Sobre músicas seculares

Sobre músicas seculares

Muita gente torce o nariz para música secular. Acha que não é possível encontrar alguma com letra e melodias boas. Penso que do mesmo jeito que é um excesso achar que só devemos ler livros católicos e ver filmes e séries católicos, também considero um exagero achar que só devemos ouvir músicas católicas ou cristãs. Nos diferentes ritmos e estilos, é possível, sim, encontrar letras interessantes e se sentir tocado pelo arranjo musical.

As músicas – assim como a arte de maneira geral – expressa nossa humanidade, nossos sentimentos, estados e emoções. Coisas que todo mundo sente, vive, passa. A arte pode criar empatia e pode ser conforto. Quem nunca se identificou com o personagem principal de algum livro? Ou não se sentiu atraído por algum quadro ou escultura? Ou não chorou enquanto ouvia uma música que trazia alguma lembrança? Por ativar-nos de maneira sensorial, tanto a música, quanto a dança, o teatro, a pintura, os filmes – entre outros – influenciam diretamente nosso estado emocional e afetivo. É por isso que devemos tomar certo cuidado com o que vemos e ouvimos, mas também não precisamos demonizar o que há no mundo em termos de arte. Todo o contato que temos com bons livros, museus, teatros, danças, exposições, shows e afins formam um arcabouço imaginativo em nós. Isso ajuda-nos, entre vários pontos, a desenvolver nosso raciocínio, capacidade de comparação, criação e empatia. Em suma, o contato com a arte faz de nós pessoas mais inteligentes.

Estou longe de fazer um texto ou explanação no nível do Bunker do Dio, Francisco Escorsim, Martin Vasques da Cunha e pessoas do tipo. Neste post tento, humildemente - humildemente mesmo! -, fazer umas observações de músicas que escuto, gosto e reflito, para mostrar que tem muita música secular trazendo mensagem católica no meio (mesmo que a gente, em um primeiro momento, não perceba). O foco de hoje é a música, mas se vocês gostarem podemos preparar textos ligados a outras artes, também! :)

Chega de enrolação... A primeira música é da inglesa Ella Eyre. No single “We don’t have to take our clothes” ela dá uma bela lição sobre a virtude da castidade. Meus comentários estão entre parênteses. Acompanhe um trecho traduzido:

“Nem uma palavra de seus lábios

Você apenas tinha como certo que eu queria mergulho profundo

Um lance rápido, esse é o seu jogo

Mas eu não sou um pedaço de carne, estimule meu cérebro

A noite é uma criança, assim como nós

Vamos ficar e conhecer melhor um ao outro, lenta e facilmente

Pegue minha mão, vamos entrar na dança

Agitando nossos corpos ao som da música

Talvez, então, você pontuará

Então vamos lá, baby, você não vai mostrar alguma classe?

Por que você tem que se mover tão rápido

Nós não temos que tirar nossas roupas

Para ter um bom momento”

(O cara não estava interessado em conversar com a moça, escutá-la, conhecê-la, mesmo sabendo que ela queria algo sério – “mergulho profundo”. Então ela delicadamente mostra a ele que eles não precisam ter relações sexuais casuais para terem um bom momento juntos; o fato de dançarem, ouvirem uma música, viverem uma experiência, é muito mais interessante que o sexo sem compromisso. Castidade em uma música pop secular... Sensacional!!!)

A segunda música é a famosa “Californication”, do Red Hot Chilli Peppers. Não conheço todas as músicas da banda e nem sei se todas são confiáveis, mas esta aqui é demais. É uma baita crítica ao “Mvndo Moderno” hahaha

“Pague seu cirurgião muito bem

Para quebrar o feitiço do envelhecimento

Pele de celebridade, este é seu queixo

Ou é a guerra que você está travando?

Unicórnio primogênito

Pornô suave e explícito

Sonho de Californicação

[...]

Nascido e criado por aqueles que exaltam

O controle de população, todo mundo está lá

E eu não estou falando sobre férias”

(Aquele papo batido de que somos influenciados pela mídia é pura verdade. Pega as menininhas por aí e vejam se o prostitua-way-de-se-vestir não é pura influência das Kardashians. Vai dizer que não estamos criando, todos os dias, um modelo superficial de pessoas, bem longe do tipo virtuoso que deveríamos seguir? O último trecho que coloquei é o melhor: fomos criados em uma mentalidade contraceptiva, de modelos superficiais de beleza, de objetificação do corpo e do sexo. Todo mundo segue essa cartilha – e eu não estou falando do local de férias que todo mundo vai...)

A última de hoje é um estilo que eu curto muito (na verdade aprendi a gostar na academia, porque é o que dá energia para treinar – não dá para puxar uns pesos ouvindo Beethoven, né?). O estilo chama-se “house” e é um “sub-item” do gênero “eletrônica”. A música chama-se “Don’t you worry child”, do trio Swedish House Mafia.

“Não se preocupe, não se preocupe, criança

Veja, o Céu tem um plano pra você

Não se preocupe, não se preocupe agora

Sim

Não se preocupe, não se preocupe, criança”

(Qualquer semelhança com o trecho de Mateus 6, 34: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” é mera coincidência!)

Por fim, saidera, queria citar que algumas bandas podem ter letras péssimas (tipo o Pearl Jam que tem o “Do the evolution” – com uma crítica às igrejas como se fossem caça-níqueis – ou “Can’t Deny Me” – criticando o governo Trump), mas também podem ter ótimas mensagens (tipo “Society” - do Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam - criticando o consumismo e mostrando o vazio que causa a vida materialista). Enfim, é preciso analisar cada caso. Eu adoro essas coisas, fico viajando litros nas letras e interpretações!

Quem tiver letras legais e material sobre o assunto para indicar, deixe nos comentários.

Com carinho,

Letícia

Letícia B

A partir da necessidade de me aprofundar em assuntos de filosofia, sociologia, antropologia, e da relação destes com virtudes e religião, surgiram alguns textos que humildemente compartilho neste blog. leticia@modestiaepudor.com

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Já temos 3 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Larissa Cavalcante

Larissa Cavalcante

As letras do U2 são mto boas nesse sentido. Tem uma ou outra q não se encaixa, mas a maioria em geral sempre traz temas edificantes, tem mtas referências bíblicas e falam da relação do ser humano com Deus e evidenciam a formação cristã da banda (não são nem 100% católicos nem 100% protestantes, mas cresceram no meio dessas duas tradições, embora politicamente tenham umas opiniões duvidáveis). Principalmente os álbuns October, War, The Joshua Tree, Pop, All that you can't leave behind e Songs of Experience. Eu sugiro as músicas I still haven't found what I'm looking for, Grace, Walk on, Wake up dead man, Stuck in a moment, Lights of home, Gloria (essa tem uma letra maravilhosa), City of blinding lights, Magnificent, enfim, tem várias
★★★★★DIA 03.04.18 20h58RESPONDER
Letícia B
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Talyta Guimarães

Talyta Guimarães

A cada dia me apaixono mais e mais por esse blog, simplesmente incrível, uma graça de Deus. Obrigada pela dedicação de vcs
★★★★★DIA 03.04.18 12h31RESPONDER
Letícia B
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Letícia B

Letícia B

Que linda!! Obrigada, Talyta! :)

★★★★★DIA 03.04.18 13h16RESPONDER
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