muita gente cria a ideia de que quer casar e só cuidar dos filhos e decide não mais estudar ou fazer faculdade/curso técnico. Muitas meninas nem namorado tem e pensam desta maneira, como se todo o dinheiro para casarem, construírem uma casa e terem um carro caísse do céu ou viesse junto com o marido rico. Isto é uma grande imprudência e um grande sinal de imaturidade. Vocês não sabem nem se vão casar, nem se vão arranjar namorado e muito menos se o marido de vocês terá condições de sustentar um lar. E se o tal José nunca aparecer? Vocês ficarão com 30 anos, morando na casa dos pais, sem profissão, sem trabalho, sem dinheiro?

Outra coisa, comecem a ajudar os pais de vocês a fazerem os cálculos mensais do orçamento doméstico. Vocês vão se surpreender e ver que com R$1500,00 não dá para sustentar uma casa nem uma família.

Não precisa ter uma carreira bem sucedida, mas tenha uma profissão, se esforce para ser uma ótima profissional, para fazer tudo bem feito e com amor. Pode até ser que você conheça seu futuro marido no seu trabalho – é uma possibilidade. Se, por acaso, depois que vocês se casarem e vierem os filhos os dois decidirem que tudo bem de você deixar o trabalho e se dedicar ao lar, aí é outra história. Mas desde agora “nem estudar”, “nem trabalhar”  é uma grande besteira.

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O post ficou longo, mas espero ter respondido e esclarecido todas as dúvidas.

Até a próxima rodada!

Com carinho,

Letícia .

A partir da necessidade de me aprofundar em assuntos de filosofia, sociologia, antropologia, e da relação destes com virtudes e religião, surgiram alguns textos que humildemente compartilho neste blog

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