Vida prática: santidade quotidiana no Matrimônio

Vida prática: santidade quotidiana no Matrimônio

Quando falamos de santidade no quotidiano logo nos vem em mente nosso São Josemaria Escrivá em seus conselhos bastante concretos acerca da intimidade com Deus mesmo nas coisas mais corriqueiras do dia.

“A vida corrente de um cristão que tem fé, escrevia o santo, quando trabalha ou descansa, quando reza ou dorme, em todos os momentos, é uma vida em que Deus está sempre presente” (Josemaría Escrivá, Meditação, 3 de Março de 1954).

Especialmente quando solteiros, os católicos (homens ou mulheres) que estudam a vida dos Santos tendem a criar uma alta expectativa acerca dessa vivência de santidade dentro do lar: ter muitos filhos, reservar um altar em casa para oração íntima dos esposos para ali permanecer algum tempo cada um a sós com Jesus, rezar a liturgia das horas em família diariamente, em cada contrariedade com o cônjuge entregar instantaneamente a dor a Jesus, enfim. Esse cristão, com sede de Deus e de expressar no lar todo seu amor através da vivência na oração, quer levar o mosteiro para dentro do matrimônio.

Ruim? Absolutamente não! Querido por Deus e deve ser a meta de todos.

Real? Talvez não muito.

E eis que pode vir a frustração, após o casamento. Toda aquela vida quase monástica sonhada em ser praticada no lar não consegue se cumprir, pelo fato de ainda estarmos no mundo, termos nossas obrigações de cidadãos, de pais de família, de esposos.

Sendo um só pela união matrimonial, marido e esposa tem de se adequar à nova rotina. O tempo que ela teria de manhã cedinho para rezar com afinco, o usa para preparar o café da manhã do esposo. Ele, que chegava do trabalho e já puxava o terço, precisa agora dar atenção à esposa que quer falar sobre o dia dela. Quando os filhos vêm, o tempo de dormir fica curto, o cansaço consome e quando percebe já está a murmurar e não entregou a Deus sua cruz.

“Não sou capaz”, pensa o Cristão, com tom agudo de escrúpulo. E, lamentando, desiste.

Não reza sequer um terço diário. Reclama a todo o tempo. É grosseiro com o cônjuge. Desistiu de ser santo pois sua expectativa de vida consagrada não se cumpriu dentro da vida familiar.

E não irá. A não ser que ambos possam ficar em casa o dia todo juntos, não necessitem trabalhar fora ou dentro de casa e não tenham filhos. As duas primeiras opções são impossíveis à grande parte da população. A última não é o desejo de nenhum cristão. Portanto, acalme-se e não desista.

Mas então, como viver a santidade no quotidiano se não for através e tão somente da vida íntima com Deus?

Como posso eu praticar as palavras de Cristo que adverte que “aquele que não toma a sua cruz e não me segue, também não é digno de mim” (Mt 10:38)?

Já dizia ainda São Josemaria:

“A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço necessário para manter a família, para garantir o seu futuro e melhorar as suas condições de vida, o convívio com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas, comuns, que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar” (É Cristo que passa, n. 23)

Mas como?

Devo rezar o terço enquanto lavo a louça? Isso seria maravilhoso, um caminho de santificação. Mas, e quando se lava a louça e a criança corre por caminhos perigosos na cozinha? Fica mais difícil.

Ou então quando se espera os filhos chegarem para seguir um caminho de mortificação mas a vontade de Deus não é bem essa, e você se pega casado há longos meses sem filhos: e agora, como farei? Que tal entregar essa dor também a Deus, a de não ter filhos.

Devo então silenciar em cada ato falho de meu esposo, ou em todos os momentos em que ele não me faz sentir bem? Bom, não consigo imaginar a Virgem Maria sendo ríspida com o esposo, mas também não imagino São José sendo assim com ela. Se ele fosse, é bastante nítida a imagem de nossa Mãe o corrigindo de forma bastante fraterna, praticando realmente a caridade àquele a quem Deus a confiou.

Esse caminho de santificação diária pode ser mais simples do que pensamos.

Ao colocar um bolo no forno, reze para que a Virgem o deixe crescer bonito e gostoso para a família.

Ao ir para o trabalho tenha em mente seu Santo Anjo, converse com ele, que é seu melhor amigo.

Se prefere um alimento mas seu esposo outro, pratique o amor a ele atendendo a seus gostos e o faça com grande zelo. Ao mesmo tempo que cozinha, converse com Deus dizendo “ahh, como preferia uma carne assada, mas por amor a ele e a Deus que habita nele, farei o prato preferido de meu esposo”. Você não precisa esperar estar em posição e local de oração para entregar tudo a Deus! Faça-o o tempo todo!

Se a esposa está na TPM não fuja, mas a atenda com atenção e carinho mesmo na dificuldade. A esposa na TPM pode lutar contra os hormônios e se esforçar por ser mais simpática, ou menos melancólica.

Ao filho que chora de madrugada, louve a Deus por sua vida e ao niná-lo contemple a face do Menino Jesus naquele pequeno ser a quem Deus os confiou.

E assim a vida conjugal vai se unindo à vida divina, vai se tornando de fato uma vida só pois ambos estão unidos no que é essencial: o Céu.

A cada renúncia de coisas pequenas, lembremo-nos de Deus. É disso que penso tratar São Josemaria. Ter uma visão sobrenatural mesmo nas coisas mais corriqueiras, ver a ação e bondade de Deus no nosso dia a dia. E, para isso, não precisamos viver uma vida monásticas e nem passar mais horas na igreja do que acolhendo nossa família com nosso tempo.

Precisamos cuidar para não carregarmos fardos ao invés de cruzes. Devemos viver uma vida equilibrada mas constante para que Deus seja o início, meio e fim de tudo, e que seja assim de hoje até o fim de nossa peregrinação nesse mundo, não apenas por uma semana.

Os esposos podem separar sempre um horário do dia que se adeque melhor à sua rotina para rezarem juntos, pois sem a oração os problemas aumentarão e a vida espiritual do casal fica em desordem. Devem juntos escolher suas práticas, de forma muito particular e consciente, para assim estarem ainda mais unidos. Se tiverem filhos é essencial também um momento de oração com toda a família.

Um boa estratégia é espalhar crucifixos pelos cômodos da casa e, assim, em cada momento do dia esses objetos lembram aos moradores onde seus olhos devem se fixar.

Um altar que exprima a verdadeira espiritualidade católica também é de muita relevância, ainda que seja algo simples. Um espaço especial da casa, mantido com grande zelo por todos.

Que não deixemos a oração se desvanecer em meio à correria, mas também não tentemos levar no ceio família uma vida à qual não fomos chamados e não conseguiremos suportar com amor. 

 

"Começar é de todos; perseverar, de santos"

(São Josemaria Escrivá)

 

Carolina Maldaner

Mora em Cuiabá, MT e sua profissão (e vocação) é professora de Português e Inglês.
Na Igreja auxilia como catequista, coralista em corais sacros, apostolado à Virgem de Fátima e ajuda com seu trabalho na realização do Oratório de Dom Bosco, na paróquia São João Bosco onde participa.
Unindo a vocação de ensinar com a intenção de agradar a Nosso Senhor e Nossa Mãe, como escrava dEla, é que faz parte desse apostolado, buscando auxiliar com a gravação dos vídeos de moda e modéstia, edição de imagens e textos quando convir.

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Iracema Souza

Iracema Souza

"A mulher que, por causa da igreja, deixa a panela esturrar, uma metade tem de anjo, de diabo a outra metade."
★★★★★DIA 28.03.18 20h34RESPONDER
Letícia B
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