"Será que ele também está interessado?"

"Será que ele também está interessado?"

É muito comum vermos jovens católicos à procura de alguém para se relacionar, formar família e gerar para o Céu os filhos que o Senhor enviar. Tanto moças quanto rapazes estão em busca de constituir uma família conforme o plano de Deus. O curioso é que tem havido aí algum desajuste, alguma desarmonia, e muitos não estão conseguindo firmar um relacionamento.

Além disso, temos visto que, por várias razões, os casamentos estão, em geral, acontecendo mais tarde. As pessoas estão adiando a decisão de se comprometer para toda a vida. Não pretendo aqui, no entanto, entrar no mérito acerca desse tema, apenas considerá-lo nesta reflexão.

É oportuno falar também sobre a gradualidade do amor, que o amor é gradual, mas começa, em regra, a partir de uma atração pelo sexo oposto. Ou seja, eu preciso me sentir atraída por um rapaz (e o ideal é que seja recíproco, que ele também se sinta atraído por mim) para a partir daí tudo começar. Então, esse primeiro momento da atração, do se sentir atraído pelo outro, é importante, é a partir dessa faísca, desse frio na barriga que sentimos na presença do outro, que tudo começa. E não há nada de errado nisso, ao contrário, é uma etapa importante para o início de um namoro, de uma história de amor.

Os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, por exemplo, trocaram olhares enquanto cruzavam uma ponte em Paris e dali tudo começou. Já Santa Gianna Beretta Molla e Pietro Molla, seu esposo, se viram pela primeira vez numa festa de Nossa Senhora Imaculada Conceição e a partir desse primeiro encontro não se separaram mais. No caso da Serva de Deus Chiara Corbella Petrillo e seu esposo, Enrico Petrillo, não foi diferente. Chiara e Enrico se viram pela primeira vez em Medjugorje e ambos se sentiram atraídos um pelo outro nesse momento. Ou seja, o se sentir atraído pelo outro faz parte. Claro que pode acontecer de nem sempre ocorrer dessa forma...

Às vezes a dificuldade de sair de si e doar-se ao outro, de fazer renúncia, sacrifício, o egoísmo, o desejo exacerbado de autorrealização, isso tudo pode nos dar pistas sobre realidades que têm contribuído para a “cultura do desencontro”, ou mesmo do utilitarismo, do descartável. Em muitos casos, a pessoa está centrada apenas em se realizar profissionalmente, financeiramente, em fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado, em viajar o mundo, conhecer e explorar tudo o que for possível, o que não é ruim. Mas isso, infelizmente, tem sido superestimado em detrimento do matrimônio. É a realização individual e pessoal que sempre fala mais alto em tantos casos.

Em um cenário assim, vê-se que fica complicado a pessoa, que sempre viveu voltada para si, suas satisfações e realizações, pensar e estar numa vida a dois, que exige entrega, doação, sacrifício, em que se deve buscar, em primeiro lugar, o bem do outro e não o próprio. Talvez esse seja um grande problema dessa geração que não foi treinada para o amor, para amar, e na hora que tenta improvisar acaba vendo que não é tão simples, que as respostas achadas no google ou nos aplicativos não atendem às necessidades do momento, não respondem às inquietações, aos anseios, não suprem as dificuldades.

Um outro problema é se buscar a pessoa perfeita para namorar. Já viram aqueles casos de quem está eternamente em busca da moça perfeita ou do moço perfeito? Oi? Pessoa perfeita não existe. Todos temos limitações, fraquezas... É preciso maturidade para se amar verdadeiramente, para aceitar a pessoa com seus limites, suas fraquezas e amá-la, amá-la pelo dom em si mesmo que ela é. Precisamos, como disse Papa Bento XVI, aprender a fazer escolhas definitivas com coragem, confiando verdadeiramente na Providência de Deus.

