Resenha de filme: O Leopardo

Resenha de filme: O Leopardo

Em nosso instagram sempre indicamos séries, filmes e documentários que possam ajudar na formação cultural e humana de nossos seguidores, porém muitos comentam que não encontram nossas recomendações. Neste sentido, a proposta da Lumine.tv é reunir um bom conteúdo de filmes, séries e documentários em um único lugar, facilitando o trabalho daqueles que buscam por boas indicações.

Nossa parceria com a Lumine vai ter como produto três resenhas de três filmes da plataforma. O primeiro filme resenhado é o clássico “O Leopardo”, dirigido por Luchino Visconti. Acompanhe nossas redes sociais e a Lumine para saber quais serão as outras duas resenhas :)

O filme

O romance histórico baseado em livro homônimo de Giuseppe Lampedusa narra uma parte do longo processo de unificação da Itália, em 1870. Don Fabrizio é um príncipe siciliano que testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia em meio ao romance que surge entre seu sobrinho e uma burguesa.

Nossa resenha

Há alguns pontos muito interessantes para serem notados no filme. Primeiramente, observemos o patriarcalismo burguês. Não se sabe ao certo as origens do patriarcalismo. O que se pode afirmar é que, na Idade Média, principalmente no período do feudalismo, era muito comum observar este fenômeno. A família patriarcal era composto pelo avô, avó, seus filhos, netos e bisnetos, todos vivendo próximos ou na mesma casa. A moral católica era o guia dessa família, que trabalhava, rezava e tinha uma vida compartilhada.

Com a ascensão da burguesia, consolidação das cidades e inicio do capitalismo, por volta do século XV-XVI, as famílias patriarcais se quebram em famílias menores (também chamadas de “famílias nucleares”). Algumas famílias patriarcais permanecem, mas com valores já aburguesados. O enfraquecimento da moral católica faz com que as pessoas se tornem cada vez menos virtuosas.

No filme, observamos a transição da família patriarcal para a família nuclear e da moral católica para uma moral aburguesada. Don Fabrizio, apesar de ainda manter certos princípios, vive uma vida de dupla moral (tem uma amante), em alguns momentos trata mal seus funcionários e vê a religião católica como um conjunto de regras sem sentido para serem seguidas

 

Padre: Vossa excelência veio se confessar?

Don Fabrizio: Por que me confessar? Hoje não é sábado!

 

É verdade que não temos muitos elementos históricos para afirmar com certeza como era entendida a moral na Idade Média. O que é aferido é que a moral católica foi se formando e se solidificando com o tempo. O matrimônio, por exemplo, a princípio não era no formato que o conhecemos hoje. A tradição, como o próprio nome diz, é um processo longo e cumulativo. Por isso, é compreensível que o entendimento que temos hoje de diversas questões da fé não era o mesmo que tinham pessoas daquela época.

Isso fica claro na interpretação errônea sobre a sexualidade que tem a princesa Stella, esposa de Don Fabrizio. Após o padre repreender o príncipe por ter traído a esposa, D. Fabrizio responde:

 

Don Fabrizio: Eu tive 7 filhos com ela e nunca nem vi o seu umbigo. Como posso me satisfazer com uma mulher que faz o sinal da cruz antes de cada abraço?

 

Deus vai se revelando para seu povo aos poucos. Basta observar o Deus rigoroso do Antigo Testamente e o Deus amoroso do Novo. O mesmo acontece com toda a doutrina: apesar dos princípios serem imutáveis, a compreensão que temos deles pode ir se alterando. Foi o que aconteceu com a genial Teologia do Corpo, formulada pelo Santo Papa João Paulo II. Até a geração de nossos pais ou avós a sexualidade era compreendida de maneira muitas vezes repressiva. O corpo era visto como mau e o sexo como ruim. No filme isto fica bem evidente – e também ficam evidentes os problemas resultantes desses entendimentos errados.

