Submissão, Relações Sexuais e a Igreja

Submissão, Relações Sexuais e a Igreja

Já temos um post muito didático (e em total acordo com a doutrina, pois passou pelo crivo de sacerdotes bem formados) sobre a Submissão no Matrimônio. Quando as pessoas criticam a Igreja neste ponto muitas vezes a culpa é de nós, católicos, que não entendemos bem o assunto e achamos que defender uma visão protestantizada sobre o tema é "defender a moral e os bons costumes". Neste trecho do livro "Teologia do Corpo para iniciantes", Christopher West reitera o que escrevi sobre este assunto e ainda acrescenta o olhar da Teologia do Corpo. Os grifos são nossos.

 

"Note que a primeira coisa que São Paulo diz aos esposos é 'Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo' (Ef 5,21). Como enfatiza São João Paulo II, Efésios 5 chama os esposos a uma mútua submissão. Aqueles que pensam que São Paulo estava simplesmente regurgitando um preconceito cultural contra as mulheres, não comprrendem o quão anticultural esta ideia era.

São João Paulo II insiste que São Paulo 'não pretende dizer que (...) o matrimônio é um pacto de domínio do marido sobre a mulher (...). O amor faz que ao mesmo tempo também o marido seja submisso à mulher' (TdC 89, 3-4). Ele acrescenta que ser 'submissa' ao esposo significa ser 'plenamente doada' (TdC 90, 2). Portanto, a mútua submissão significa uma 'recíproca doação' (cf. TdC 89, 4). Isso significa que ambos os esposo realizam e vivem o sentido esponsal de seus corpos, que os convida ao dom de si mútuo e sincero.

Cristo, que entregou o seu corpo por sua esposa, deve ser a fonte e o modelo desta autodoação. Os esposos cristãos se dão um ao outro "no temor de Cristo". São João Paulo II chega ao ponto de dizer que esse temor não é outra coisa senão uma "forma espiritualmente madura" da mútua atração entre os sexos, daquele 'fascínio recíproco (...) do homem pela feminilidade e da mulher pela masculinidade' (TdC 117b, 4). Em outras palavras, o 'temor a Cristo' resulta de uma experiência vivida da redenção da atração e do desejo sexual, da redenção e do eros. Através de uma contínua conversão, nós gradualmente experimentamos aquele nível maduro de pureza do qual falamos anteriormente.

O homem e a mulher puros veem o mistério de Cristo revelado através de seus corpos. Isso não é simplesmente uma teoria ou conceito; o homem e a mulher puros sentem isso em seus corações. Eles compreendem que o chamado à união inscrito em sua sexualidade é um 'grande mistério' que proclama a união de Cristo com a Igreja. À medida que experimentamos isso como o 'conteúdo' das nossas atrações sexuais, nós não queremos viver a luxúria - nós queremos nos prostrar. À medida que vivemos o que São Paulo nos chama a viver, a luxúria torna-se desgostosa para nós. O 'grande mistério' da sexualidade, por sua vez, preenche-nos com um profundo encanto, temor respeitoso e admiração. Em outras palavras, ele preenche-nos com temor a Cristo.

A reverência pelo 'grande mistério' revelado por meio de nossa sexualidade abre um horizonte de liberdade e alegria previamente inacessível para nós. Passamos a 'nos possuir' e a possuir as nossas paixões. O eros não mais nos controla; nós o controlamos, e, em uma feliz liberdade, somos capazes de direcionar os desejos eróticos para o sincero dom de si. 'Uma coisa é, de fato, a satisfação das paixões', observa São João Paulo II, 'outra, a alegria que o homem encontra em possuir-se mais plenamente a si mesmo, podendo deste modo tornar-se, ainda mais plenamente, um verdadeiro dom para outra pessoa' (TdC 58, 7). É claro, há sempre uma necessidade cada vez mais profunda de purificação a esse respeito. 'Ninguém pode considerar-se com o domínio de si definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado e todas as idades da vida' (CIC 2342). Mas o esforço que isso requer nos recompensa mil vezes mais, permitindo-nos encontrar a 'liberdade para a qual Cristo nos libertou' (Gl 5,1) e garantindo-nos provas de amr e da alegria pels quais os nossos corações verdadeiramente anseiam.

Submissão dentro da analogia esponsal

Se São Paulo está apenas regurgitando a ideia cultural de que as esposas são 'propriedade' de seus maridos, a revolta feminista contra Efésios 5 é bem compreensível. Na ausência da redenção, as palavras de São Paulo só podem ser vistas como uma admoestação para as mulheres se resignarem à luxúria e à tirania dos maridos. Mas a redenção foi realizada! O conhecimento de que Cristo morreu e ressuscitou para nos dar o poder de viver de acordo com o plano do amor original de Deus imbui profundamente todo o ensinamento do Apóstolo sobre o matrimônio. De fato, ele apresenta a redenção em si através da analogia do amor esponsal e da união sexual.