Além disso, existe o perigo, fomentado pela cultura atual, de se passar o tempo todo olhando apenas para si muitas vezes. E precisamos estar atentos porque isso não traz benefício algum, tende a gerar pessoas rasas, sem profundidade, sem forja e, no fim das contas, sem um sentido de vida.

O Papa Francisco, em uma audiência, ressaltou que a cultura atual é muito egoísta, com uma dose muito grande de narcisismo. E a consequência disso é contemplar a si mesmos e, portanto, ignorar os outros, destacou o Santo Padre. Ele mencionou também os perigos da autorreferencialidade e do papel dos jovens na Igreja e na sociedade. Vai nos dizer o Papa ainda que o “narcisismo produz tristeza, porque significa maquiar a alma todos os dias. É a doença do espelho. Quebrem os espelhos, jovens. O espelho engana. Olhem para fora, para os demais, fujam dessa cultura que vivemos, que é consumista e narcisista”. E o Santo Padre continuou dizendo que “se quiserem olhar para o espelho, olhem para rir de si mesmos. Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria”.

Os jovens precisam estar atentos ao que a cultura atual tenta reproduzir de falso e nefasto por meio deles. Uma dessas coisas é o fechamento em si mesmo, o egoísmo. Não raro vemos jovens movidos pelo desejo de lutar contra os males que atingem a Igreja, empenhados na defesa da fé e dos valores cristãos, o que é muito louvável. Porém, esses mesmos jovens, tantas vezes, não buscam realizar sua vocação, seja o celibato pelo Reino ou o matrimônio, que é um caminho de santidade, que nos conduz ao Céu. E aí não nascem novas famílias para Deus, não se geram novos filhos de Deus, não se povoa o Céu. Não nascem novas vocações para a Igreja, já que estas são geradas no seio familiar. Cabe, então, indagarmos se é isso mesmo que o Senhor espera de cada um, que a Igreja espera... Não estará, talvez, faltando um pouco de equilíbrio nessa balança? É algo para pensarmos.

Por fim, ressalto que quis lançar aqui apenas algumas palavras como reflexão para todos nós. E com o desejo de que possamos ser dóceis à real vontade de Deus para nossas vidas, que muitas famílias sejam formadas e gerados muitos filhos de Deus, que os pais experimentem a beleza de serem cocriadores com Cristo na geração de novas vidas e, pela graça de Deus, tenhamos novos santos matrimônios para a Igreja. Por mais católicos que ousem sim defender a fé, mas sem renunciarem ou menosprezarem a realização de suas vocações. Por mais rapazes que ousem demonstrar, com respeito e cavalheirismo, seu interesse...

 

"Espero que sim, que ele também esteja interessado".

 

 

Dayane Negreiros

Entusiasta e divulgadora das catequeses sobre o amor humano no plano divino, de São João Paulo II, a Teologia do Corpo. Filha e devota de Nossa Senhora de Guadalupe. Pró-vida. Membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília.

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Ana Thaís Barros

Ana Thaís Barros

Sim, vamos rezar e confiar em Deus ☺️ Ele pode tudo!
★★★★★DIA 20.06.19 15h16RESPONDER
Dayane Negreiros
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Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Certamente! ;)

★★★★★DIA 20.06.19 20h21RESPONDER
N/A
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Ana Thaís Barros

Ana Thaís Barros

Obrigada por esse post, ajudou bastante. É bem o que estamos vivendo hoje.
★★★★★DIA 20.06.19 11h46RESPONDER
Dayane Negreiros
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Dayane Negreiros

Dayane Negreiros

Fiquemos atentos. Vamos rezar, buscar a vontade de Deus, pedir Suas graças e confiar na Providência, não é, Ana!?


Grande abraço. :)

★★★★★DIA 20.06.19 12h09RESPONDER
Ana Thaís Barros
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Thammy Honorato

Thammy Honorato

Adorei! Profundo e verdadeiro ❤️
★★★★★DIA 17.06.19 09h15RESPONDER
Dayane Negreiros
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