Resenha: “Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal”, de Christopher West

Resenha: “Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal”, de Christopher West

Neste mês de setembro, mês de primavera e mês das surpresas de Deus, recebemos no Brasil o Christopher West, teólogo norte-americano, grande especialista e divulgador da Teologia do Corpo, as catequeses sobre o amor humano no plano divino de São João Paulo II.

Christopher West levou a boa notícia da Teologia do Corpo a três cidades: Brasília, Rio de Janeiro e Divinópolis/MG. E vemos, com muita alegria, como essa mensagem tem se espalhado por todo país. De quem participou dessas formações (ou mesmo quem as acompanhou pela internet), vimos corações cheios de assombro, êxtase e júbilo por ouvirem uma mensagem que realmente preenche e satisfaz o anseio mais profundo de nossos corações. É a mensagem da Teologia do Corpo que chega a muitos nesta primavera e, como uma primavera, oferta um novo florescer nas vidas de todos aqueles que dela se aproximam.

Para coroar essa visita, a Editora Cultor de Livros nos brindou com o lançamento de duas obras fantásticas do Christopher West: Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal e Teologia do Corpo para iniciantes. E é sobre o primeiro título que vamos falar nesta resenha.

O livro Enchei estes corações. Deus, sexo e o anseio universal é dividido em três partes: Desejo, Desígnio e Destino, além do apêndice. É um livro de leitura fácil, daqueles que a gente não quer parar de ler até chegar à última página. O livro nos envolve. Ele vai apresentando os temas e trazendo elementos que contribuem para a compreensão daquilo que está sendo exposto e ainda deixam o texto bem agradável. O Christopher West foi muito inspirado ao escrevê-lo. Com muita perspicácia, ele vai mostrando letras de músicas, filmes, citações de grandes autores para levar o leitor a entender melhor aquilo que ele está falando. Ele cita várias músicas (U2, Bruce Springsteen, John Mayer, R.E.M, Peter Gabriel etc.); faz menção a filmes, como “Um sonho de liberdade”, entre outros. E, assim, ele envolve o leitor nessa jornada.

O desejo é parte do nosso desígnio, e se nós o seguirmos até os seus confins mais distantes, teremos a intuição de que ele nos levará ao nosso destino.

Deixo aqui alguns trechos que dão uma leve pista do quão maravilhoso é esse livro:

Desejo

 Se o Eros é em última instância um anseio pelo Infinito, então nós claramente erramos o alvo quando buscamos a sua realização suprema nas coisas finitas. Em outras palavras, nós pecamos (a palavra grega que traduzimos como “pecado” deriva de um termo dos arqueiros que significa “errar o alvo”. O evangelho do fast food na verdade nos convence de reduzir o eros, a limitar o desejo e direcioná-lo a algo menor – infinitamente menor – do que aquilo que nós estamos realmente procurando. O que nos faz ser fisgados pelo fast food, então, não é desejar muito. É desejar muito pouco!. (p. 36)

(...) seu canto de anseio não é uma confirmação de dúvida e desalento, mas uma afirmação muito realista de fé e esperança, pois ninguém pode continuar a busca se tiver perdido sua fé ou desistido de esperar. (p.62)

 Deus quer falar aos nossos corações sobre essas coisas. De verdade. Ele não fica desconcertado. Ele não se envergonha. Ele sabe exatamente porque nos criou como seres sexuais, e sabe exatamente como nos curar de nossas feridas nessa área. Mas nós precisamos aprender como abrir os nossos corações a Ele, e precisamos aprender como escutar o que Ele nos diz.

(...) Como constata o padre Jacques Philippe, “uma paixão só pode ser curada por outra – um amor equivocado por um amor grandioso, um comportamento errado pelo comportamento certo que supre o desejo por trás do comportamento errado, reconhece as necessidades que consciente ou inconscientemente buscam a realização e (...) oferece-lhes uma satisfação legítima”. Algumas pessoas chamam isso de “cura interior”. (p.73)

(...) no retiro, fui conduzido mais e mais profundamente à dor da minha alma. Quando aquela dor se apresentava, eu era esmagado por um sentimento de ser abandonado por Deus. Eu me senti completamente sem auxílio em minha incapacidade de satisfazer meus anseios... e fiquei enfurecido. O bom Monsenhor incentivara-me a escrever em meu diário espiritual com completa honestidade, e então as máscaras piedosas que recobriam minha raiva caíram, e eu deixei que Deus a visse. (p.77)

 Desígnio

Resumindo, a nudez na ausência da vergonha revela que “no princípio” o desejo humano (eros) estava alinhado com o desígnio divino: amar como Deus ama. (p.108)

O instinto que experimentamos de cobrir os nossos corpos em nosso mundo decaído, na verdade, vem de um desejo de proteger a verdade e bondade originais do corpo. Cobrimos nossos corpos não porque eles são “ruins” (isso é uma heresia). Cobrimos os nossos corpos precisamente porque eles são muito bons, e sentimos necessidade instintiva de proteger a bondade dos nossos corpos da degradação da luxúria.