De acordo com a analogia, a esposa é imagem da Igreja e o esposo é a imagem de Cristo. A analogia obviamente falha (ex., nenhum marido é a imagem perfeita de Cristo, e nenhuma esposa é imagem perfeita da 'esposa sem manchas' de Cristo), porém diz muito não somente do amor esponsal de Cristo por nós, mas também sobre a essência msma e o significado mesmo do matrimônio. Nós aprendemos que 'o matrimônio corresponde à vocação dos cristãos só quando reflete o amor que dá Cristo-Esposo à Igreja, Sua Esposa, e que a Igreja (...) procura devolver a Cristo' (TdC 90, 2). Distante deste modelo, o matrimônio pode deteriorar-se muito rapidamente em uma forma de opressão, especialmente para as mulheres.

(...)

Talvez nossa rapidez para acusar São Paulo de justificar a dominação masculina revele mais sobre nossos problemas de hoje do que daquele tempo. Com base no que já desenvolvemos, quando São Paulo escreve, 'Esposas, submetei-vos aos vossos maridos', ele está dizendo 'Esposas, permiti que vossos maridos vos sirvam...até a morte!'. Uau! Nossa típica interpretação das palavras de São Paulo está virada de cabeça para baixo! Não que a esposa seja a senhora e o marido um escravo - poder, controle, dominação, estes são todos paradigmas errados. O matrimônio cristão convida marido e mulher ao mútuo serviço. Ainda, de acordo com a natureza da diferença sexual, cada um vive este serviço de mdos diferentes, complementares.

Se Efésios diz que 'o marido é a cabeça da esposa como Cristo é a cabeça da Igreja', isto significa que o marido deve ser o primeiro a servir (cf. Lc 22, 25-26). Existe uma 'ordem sagrada' no amor. Ao se refir à imagem de Cristo e da Igreja, São João Paulo II escreve que 'o marido é acima de tudo aquele que ama, e a esposa, por outro lado, é aquela que é amada'. Então podemos concluir que 'a 'submissão' da mulher ao marido (...) significa, sobretudo, 'provar o amor'. Tanto mais que esta 'submissão' se refere à imagem da submissão da Igreja a Cristo, que certamente consiste em provar o Seu amor' (TdC 92, 6).

Podemos e devemos aplicar essa atitude de ser 'o primeiro a servir' em todas as áreas da vida conjugal. Mas como isso deve acontecer no leito conjugal? São João Paulo II escreveu que, se um marido quiser verdadeiramente amar sua esposa, 'não seja [ele] o único a atingir o ponto culminante da excitação sexual (...). O homem deve ter em conta estas diferenças de reação [masculinas e femininas] (...) para chegarem [os cônjuges], no mesmo momento, ao ponto culminante da excitação sexual'. O marido deve fazer isso 'não por razões hedonistas, mas altruístas'. Neste caso, se 'se tem em conta que a curva de excitação sexual do homem é mais curta e sobe bruscamente, é-se levado a afirmar que um ato de ternura da sua parte, nas relações conjugais, adquire importância de um ato de virtude' (AR, pp. 271, 274). (Por favor, leia essa passagem para qualquer um que pensa que a Igreja é 'contra o sexo'. Quão distante da verdade! Como uma noiva assustada certa vez me disse quando eu li esse trecho no seu curso de preparação para o matrimônio, 'O papa arrasa!').

O clímax mútuo não é sempre possível por uma série de razões compreensíveis, mas todos nós sabemos da imagem estereotipada do marido egoísta que tem o seu prazer, e então se vira e pega no sono. De tal homem não se pode dizer que ama sua esposa 'como Cristo ama a Igreja'. Cristo quer que sua esposa receba e permaneça na plenitude de seu amor, para que participe da sua alegria e a alegria dela seja plena (cf. Jo 15, 9-11). E, sim, o ato conjugal deve ser uma expressão e uma experiência dessa alegria!"

(Do livro "Teologia do Corpo para iniciantes", de C. West, p. 138-143)

 

Letícia B

A partir da necessidade de me aprofundar em assuntos de filosofia, sociologia, antropologia, e da relação destes com virtudes e religião, surgiram alguns textos que humildemente compartilho neste blog. leticia@modestiaepudor.com

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wagner santos

wagner santos

bom saber que mulher pode fazer tudo que um homem faz
★☆☆☆☆DIA 02.11.18 18h26RESPONDER
N/A
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