 

A moral católica, perene e imutável, ganha novas nuances de interpretação conforme as inspirações que o Espírito Santo sopra sobre sua Igreja. Também as questões femininas, exibidas no filme, poderiam ser analisadas sob a ótica dessas novas interpretações.

Princesa Stella apresenta-se como fraca, fútil, afetada, dependente e submissa ao marido em seu pior sentido. Ela personifica o estereótipo da mulher burguesa. O príncipe Fabrizio, por sua vez, é em muitas ocasiões grosseiro e autoritário. Esta apresentação do casal em que um parece “mandar” e outro parece “obedecer” define muito bem uma família se distanciando dos ideais católicos.

 

Submissão e Autoridade são símbolos do mesmo Cristo – Cristo Cordeiro, que se oferece em sacrifício, e Cristo Rei, que governa a humanidade. O homem expressa o símbolo da autoridade de Cristo Rei e a mulher a submissão de Cristo Cordeiro. Esta expressão se dá, como já mencionado, pelas características psicológicas, físicas e espirituais de ambos que, juntos, são complementares e necessários para a manutenção da Criação de Deus. Portanto, a submissão não significa “obediência” nem “inferioridade” em relação ao esposo, e autoridade não significa “tirania” ou “domínio” sobre a esposa. Ambos os termos são simbólicos para expressar as diferentes e complementares naturezas feminina e masculina.

Em termos práticos, diferente da compreensão material que oferece o mundo, tanto a autoridade como a submissão significam “servidão”. Assim, compreende-se que ambos estão servindo a Deus através da família, para levar um ao outro e os filhos ao principal objetivo de estarmos neste mundo: o Céu. A mulher mostra sua submissão – que significa serviço – quando sacrifica o próprio corpo para gerar uma nova vida, quando sacrifica o próprio sono para amamentar uma criança, quando sacrifica seus gostos e vontades para evitar brigas e discussões. O homem mostra sua autoridade – que também significa serviço – quando sacrifica seu sono e descanso para prover as necessidades da família, quando sacrifica suas vontades e inclinações pessoais para dar mais conforto à mulher e aos filhos, quando sacrifica seu tempo para auxiliar a esposa e aliviar seu cansaço.

Se colocássemos uma hierarquia dentro do matrimônio, como é a compreensão protestante e marxista sobre esse tema, estaríamos ferindo a igualdade querida por Deus que existe entre um homem e uma mulher. Isto porque é somente com a união de um homem e de uma mulher que uma nova vida é gerada, ou seja, é com a cooperação de ambos que uma sociedade se constitui. Somos gerados a partir de um homem e de uma mulher, e diminuir o valor humano de um ou de outro implica em diminuir o valor de ambos.

(Trecho do nosso post "A mulher deve ser submissa ao homem no casamento?")

 

Assim, de maneira geral, “O Leopardo” mostra-se um retrato clássico da família aburguesada pós Idade Média. A progressiva substituição da moralidade sólida do Catolicismo pelo relativismo de valores burgueses culmina em uma sociedade confusa e cansada, que veremos posteriormente na Revolução Industrial e nos anos que se seguem a ela. A perfeita representação dessa sociedade é o próprio Don Fabrizio, que termina o filme aparentando estar doente e cansado. 

 

As coisas precisam mudar para continuarem as mesmas”. Sim, as mudanças podem ser muito boas e proveitosas. Mas o fio norteador da sociedade - a moral - precisa permanecer intacto para que o mundo mude para a melhor continuando o mesmo. E foi isso o que não aconteceu em nossa sociedade...

 

Você pode assistir este e outros excelentes filmes na plataforma Lumine.Tv

Equipe Modéstia e Pudor

Textos coletivos ou de autoria de outras pessoas que não são diretamente colaboradoras do blog

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Alexandre Ferreira

Alexandre Ferreira

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★★★★★DIA 17.10.19 03h23RESPONDER
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Letícia B

Letícia B

Você pode mandar email para contato@modestiaepudor.com


 


:)

★★★★★DIA 17.10.19 10h29RESPONDER
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