 O pecado sempre testemunha nosso anseio por satisfação e a não aceitação do caminho para esta satisfação: o caminho da completa dependência de Deus como nosso Pai. Chamar Deus de “Pai” é reconhecê-lo como a origem última de todo dom e repousar em Sua benevolente Providência, confiando inabalavelmente em Seus desígnios para a nossa satisfação. É acreditar incondicionalmente que, no tempo devido, Ele irá providenciar exatamente aquilo que ansiamos. (...) É essa parte do “a seu tempo” que nos deixa particularmente nervosos. Como afirma Tom Petty, “A espera é a parte mais difícil”. Precisamente nesta espera devemos “sofrer a dor”, continuar a confiar e nos recusar a buscar satisfação por conta própria. (p.116)

Quando passamos a ver Deus como um tirano, a última coisa que queremos é permanecer “receptivos” diante Dele. Isso torna-nos muito vulneráveis. Nós ainda queremos a vida divina (felicidade, satisfação), mas não de maneira a sermos dependentes de Deus para concedê-la a nós. Nós a queremos em nossos próprios termos. Queremos ser “como Deus”, mas sem Deus. Isso se chama soberba. (p.117)

Destino

Todas as questões de moralidade, assim, são questões sobre como alinhamos o desejo humano com o desígnio divino de modo que possamos alcançar o nosso destino celeste. Esse é o contexto adequado no qual se deve compreender a ética sexual cristã: ela não é uma lista puritana de proibições elaboradas para nos impedir de ter prazer nesta vida; ela é um convite para realinharmos os nossos desejos com o amor autêntico de modo que possamos ser realmente felizes, tanto aqui quanto na vida futura. (p.130)

A castidade é a virtude que “desenlouquece” o desejo. E é por isso que o Catecismo da Igreja Católica audaciosamente proclama: “A castidade é a promessa de imortalidade”. 

Somente quando chamamos a luxúria de amor é que consideramos a castidade “inimiga” do amor. Quando reconhecemos a diferença entre luxúria e amor, vemos claramente que o amor é impossível sem a castidade, pois a castidade é a virtude que orienta todos os nossos desejos sexuais e emoções em direção à verdade do amor. Ela é um extraordinário “SIM” para se produzir uma música bela, celeste. É um grande extraordinário “SIM” ao verdadeiro significado e à verdadeira dignidade do corpo humano e da sexualidade humana.

"A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual". Todos são chamados a esta integração pessoal e sexual, independentemente de seu estado de vida particular. De fato, esta integração é essencial para a liberdade e a felicidade que nós desejamos enquanto seres humanos. A castidade é "uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz".

Pense sobre isso: só somos amargos em relação à lei de Deus quando desejamos infringi-la. Tome qualquer uma das leis de Deus à qual você sinta amargura. Aqui vai uma proposta: talvez o problema não esteja na lei de Deus. Talvez, ao contrário, o problema seja exatamente o que Jesus disse que era – nossa própria dureza de coração (cf. Mt 19,8).

O amor que anseia o que é meramente prazeroso e repetível em uma pessoa fará exatamente o seguinte: repetir-se com qualquer um que possua aquelas qualidades prazerosas. Neste caso, a “aventurosidade” inerente ao amor – seu desejo por expansão, crescimento e novas descobertas – terá o seu gozo em perambular de pessoa em pessoa. Por outro lado, o amor que alcança o mistério irrepetível da pessoa é um amor verdadeiramente irrepetível, estável e seguro. É um tesouro inextinguível que não pode ser encontrado em outro lugar. (p.156)

Por fim, deixo a cada um o convite para ler esse livro incrível do Christopher West, que nos exorta com a mensagem das catequeses da Teologia do Corpo, de São João Paulo II. Mensagem esta que orienta e ordena o nosso desejo de acordo com o seu desígnio a fim de alcançarmos o nosso destino. Que a leitura desse livro seja uma experiência fecunda e realize em vocês aquilo que o próprio título nos diz: “Enchei estes corações”.

Pessoal, para facilitar para vocês, deixou aqui o link direto para a compra desse livro fantástico: https://www.cultordelivros.com.br/produto/enchei-estes-coracoes-78487 Leiam e divulguem. A leitura desse livro trará muitos bons frutos para a vida de todos. 

E lembro que a Editora Cultor de Livros lançou também o livro Teologia do Corpo para iniciantes, também de autoria do Christopher West. 

Boa leitura!

Dayane Negreiros

Entusiasta e divulgadora das catequeses sobre o amor humano no plano divino, de São João Paulo II, a Teologia do Corpo. Filha e devota de Nossa Senhora de Guadalupe. Pró-vida. Membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília.

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Viviane Costa

Viviane Costa

Que lindo
★★★★★DIA 22.09.18 17h01RESPONDER
Letícia B, Dayane Negreiros
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