Ser princesa é ser filha do Rei

Ser princesa é ser filha do Rei

 

                A mulher está em constante busca pela sua liberdade e independência, porém ela só alcança essa plenitude ao passar pelo trajeto da sua liberação, que consiste em três etapas: filha, esposa e mãe. Ao tomar consciência da sua identidade é necessário que ela se reconcilie com o seu ser mulher e em primeiro lugar, de filha. É o pai quem lhe dá estrutura e a torna adulta, e uma boa relação com seu pai gera a confiança em si e uma harmoniosa integração social.

 

Feridas do coração:

Ser princesa é ser filha do Rei

                    Em busca da cura das feridas de sua história a mulher tenta compensá-las oscilando entre duas atitudes: dependência e independência, que não são nem uma nem outra fruto de uma verdadeira liberdade. Querendo projetar cada vez mais a autonomia, nossa geração se insurgiu contra a sociedade patriarcal e o autoritarismo dos pais, o que Freud chamou de “o assassínio do Pai”, que foi também o assassínio de Deus. Rejeitando o paternalismo, a mulher privou-se da paternidade e em vez de tornar-se adulta, permanece uma eterna adolescente vivendo de amores compensativos ou da histeria que faz estremecer qualquer ambiente.

 

Deus me vê:

Ser princesa é ser filha do Rei

                      Mas como reencontrarão um coração de criança aqueles de quem roubaram a infância, das crianças que se esmagam e das quais se crucifica a inocência, aquelas que não tiveram jamais o olhar amante de um pai ou de uma mãe para comunicar-lhes a vida?

                      Apesar de todas as pessoas terem sido marcadas pelo pecado original é preciso reconhecer que atrás de uma ferida existe uma pessoa, uma dignidade de filha de Deus, com sua história pessoal, lutas e desafios. Deus não é culpado do mal que os homens lhes infligiram, das feridas transmitidas de geração a geração, e só Ele é capaz de deter esta cadeia infernal que faz com que alguém magoe porque foi magoado. Somente seu olhar pode ressuscitar nelas a criança que morreu.

                     Quantos tem uma imagem completamente deformada de Deus-Pai porque foram feridos pelo olhar de seu pai, pela sua indiferença ou pelo seu autoritarismo... No entanto, isso não é desculpa para se vitimizar ou prender-se ao passado: reconhecer-se como filha de Deus traz sempre novidade à vida e nos relembra um Pai que pensou em nós desde toda a eternidade, projetou o DNA, a personalidade e concedeu o sopro da existência. Não existe aqui fruto do acaso, dos acidentes, ou das irresponsabilidades humanas. Deus é o autor da História e é Ele quem define, escolhe, outorga e tem em si todo o poder do Universo.

 

O Batismo é o único meio para gerar o sangue da realeza

Ser princesa é ser filha do Rei

                         A graça essencial do batismo livra-nos do pecado original, das consequências das maldições, e se pecado e mágoa estão intimamente ligados, o mesmo acontece com a conversão e a cura. Cada vez que aderimos de todo coração ao Senhor, escolhemos segui-lo, mesmo que isto nos custe, resultando a transformação interior, uma cura da alma, e às vezes até do corpo. Pelo batismo nos tornamos filhos de Deus, passamos da paternidade da carne à paternidade de Deus, da dependência dos homens à dependência de Deus. Somente quem se libertou do olhar do outro e se conserva resolutamente sob o olhar de Deus é verdadeiramente livre; do mesmo modo, a mulher não pode ser liberada e ter um relacionamento fecundo com o homem a não ser que ela se distancie de seu olhar e se situe sob o olhar do Pai.

                        É fundamental que a mulher encontre o profundo Amor de Deus Pai, confie em sua Divina Providência, permita-se ser amada, cuidada e liberte-se das concepções utilitaristas, da rejeição e do abandono, vivendo assim da experiência do amor único, incondicional e protetor de um Deus que, se é por nós, quem será contra nós?

 

Aderir à Verdade pela fé:

Ser princesa é ser filha do Rei

                       Nossa relação com Deus-Pai é fundadora de nossa verdadeira personalidade. O que é verdadeiro no plano psicológico é verdadeiro no plano espiritual. Se a mulher acreditar que merece coisas frívolas e passageiras, assim as terá. Se acreditar que é a embaixadora de um Reino que não é desse mundo, receberá a verdadeira dignidade, ainda que em algum momento de sua história a tenha perdido. Celibatária, consagrada ou casada, a mulher deve se situar sempre em relação ao homem com relacionamento equilibrado, não com autoritarismo de um falso poder, nem com o constante medo da perda. O calibre do seu coração é o próprio Deus, que nos recolhe debaixo de suas asas, nos ama de forma desinteressada de sucessos ou recompensas, mas visa apenas a nossa própria felicidade.

 

 “Vejam como é grande o amor com o qual o Pai nos cumula: ele quis que fôssemos chamados filhos de Deus e nós o somos!” (1 Jo 3,1)

Marcela Kamiroski

Toda terça-feira publicaremos um texto nesta jornada de reencontro com a identidade feminina, suas aspirações interiores e seu valor ontológico para a sociedade.

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